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segunda-feira, maio 14, 2018

Festival Eurovisão da Canção 2018

Como é tradição, aqui vai a minha apreciação do Festival da Eurovisão deste ano.

E o vencedor é...

...novamente Salvador Sobral!

Sim. É verdade. Salvador salvou o Festival com a canção que interpretou durante o "intervalo". Quanto ao resto, foi paisagem. E, desculpem-me a franqueza, mas não consigo ver nada de interessante na música da "galinha" israelita.

Longe vão os tempos de "Ah-Bah-Nee-Bee" (1978)...



""Hallelujah" (1979) ...



ou mesmo de "Diva" (1998) ...



Fiquem então com o verdadeiro vencedor deste ano com a sua atuação no festival...



ou com o vídeo oficial de "Mano a Mano".



Vim chorar a minha pena
No teu ombro e, afinal,
A mesma dor te condena
Choras tu do mesmo mal

Irmãos gémeos no tormento
Filhos da mesma aflição
Nenhum dos dois tem alento
Pr'a dar ao outro uma mão

O amor não nos quer bem
Ninguém nos há-de valer
Se um perde aquilo que tem
E o outro não chega a ter

Só nos resta o mano a mano
Se não queremos ficar sós
Deixa lá o teu piano
Namorar a minha voz

segunda-feira, maio 09, 2016

Filme de Animação Robinson Crusoé 2016

No sábado passado fui ver o filme Robinson Crusoé com o "meu mais velho".



A sinopse é esta:

Numa pequena ilha paradisíaca, Terça-feira, um papagaio bastante divertido vive com um grupo de animais amigos. No entanto, Terça-feira não para de sonhar como será o resto do mundo. 

Depois de uma violenta tempestade, Terça-feira e seus amigos dão de caras com uma criatura estranha: Robinson Crusoé. Terça-feira vê imediatamente em Robinson a certeza de que há um mundo para além da ilha. Da mesma forma, Robinson logo percebe que a chave para sobreviver na ilha é através da ajuda do papagaio e dos outros animais. 

Não é fácil no início, já que os animais não falam "humano", mas lentamente, todos eles começam a viver juntos em harmonia, até ao dia em que a sua vida confortável é posta em causa por dois gatos, também eles náufragos, que desejam assumir o controlo da ilha. 

E no meio da batalha que se segue, Crusoé e os animais seus amigos depressa descobrem o verdadeiro poder da amizade, no meio de todas as adversidades.

É um filme franco-belga que se afigura como uma excelente alternativa ao main stream dos Estados Unidos.

Do ponto de vista técnico a animação é cuidada, com bastante preocupação com os detalhes das texturas e ambientes recriados que enriquecem a qualidade do produto final.

As personagens são bem pensadas, com alguma profundidade de caráter e com papéis bem definidos no desenrolar da estória.

Quanto à estória propriamente dita, peca talvez por não ter a cadência necessária para prender o espetador à tela. Fiquei uma ou duas vezes alheado do filme e o "meu mais velho" chegou a perguntar a dada altura se o filme tinha terminado. Não quero com isto dizer que o filme é maçudo ou sem ação. Muito pelo contrário. O que estou a apontar é a aparente falta de ponderação entre os momentos com mais ação e outros com menos ação. Se algo do mesmo tipo se repete por demasiado tempo pode criar uma sensação de desconforto em quem vê o filme. No final, tem-se a sensação que o filme é cortado para colocar um fim na estória.

Se voltava a ver o filme? Voltava. É um bom filme? Sem dúvida. Pela atenção ao pormenor e pela qualidade que já se atingiu no campo da animação por computador. Ao ponto em que nos esquecemos da tecnologia (*) para nos centrarmos naquilo que verdadeiramente interessa: a estória.

(*) No meu caso isto é quase impossível, talvez por "calo" profissional. Admiro a forma como trataram o render dos materiais, principalmente nas cenas mais "molhadas". Admiro também, mais uma vez, o cuidado e a atenção dados às texturas: madeira riscada, madeira partida, objetos metálicos, objetos molhados, cabelos, pelos, areia e rocha... um festival quase "gastronómico" para os olhos.

quinta-feira, maio 21, 2015

Festival Eurovisão 2015

Mais uma vez não podia faltar a minha opinião sobre a edição deste ano do Festival Eurovisão da Canção.

Procuro, primordialmente, sonoridades novas e interessantes. Considero-me com algum gosto musical e, desde que a música seja boa, ouço todos os géneros.

Tenho pena que, cada vez mais, a língua de eleição seja o inglês. Agrada-me a diversidade cultural e penso que podemos ser unidos nessa mesma diversidade.

Para este ano faço a seguinte seleção.

Estónia

Uma música excêntrica, talvez com algumas influências de Nick Cave & The Bad Seeds. Existem também alguns solos discretos de guitarra elétrica que se assemelham aos de Mark Knopfler... será por isso que gosto desta música?


Reino Unido

Sonoridade de disco riscado, visual e vozes dos anos 20 (do século XX), apimentadas com melodias mais digitais. Uma combinação diferente e inesperada.


Montenegro

Só pelos primeiros 30 segundos já merece ter uma posição de destaque no Festival. Depois, é cantada em Montenegrino, uma escolha de louvar. Uma música assente em raízes tradicionais, com muito bom gosto.


