quinta-feira, novembro 06, 2008

Manifestação de Professores - 8 de Novembro

Vivemos hoje numa era que ainda se adapta ao aparecimento da Internet. Embora desde muito cedo "todos" se apercebessem das potencialidades desta invenção, só muito recentemente começámos a sentir a sua verdadeira influência. Os Blog's são um bom exemplo disso. Sem eles, seria difícil que eu próprio tivesse até este momento 16.600 leituras dos meus textos. Os Blog's servem de pontes entre as pessoas. Revelam um pouco da nossa alma... ou pelo menos daquilo que queremos fazer transparecer. Servem também para encontrarmos ideias em comum. E foi isso que permitiu, por exemplo, que milhares de professores partilhassem o seu desalento com as políticas do Ministério da Educação liderado por Maria de Lurdes Rodrigues. Foram até mais longe. Sentindo que não eram os únicos, alguns criaram os chamados Movimentos de Professores: apartidários e assindicais. Mas apartidários porquê? Mas assindicais porquê? Porque os factos contam que existem outros interesses por detrás de partidos e sindicatos. Porque, se calhar, no princípio deste século XXI, já não são precisos partidos ou sindicatos para que algumas minorias se façam ouvir... graças à Internet. E daí, talvez resulte um protesto mais "puro". Talvez resultem reivindicações mais legítimas, sem os grilhões dos acordos sindicais ou partidários com cláusulas duvidosas. Não quero com isto dizer que os partidos ou os sindicatos devam acabar. Apenas sugiro que neste contexto os partidos e os sindicatos devem pensar a sua forma de agir. Devem fazer com que o seu móbil seja menos egoísta: porque as minorias têm voz, fazem-se ouvir e influenciam as opiniões de muitos... graças à Internet.

Tudo isto para dizer que está marcada uma manifestação de Professores para o dia 8 de Novembro de 2008 em Lisboa. Não dos Sindicatos mas dos Professores e dos Sindicatos de Professores. Se houve alturas em que defendi a Greve de Professores e pedi que fossem Todos a Lisboa, hoje defendo a Manifestação de Professores. Porque alguém próximo de mim é Professor e sei muito bem o que essa pessoa passa para "tentar" cumprir todas as insanidades ditadas por este Ministério da Educação. E digo "tentar" porque é mesmo difícil cumprir todas as insanidades sem se ficar também insano. Soube-se há pouco tempo que na altura em que mais de 100.000 professores saíram à rua, Maria de Lurdes Rodrigues chegou a pedir a demissão a José Sócrates. Ele não deu. Seria interessante que no dia 8 de Novembro de 2008 toda a classe dos Professores estivesse em Lisboa a lutar pelos seus interesses. Talvez nessa altura e com a proximidade das eleições, o governo ouvisse essa classe profissional e atendesse aos seus desígnios sem se abrigar no escudo gasto da maioria absoluta. Esse alguém próximo de mim nunca foi a uma manifestação de rua... mas desta vez vai. O que é demais é demais e isto é demais.

Tenho escrito Professor com letra maiúscula no início, em sinal de respeito por esta classe profissional. Respeito esse que nem o Ministério da Educação nem este governo têm demonstrado.

1 comentário:

Safira Mendes disse...

É bom ler o que escreveu sobre a classe docente, depois de ultimamente eu ter visto (lido ) todo o género de barbaridades em comentários em jornais , blogues, etc. Ontem, quando cheguei a casa pensei que deveria ser mentira o que vivi nos últimos 45 minutos de trabalho numa dita aula de substituição, em que não se substitui ninguém , apenas como há falta de contínuos nas escolas temos nós que aguentar e policiar meninos malcriados, que são escudados na incúria dos papás, que os arrumam no "infantário" por largas horas.Cheguei exausta, como se tivesse passado por uma tortura de várias horas e pensei... sonhei como seria bom ver não só a Ministra, mas todos os que dizem mal da classe docente, enfiados com aqueles gandulos numa sala de aulas.Foi só sonho... Mas amanhã estarei nas ruas em Lisboa, mesmo sem pertencer a nenhum sindicato ou movimento. Sou professora há 28 anos, tenho 50 e já estou farta que nos queiram tornar em loucos com um modelo de avaliação que é completamente surreal. Ao fim de 28 anos de experiência quem tem a autoridade moral e científica para entrar na minhas aulas e emitir um juízo sobre a minha prática docente? Façam isso a quem é balda e não cumpre.Eu já fiz estágio há muitos anos e não posso admitir isso , nem outras coisas de tamanha barbaridade.É uma questão de dignidade. Não nos podemos deixar vencer por políticos e políticas de ensino que subvertem completamente aquilo que deverá ser esse ensino. Amanhã lá estarei!

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