Quanto a Portugal, espero que a Leonor Andrade tenha corrigido as afinações. A presença em palco é fundamental (e ela tem-na) e a voz é bem colocada e poderosa mas eu sou particularmente sensível a desafinações. A música não é desengraçada, seguindo o estilo do seu compositor, mas também não é nada de radicalmente novo.



terça-feira, setembro 04, 2012

Privateering

"Privateering is about an invitation to join a ship's company. I feel it relates to me, certainly in terms of touring. I really get a buzz out of having this little group of people that goes and does this stuff. I enjoy being in command of it, I enjoy the band, I enjoy the crew thing very much. Even though privateering is a historical portrait, in the way that a privateer... his life and the kind of person that he is definitely parallels with touring". Mark Knopfler


Mark Knopfler instalou-se definitivamente na sonoridade mais calma e folk (com uma forte vertente para os blues) com este novo "Privateering", o seu sétimo trabalho a solo, distanciando-se cada vez mais do que estaríamos habituados com os Dire Straits... mas isso não é uma coisa má. Hey! Don't get me wrong! Continuo a gostar bastante de Dire Straits! Mark Knopfler mostra-nos apenas que é tão bom no rock como é agora no folk, blues ou country. Devo confessar que não morro de amores pelos seus blues em "Don´t Forget Your Hat", "Got to Have Something", "Today is Okay" ou "Hot or What" (embora goste de "Miss You Blues") aprecio mais as melodias e instrumentos utilizados em músicas como "Redbud Tree", "Hawl Away", "Privateering", "Go, Love" ou "Kingdom of Gold". "Corned Beef City" e "I Used to Could" são das suas músicas mais rockeiras. No lado oposto, temos o tom meloso de "Radio City Serenade". "Gator Blood" transmite uma imagem stereo a parecer que Mark Knopfler e a sua banda fizeram da nossa sala o seu estúdio de gravação. "After the Beanstalk" encerra este duplo álbum remetendo-nos para um tom mais country que podia muito bem ser ouvido num antigo saloon de cowboys.

Em jeito de conclusão, faz-me falta ouvir mais a guitarra de Mark Knopfler. Ele próprio admite concentrar-se agora nas letras das músicas, dando-lhes mais significado ao encurtar os seus solos de guitarra. "Privattering" é um álbum duplo e isto deve-se ao facto de Mark Knopfler estar numa fase bastante criativa. Segundo as suas palavras, "if that's just panic of time running out, I really don't know"! Esperemos que Mark Knopfler continue por muito tempo esta sua fase bastante criativa.

Mais um álbum a comprar para a minha coleção.



segunda-feira, setembro 03, 2012

Isto não é um post no meu blogue

Muitas vezes aquilo que parece, não é. Hoje acabei de descobrir isso mesmo ao descer ao piso -1 do local onde trabalho. Comecemos por colocar uma imagem que ilustre este não post.



Tem aspeto de porta, parece uma porta, tem todos os elementos que caracterizam uma porta, cheira a porta e... no entanto... não é uma porta. É, quando muito, uma semiporta. Senão vejamos:

"Porta - abertura em geral retangular, feita numa parede ao nível do pavimento, para permitir a entrada ou saída" in Infopédia.

Existe uma definição mais lacónica:

"Portaabertura para entrar ou sair." in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

A semiporta em questão não permite sair. Não verifiquei do outro lado para saber se permitia a entrada. Daí que tenha dito que, quando muito, é uma semiporta. Se não der para entrar também, direi que é uma não porta, uma sucedânea de porta ou, o que é mais grave, uma simulação de porta.

Incrédulo com o panorama que estava à minha frente, enchi-me de coragem e tentei transpor a dita semiporta. Empurrei o manípulo horizontal e, qual não é o meu espanto, a semiporta abriu-se, permitindo-me ter um vislumbre do mundo que está do outro lado da semiporta. Pareceu-me de facto o lado exterior do edifício, com ligação para o espaço aberto que é o nosso planeta terra a poucos metros de distância. Fiquei-me por aqui. Gosto de cumprir regras e não transpuz a semiporta. Confesso... tive receio do que pudesse existir do outro lado. Uma falsa porta como esta pode conduzir-nos a uma falsa realidade... pode dar-nos passagem para outro espaço-tempo que não o nosso, fazendo-nos viver uma vida falsa, porque vivida nessa falsa realidade. Vi demasiados episódios do Fringe para sequer tentar atravessar a semiporta.

Se a porta elétrica do piso 0 alguma vez não funcionar, não sei como poderei sair do edifício... pelo menos sem desvirtuar o conceito que tenho enraizado desde a minha infância sobre janelas. Isto para já não falar numa situação de emergência!

quinta-feira, julho 26, 2012

O desrespeito pela língua portuguesa

Hoje fui à mailbox do meu papy e eis se não quando, deparo-me com um flyer da Pizza Hut... esse franchising que prolifera por aí.
God! Juro que não percebo essa ideia de que tudo o que é estrangeiro é que é cool! Vejam o que vinha nesse flyer (parte esquerda da imagem abaixo).


Tanta coisa só para não chamar "PIZZA CABRA", porque é feita com queijo de CABRA (a minha sugestão, do lado direito da imagem)!

Parece que já os estou a ouvir dizer:

- Ai, não! Porque chèvre é mais fino e tal! Porque é feito com queijo chèvre!

Mais respeito pela língua de Camões, meus senhores! E comecem a chamar os bois (ou cabras) pelos nomes!

Descubra as 3 diferenças... (#3)


quinta-feira, julho 05, 2012

Prometheus

Bem... já passou algum tempo desde que coloquei o último post de cariz mais pessoal!

Desta feita vou falar-vos do último filme que fui ver ao cinema e que dá pelo nome "Prometheus".


Já li muitas críticas negativas sobre este filme e alguns dos meus amigos corroboraram e partilharam dessas críticas antes que me deslocasse ao cinema para vê-lo.

Primeiro vou falar-vos das razões que me levaram a escolher este filme para voltar às salas de cinema dois anos depois da última incursão (por causa do filme "Avatar" de James Cameron):
  • Ridley Scott é um dos meus realizadores de culto. Basta mencionar filmes como: "Blade Runner - Perigo Iminente", "Alien - O Oitavo Passageiro", "1492: Cristóvão Colombo", "Gladiador" e "Robin Hood";
  • Prometheus é considerado uma prequela de "Alien - O Oitavo Passageiro".
Deixei passar propositadamente dois dias antes de fazer a minha crítica. Por um lado, para ter mais sangue frio para falar sobre a experiência cinematográfica. Por outro, para digerir melhor tudo o que vi.

A melhor forma de fazer a crítica, é salientar os aspetos positivos e negativos, tentando não usar spoilers.

Aspetos Positivos
  • O 3D é usado com conta, peso e medida, acrescentando mais realismo ao filme. É mesmo "Real 3D".
  • A fotografia é cuidada. Do melhor que tenho visto. A sequência inicial é particularmente bela e beneficia muito do "Real 3D".
  • O desempenho dos atores é, de uma forma geral, boa. Destaca-se dos restantes Michael Fassbender no desempenho notável da personagem David (o robô humanóide de serviço). Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que é o melhor desempenho em papéis deste género de todos os filmes e séries que já assisti.
  • A atenção aos detalhes é impressionante. Não falo propriamente da narrativa mas antes de tudo o que se prende com aspetos visuais (com uma exceção mencionada nos aspetos negativos).
  • A cadência do filme mantém-nos sempre "agarrados" à cadeira, do princípio ao fim do filme.
Aspetos Negativos
  • Os estereótipos das personagens usadas nos filmes da saga "Alien" continuam: os bonzinhos, os heróis incidentais, os durões, os medricas, os malévolos.
  • As personagens têm, de uma forma geral, uma personalidade muito superficial.
  • Algumas partes da narrativa são excessivamente previsíveis, estilo "estes vão ser os primeiros a morrer" e noutras vê-se que falta algo mais.
  • A caracterização de Guy Pearse no papel de ansião não se enquadra com o restante nível do filme. Parece que contrataram o maquilhador de um filme da categoria B.
Conclusão

Basta dizer que será com certeza um DVD a adquirir, desde que seja um Director's Cut. Haverá com certeza algumas cenas extra que tornarão o filme ainda melhor e unirão as pontas soltas deixadas na versão para cinema.

Os aspetos positivos compensam largamente os aspetos negativos. Trata-se de um bom filme de ficção científica... e há tão poucos hoje em dia.

Embora talvez não esteja ao nível de "Alien - O Oitavo Passageiro", é uma boa espécie de prequela que aponta para uma nova saga Alien.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Enigma MMX

Já devem saber que gosto de Enigma. Ontem foi um dia histórico para Michael Cretu (o fundador de Enigma) porque terminou a composição da "MMX (The Social Song)", um projecto EnigmaSpace.



Em poucas palavras, resume-se este projecto como sendo uma colaboração à escala planetária para compor uma música. Os utilizadores registados gravaram as suas propostas para as vocalizações, decidiram o estilo da música e depois Michael Cretu reuniu as peças mais votadas e misturou tudo numa música que para mim foi bem conseguida. Não foge ao espírito de Enigma, isto é, tem uma batida cativante, as vocalizações têm uma aura étnica e o crescendo ao longo da música (observável pela representação gráfica acima) leva-nos para as esferas da meditação e do chill out.

quarta-feira, novembro 24, 2010

De Greve (uma espécie de...)

Hoje foi o dia em que estive mais próximo de fazer uma greve. Só não o fiz porque não vejo que haja espaço para qualquer consequência positiva que possa advir desta greve. O país está em maus lençóis e as medidas que estão a ser tomadas podem até não ser as suficientes (com certeza não serão) para conseguir encarreirar novamente as coisas. Se fizesse greve seria pelas razões que vou enumerar e não pelas razões que apontam para se fazer greve. Assim sendo, esta é a forma encontrada de fazer greve: expressar a minha opinião sobre o estado da nação.
  • O governo parece ignorar a regra básica de qualquer administrador que se preze e que consiste em não se gastar mais do que o que se ganha;
  • O governo só agora começou a implementar políticas contra o despesismo em todos os sectores do estado;
  • O governo teima em não apoiar sectores de actividade que poderão gerar riqueza interna e diminuir a nossa dependência do estrangeiro;
  • O governo continua a apoiar o laxismo das pessoas ao fazer com que continuem a optar pelo rendimento mínimo em detrimento de um trabalho;
  • O governo não consegue livrar-se dos jobs for the boys mesmo que isso implique colocar pessoas incompetentes em cargos que não são mais que uma segunda escolha para candidatos autárquicos falhados, entre outros;
  • O governo e o povo português continuam a viver acima das suas possibilidades;
  • O povo português valoriza o chico-espertismo;
  • O povo português tenta sempre contornar a lei e o estado para tirar um benefício próprio;
  • etc.
Duas ressalvas  para esta  pequena lista. O termo "governo" aplica-se a este governo e em maior ou menor grau a todos os governos pós 25 de Abril (realidades anteriores são-me menos familiares). O termo "povo português" é talvez demasiado abrangente mas, infelizmente, são cada vez mais aqueles que se encaixam nesta amálgama.

Parece que já adivinho a discussão estéril entre o governo e os sindicatos sobre a percentagem de grevistas em cada sector de actividade, que segue as fórmulas empíricas:

Governo: ( 0 + x ) % de grevistas
Sindicatos: ( 100 - x ) % de grevistas

Com x < 30 % e a tender para zero.

Como conclusão, o governo até poderá dizer que "a fraca adesão à greve é um sinal claro de que os portugueses percebem a grave crise em que o país se encontra (originada pela conjuntura mundial) e que estas são as políticas correctas para se ultrapassar a situação". Só que não percebe, ou finge não perceber, que a revolta está no facto de que tudo isto poderia e deveria ter sido evitado.



Olho Vivo e Zé d'Olhão
Herman José e Joel Branco

Esta vida é um fadinho
Que põe um homem de molho.

- Eu finjo que sou ceginho!
- Eu tenho um g'anda olho...
 
  Olho Vivo!

- Zé d'Olhão!

Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:

- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!

  Isto é que vai uma vida
  Cá neste meu Portugal!
  Uns a dizer que 'tá bem
  E eu me'mo a ver que 'tá mal!

- Eu não sou de mandar vir
  Mandar a bronca não escolho!
  Mas há coisas a pedir
  Um granda soco no olho!

- Ó terra do chico-esperto
  Ó terra do Zé Foguetes
  Que está sempre de olho aberto
  Mas enfia os seus barretes!

- Há muitos oportunistas
  A ver s'a coisa s'ajeita
  Por um olho olham para a esquerda
  Pelo outro olham p'á direita!

  Olho vivo!

- Zé d'Olhão!

Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:

- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!

  As crises neste país
  São semp'a me'ma receita!
  Ora são fúrias da esquerda
  Ora ataques da direita!

- Um homem não é de ferro
  E as crises não são de bronze!
  O país é com'ós bêbados
  Está entre as dez e as onze!

- A época espacial
  Finalmente 'tá a surgir
  Nas terras de Portugal
  Onde 'tá tudo a subir!

- Olha p'ó custo de vida
  Sei eu e sabes tu!
  'té parece um foguetão
  Que leva fogo no cu!

  Olho vivo!

- Zé d'Olhão!

Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:

- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!

  C'os cintos de segurança
  Nos carros nada sacode!
  É mais um cinto à'pertar
  A barriga do pagode!

- Os cravos da revolução
  'tamos a pagar com juro!
  Pois o cinto português
  Já vai no último furo!

- Ó terra de boa gente,
  Ó terra dos meus amores
  Tudo quer independência
  'té a Madeira e os Açores!

- Se a coisa assim continua
  'tá-se a ver que qualquer dia
  'té damos a independência
  Ao Barreiro e a Leiria!

Esta vida é um fadinho
Que põe um homem de molho.

- Eu finjo que sou ceginho!
- Eu tenho um g'anda olho...
 
  Olho Vivo!

- Zé d'Olhão!

Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:

- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!

terça-feira, agosto 17, 2010

Mariza

Vamos começar por descrever as minhas férias do fim para o princípio (já não é necessário explicar porque é que não actualizo o meu blog há 15 dias).

Neste primeiro post, dou conta da última actividade oficial das minhas férias: assistir ao espectáculo de Mariza e Tito Paris em Ponte de Lima.


Chegámos ao recinto da Expolima cerca de uma hora antes do início do espectáculo, o que nos permitiu obter um lugar perto do palco. O evento era ao ar livre e as cadeiras, embora de plástico, eram confortáveis. O palco estava decorado com tiras de pano colocadas segundo a vertical. O jogo de luzes encarregava-se de transformar aquelas tiras de pano em jogos de cores, formas e volumes. Não foi preciso mais. O que importava mesmo eram as vozes dos artistas.

Vinte minutos depois da hora marcada no bilhete surgem os músicos e, finalmente, Mariza pisa o palco em Ponte de Lima.

Há cerca de dois meses tive oportunidade de ver na televisão um espectáculo de Mariza e Paulo Gonzo, o que me proporcionou um termo de comparação para este espectáculo. Mariza é uma excelente cantora. Não me parece que improvise enquanto canta. Deve ensaiar até à exaustão cada nota de música para que nada falhe. Afinal de contas, é uma das grandes fadistas portuguesas e há uma reputação a manter. O que varia é a sua interacção com o público que, diga-se desde já, não podia ser melhor. Provoca, anima, confronta e graceja, dependendo muito da reacção que o público vai tendo durante a actuação. Nesta actuação em particular, a reacção do público foi, no início, de veneração pela diva e, no fim, de total euforia. A veneração sentia-se pelos silêncios na música que faziam eco entre os espectadores. A euforia manifestou-se pelas danças improvisadas entre a plateia, os braços no ar e as palmas. Já que falo de público, devo também elogiá-lo, uma vez que nunca vi um público tão afinado a cantar e com tanta noção de ritmo a bater palmas.

Tito Paris não podia ser mais diferente de Mariza em todos os aspectos. E deve ser por isso que resultam tão bem enquanto dupla em palco. Tito Paris trabalha mais "solto", mais no improviso... mas tudo com bastante profissionalismo. Os ritmos de Cabo Verde contagiaram o público que delirou quando Mariza e Tito Paris deram uns passinhos de dança.

A amplificação sonora estava q. b. e a qualidade sonora estava acima de qualquer crítica. Para além de Mariza e Tito Paris, saliento também a intervenção do percussionista, que nos brindou com alguns solos estrondosos.

Como conclusão, foi um final de noite bem passado, junto de músicos que elevam bem alto a fasquia da qualidade da música portuguesa e cabo-verdiana.

segunda-feira, julho 19, 2010

What Makes Them Click?

Acabei de (re)ler este fim-de-semana o livro de Susan Weinschenk (aka Brain Lady) "Neuro Web Design - What Makes Them Click?".


É um livro bastante interessante, na medida em que enquadra o design de sites para a Web tendo em conta a forma como o nosso cérebro funciona. Isto traduz-se em sites mais persuasivos.

Embora o ênfase seja dado a sites comerciais, as linhas orientadoras podem ser aplicadas a outro tipo de situações, incluindo aquelas que, para mim, são mais interessante: sites institucionais ligados à educação universitária.

É um livro que se lê com facilidade, cheio de exemplos práticos e de ideias que podem ser utilizadas de imediato. A perspectiva psicológica sobre a mente humana, principalmente ao nível do sub-consciente, dá-nos uma visão mais profunda sob a forma como nós, os humanos, somos atraídos pelos conteúdos da Web. Ensina-nos a lidar com o sub-consciente e quais as zonas do cérebro que devemos estimular para tornarmos o nosso site mais efectivo e apelativo.

Uma leitura a não perder por todos aqueles que se interessam pela Acessibilidade e Usabilidade Web.

sexta-feira, julho 09, 2010

Os Teóricos Falhados

Hoje passei em frente da livraria da Porto Editora situada na Praça Dona Filipa de Lencastre e deparei-me com um livro da ex-Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, intitulado: "A Escola Pública Pode Fazer a Diferença". Estava com 10% de desconto. Custava €20.19 e custa agora €18.18. Foi lançado há pouco tempo.

Vamos lá a ver... um livro lançado há pouco tempo e já com desconto... hum... se calhar não tem as vendas que era suposto ter. Isto pode ser um palpite maluco, mas para conseguirem vender algum livro, têm de colocar aquilo ao desbarato.

Maria de Lurdes Rodrigues faz parte do rol de pessoas que teoriza muito sobre um determinado assunto mas, quando tem oportunidade de colocar as mãos na massa e passar da teoria à prática, não consegue fazer nada que jeito tenha. O mais interessante é que existem logo legiões de pessoas a prestarem vassalagem às suas ideias, ignorando, porventura, que mais importante do que DIZER é FAZER.

Sem pensar muito, lembro-me de outros teóricos falhados como Mário Soares e Marcelo Rebelo de Sousa. A sorte de todos eles é que o povo tem memória curta.

sexta-feira, julho 02, 2010

Get Lucky

Para quem não sabe, este é o título do último álbum de Mark Knopfler... o meu guru da guitarra (eléctrica ou acústica).

Neste post vou tentar fazer uma crítica a cada uma das músicas que compõem este "Get Lucky".

Para além das influências da própria vivência de Mark Knopfler, notam-se alguns contornos de cariz mais histórico neste álbum.


Border Reiver


Border Reivers foram saqueadores que actuavam ao longo da fronteira anglo-escocesa entre os séculos XIII e XVI. Entre eles estavam escoceses e ingleses. Percorriam toda a fronteira e não tinham em linha de conta a nacionalidade das suas vítimas. Tiveram o seu auge nos últimos cem anos da sua existência, durante a dinastia Tudor, na Inglaterra.

Álbion (Ἀλβιών), palavra hoje em dia somente utilizada na literatura, é o nome celta ou pré-celta da Inglaterra. Na sua origem estaria o facto das suas falésias serem brancas, ou a Albion, filho de Neptuno.

Nesta música existe ainda uma faceta autobiográfica de Mark Knopfler, mais concretamente dos tempos em que apanhava boleia de camionistas para as suas deslocações.

A introdução melodiosa da flauta transversal dá o tom para todo o álbum. Vê-se claramente mais um regresso de Mark Knopfler às origens celtas. Não se deixe enganar pela calma relaxante da introdução. Segue-se um ritmo bem compassado que nos faz querer dançar em volta de uma fogueira. Os instrumentos acústicos estão em predominância e assim continuarão pelo resto do álbum.

Southern bound from Glasgow town
she's shining in the sun
my Scotstoun lassie
on a border run
We're whistling down the hillsides
and tearing up the climbs
I'm just a thiever stealing time
in the Border Reiver

Three hundred thousand on the clock
and plenty more to go
Crash box and lever
- she needs the heel and toe
She's not too cold in winter
but she cooks me in the heat
I'm a six-foot driver but you can't adjust the seat
in the Border Reiver

'Sure as the Sunrise'
that's what they say about the Albion
'Sure as the Sunrise', that's what they say
about the Albion and she's an Albion
She's an Albion

The Ministry don't worry me
my paperwork's alright
They can't touch me
I got my sleep last night
It's knocking out a living wage
in 1969
I'm just a thiever stealing time
in the Border Reiver

Hard Shoulder

Às vezes temos de chorar no ombro de alguém... este pensamento é transmitido pelo compasso que nos induz num estado "saudosista". O pior é quando o ombro em que queremos chorar é demasiado duro. Um bom slow para se dançar acompanhado.

I've got latches for windows, handles for doors
Grinders and scrapers and sanders for floors
Rake for the gravel, chains for the snow
Always got the shovel - you never know
I never thought you'd go

Man's broken down
Man's broken down on the slip road
Got a slipped load
And it's a hard shoulder to cry on

Hacksaws and hammers, brushes and mop
Then I've got the ladders up on the top
If something needs doing, I always say
You want it done the proper way
I need you to stay

Give me a minute we'll be going again
Sound as a pound, right as rain
- right as rain
And it's a hard shoulder to cry on
- to cry on

You Can't Beat The House

O ritmo faz lembrar as músicas do álbum "Wag the Dog". Tanto a letra como a melodia remetem-nos para os antigos Western Saloons. O piano, para além da guitarra de Mark Knopfler, é o instrumento predominante.

You can't fool a fooler
I can tell
when a john got jazzed
by a jezebel

You can't beat the house
You can't beat the house
Tell the man somebody
You can't beat the house

When these horn dogs
get lucky with dough
they'll blow it on the roosters
and the girls of Smokey Row

You want to buy you a dance
don't buy it in here
It's all skin games and jelly roll
red-eye and beer
They're all as mean as rat snakes
all got knives in their boots
Even the piano player, man,
he don't care who he shoots

See that little homewrecker
in the backroom
She'll pick your pocket
with her pet raccoon

Before Gas and TV

Mais uma letra e música saudosista, que apela aos tempos inocentes em que a ausência de "modernices" nos faziam viver os momentos simples com maior intensidade.

Before gas and TV
before people had cars
we'd sit round the fires
pass around a guitar
remembering songs
When my daddy was home
he'd play along
on the spoons and a comb

We'd go with the flow
When the weather was fine
sometimes we'd go
collecting scrap iron
Then we'd sit round the fires
pass a bottle of wine
and the tales of the road
since time out of mind

If heaven's like this
well, that's okay with me
where the living is fine
and living is free
If heaven's like this
well, then here's where I'll be
on the edge of the field
on the edge of the world
before gas and TV

Monteleone

Existe uma tradição na cidade de Nova Iorque que consiste na criação artesanal de guitarras por parte de descendentes de italianos. Um desses artesãos chama-se John Monteleone. Mark conheceu este artesão e, segundo o seu relato, foi como ter conhecido Antonio Stradivari (o famoso construtor de violinos). John Monteleone disse-lhe esta frase acerca da sua arte: "Os cinzéis chamam-me! Está na altura de fazer serrim!" (The chisels are calling, it's time to make sawdust). Mark apercebeu-se que John Monteleone sentia necessidade de trabalhar na sua arte. E isso foi inspirador ao ponto de Mark fazer uma música de propósito para este artista.

Uma boa introdução com acompanhamento clássico. Segue o traço "chill out" deste álbum e leva-nos pé ante pé a caminho dos nossos sonhos.

The chisels are calling
It's time to make sawdust
Steely reminders of things left to do
Monteleone, a mandolin's waiting for you

My finger planes working
Gentle persuasion
I bend to the wood and I coax it to sing
Monteleone, your new one and only will ring

The rain on the window, the snow on the gravel
the seasons go by to the songs in the wood
Too quick or too careless it all could unravel
It so easily could

The chisels are calling
It's back for an encore
Back to the shavings that cover the floor
Monteleone, they're calling for more
Monteleone, they're calling for more

Cleaning My Gun

Uma música folk/country mais ao estilo de álbuns anteriores, como "Sailing to Philadelphia" ou "The Ragpicker's Dream". Uma guitarra sabiamente distorcida é a linha melódica dominante ao longo desta faixa.

I keep a weather eye on the horizon, my back to the wall
I like to know who's coming through the door, that's all
It's the old army training kicking in
I'm not complaining, it's the world we live in

Blarney and Malarkey, they're a devious firm
They'll take you to the cleaners or let you burn
The help is breaking dishes in the kitchen - thanks a lot
We hired the worst dishwasher this place ever got
Come in below the radar, they want to spoil our fun
In the meantime I'm cleaning my gun

Remember it got so cold ice froze up the tank
We lit a fire beneath her just so she would crank
I keep a weather eye on the horizon, tap the stormglass now and then
I've got a case of Old Damnation for when you get here, my friend
We can have ourselves a party before they come
In the meantime I'm cleaning my gun

We had women and a mirror ball, we had a dee jay
used to eat pretty much all that came his way
Ever since the goons came in and took apart the place
I keep a tyre iron in the corner, just in case

I gave you a magic bullet on a little chain
to keep you safe from the chilly winds and out of the rain
We're gonna might need bullets should we get stuck
Any which way, we're going to need a little luck
You can still get gas in Heaven, and a drink in Kingdom Come
In the meantime I'm cleaning my gun

The Car Was The One

Alguns apontamentos clássicos embalam o ouvinte ao longo da música. E embalar é o termo para descrever o espírito geral da composição.

In summer '63 I was staying alive
hanging at the races, hoping to drive
When they were done with the weekend and loading the cars
I couldn't get a pass so I went to the bar

I'm up in the corner nursing a beer
who should come laughing and joking in here
but Bobby Brown, the winner of the sports car race
with some friends and a girl, man, she lit up the place

Bobby was a wild boy - one summer
he knocked down a motel wall with a hammer
He'd do anything - one night for a bet
he raced through the cornfields in a Corvette

I thought it's got to be a thrill to be like that
with the beautiful girl and be king of the track
But the truth is when all was said and done
it was his Cobra I wanted - the car was the one
It was his Cobra I wanted - the car was the one
The car was the one - the car was the one

Remembrance Day

Um apontamento original para Mark Knopfler: um coro de crianças participa nesta faixa. O "Remembrance Day" é um feriado da Commonwealth (11 de Novembro) para comemorar os sacrifícios efectuados por membros das forças armadas e civis em tempos de guerra.

On your maypole green
see the winding morris men
Angry Alfie, Bill and Ken
waving hankies, sticks and boots
- all the earth and roots

Standing at the crease
the batsman takes a look around
The boys are fielding on home ground
The steeple sharp against the blue
- when I think of you

Sam and Andy, Jack and John
Charlie, Martin, Jamie, Ron
Harry, Stephen, Will and Don
Matthew, Michael - on and on

We will remember them
remember them, remember them
We will remember them
remember them, remember them

Time has slipped away
The summer sky to autumn yields
A haze of smoke across the fields
Let's up and fight another round
and walk the stubbled ground

When November brings
the poppies on Remembrance Day
when the vicar comes to say
'May God bless them, every one
Lest we forget our sons'

Get Lucky

As personagens que Mark Knopfler inventa são, por vezes, terra a terra. Não sei se foi a crise que o inspirou, mas Mark Knopfler fala de alguém que vagueia pelo mundo sem rumo certo, executando vários tipos de trabalho que apenas lhe dão o dinheiro suficiente para ir vivendo. No entanto, a alegria de viver consegue-se na esperança de que um dia talvez tenhamos sorte, principalmente se aproveitarmos as oportunidades que a vida nos dá. A flauta transversal é o instrumento principal, criando uma atmosfera bucólica, indispensável a todo o enquadramento musical.

I'm better with my muscles
than I am with my mouth
I'll work the fairgrounds in the summer
or go pick fruit down south
And when I feel them chilly winds
where the weather goes I'll follow
Pack up my travelling things
go with the swallows
And I might get lucky now and then - you win some
I might get lucky now and then - you win some

I wake up every morning
keep an eye on what I spent
Got to think about eating
got to think about paying the rent
I always think it's funny -
gets me every time
The one about happiness and money -
tell it to the bread line
But you might get lucky now and then - you win some
You might get lucky now and then - yeah, you win some

Now I'm rambling through this meadow
happy as a man can be
Think I'll just lay me down
under this old tree
On and on we go
through this old world a' shuffling
If you've got a truffle dog
you can go truffling
And you might get lucky now and then - you win some
You might get lucky now and then - yeah, you win some

So Far From the Clyde

A letra é algo negra e a música fez-me, estranhamente, recordar Nick Cave & The Bad Seeds, num dueto com Kylie Minogue: "Where The Wild Roses Grow".

They had a last supper
the day of the beaching
She's a dead ship sailing
- skeleton crew
The galley is empty
the stove pots are cooling
with what's left of a stew

Her time is approaching
The captain moves over
The hangman steps in
to do what he's paid for
With the wind and the tide
she goes proud ahead steaming
and he drives her hard into the shore

so far from the Clyde
together we'd ride
we did ride

As if to a wave
from her bows to her rudder
bravely she rises
to meet with the land
Under their feet
they all feel her keel shudder
A shallow sea washes their hands

Later the captain
shakes hands with the hangman
and climbs slowly down
to the oily wet ground
Goes bowed to the car
that has come here to take him
through the graveyard and back to the town

They pull out her cables
and hack off her hatches
Too poor to be wasteful
with pity or time
They swarm on her carcass
with torches and axes
Like a whale on the bloody shoreline

Stripped of her pillars
her stays and her stanchions
When there's only her bones
on the wet, poisoned land
steel ropes will drag her
with winches and engines
‘til there's only a stain on the sand

Piper To The End

Mais uma canção nostálgica para encerrar este disco. Foi composta a pensar num tio de Mark, tocador de gaita de foles do primeiro batalhão do Royal Highland Regiment. Morreu em terreno de combate, durante a segunda guerra mundial, acompanhado da sua gaita de foles.

When I leave this world behind me
to another I will go
And if there are no pipes in heaven
I'll be going down below
If friends in time be severed
someday we will meet again
I'll return to leave you never
be a piper to the end

This has been a day to die for
Now the day is almost done
Up above, a quiet seabird
turns to face the setting sun
Now the evening dove is calling
and all the hills are burning red
And before the night comes falling
clouds are lined with golden thread

We watched the fires together
shared our quarters for a while
walked the dusty roads together
came so many miles

This has been a day to die on
Now the day is almost done
Here the pipes will lay beside me
silent with the battle drum
If friends in time be severed
someday we will meet again
I'll return to leave you never
be a piper to the end

quarta-feira, junho 16, 2010

Festival Eurovisão da Canção 2010

Já é uma tradição eu comentar este evento (e aproveito para enviar posts que já devia ter enviado previamente).

Mais uma vez, ganhou quem eu menos esperava, até porque acho que a música e a intérprete em questão não valiam a ponta de um chaveiro. Mas, enfim... como estamos a depositar as nossas esperanças de salvação da recessão económica na Alemanha, é perfeitamente plausível que este voto em massa na canção (?) Alemã tenha sido um docinho de incentivo à liderança da economia europeia.

E agora, uma mostra das minhas músicas predilectas. Desta vez, infelizmente, não inclui a música portuguesa. A intérprete tinha uma voz excelente mas a música não é talhada para um Festival da Canção.

Dinamarca - "In a Moment Like This"

Tem tudo o que é necessário para vencer: um dueto, uma música poderosa, entra facilmente no ouvido e uma encenação em palco cuidada.

For as long as I remember, for as long as I’ve been blue
Everyday since we’ve been parted all I’ve thought about was you
Didn’t need the time for sorrow, didn’t need the time for pain
What am I supposed to do when living without you was the worst I ever knew?

In a moment like this
I wanna know, wanna know, wanna know what you’re looking for
I wanna know, wanna know, wanna know if you’ll ask for more
Oh, in a moment like this

I wanna know, wanna know, wanna know what I have to do
I wanna know, wanna know, wanna know how to get to you
Oh, in a moment like this

Ever since the day you left me, ever since you went away
I’m lost and I don’t know where am I supposed to go, I still miss you so

When I need for you hold me, say you’ll love and never leave me
My heart will forever be true

Armenia - "Apricot Stone"

A GRANDE beleza de Eva Rivas trouxe-nos esta música com um toque de folclore arménio, uma coreografia interessante e alguns efeitos especiais em palco.

Many, many years ago,
When I was a little child,
Mama told me you should know,
Our world is cruel and wild,
But to make your way through cold and heat
Love is all that you need

I believed her every word,
More than anything I heard
But I was too scared to lose my fun
I began to cry a lot
And she gave me apricots
Kisses of the earth, fruits of the sun

Apricot stone,
Hidden in my hand
Given back to me
From the motherland
Apricot stone,
I will drop it down
In the frozen ground
I’ll just let it make its round

Now I see the northern stars
Shining brightly in the storm
And I’ve got an avatar
Of my love to keep me warm
Now I’m not afraid of violent winds
They may blow
They can’t win

May the winter stay away
From my harvest night and day
May God bless and keep my cherished fruit
Grow my tree up to the sky,
Once I waved my home goodbye
I just wanna go back to my roots

Grécia - "Ωπα!"

Folclore grego com novas roupagens e o orgulho em cantar na sua língua natal (coisa cada vez mais rara no Festival), aliam-se à energia que a música transmite e fazem deste "Opa!" uma escapatória ao período difícil que a Grécia vive actualmente.

Ωπα, ωπα!

Έκαψα το χθες, νύχτες μου παλιές,
θρύψαλα οι αναμνήσεις έγιναν κι αυτές
Μνήμες και φωνές άδικες ευχές
κι άφησα σε μια γωνία ανοιχτές πληγές

Έκαψα το χθες νύχτες μου παλιές
όνειρα και εφιάλτες ρίχνω στις φωτιές
Δάκρυα καυτά ψέμματα πολλά
μοιάζουν σα βουβή ταινία που δεν βλέπω πια

Ωπα!

Βάζω μια φωτιά
σ’όλα τα παλιά
όλα θα τ’αλλάξω
και θα το φωνάξω
περασμένα ξεχασμένα κι όλα απ’την αρχή ξαν

Έκαψα το χθες, νύχτες μου παλιές,
κι από το μηδέν αρχίζω όσο κι αν δε θες
Δάκρυα καυτά ψέμματα πολλά
πλήρωσα όσο χρωστούσα και τα δανεικά

Islândia - "Je Ne Sais Quoi"

Numa frase: "Os Santamaria da Islândia". A vocalista tem uma voz potente, que assenta perfeitamente neste estilo de música. A mistura de inglês e francês resultou bastante bem (mas não é original... Mark Knopfler já o havia feito em "Je suis désolé", entre, certamente, muitos outros)

I am standing strong,

I’ve overcome the sadness in my life
Now I look up and see the brightest sky above me
And it’s reflecting in your eyes

Je ne sais quoi,
I know you have a special something
Je ne sais quoi,
something I just can’t explain
And when I see your face,
I wanna follow my emotions
Je ne sais pas pourquoi

When the clouds are gone
the stars come out around us, shining
And all that we see is the love,
our hearts aligned together
Tell me, do you feel the same?

I just love this crazy feeling
It’s like I’ve known you all my life
Je ne sais quoi

terça-feira, junho 15, 2010

Variar o ramo de negócio

Existe uma coisa que marcará para todo o sempre este mundial de futebol: a vuvuzela. Aquela espécie de instrumento musical em plástico, feito na China e que adverte para o facto de não ser um brinquedo (não vá haver um processo levantado pelos pais de um miúdo que teve a infeliz sorte de ter um coleguinha que lhe vuvuzelou para os ouvidos, subtraindo-lhe a capacidade auditiva).

Num momento de feliz inspiração (ironia), os criativos da Galp decidiram aliar esta marca de combustíveis à vuvuzela. Esta ligação não é desprovida de fundamento. Trata-se de variar o ramo de negócio. Além da poluição química dos combustíveis, existe agora a poluição sonora das vuvuzelas.

Para mim, o futebol passou a ser ainda mais insuportável.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

2012

Foi o meu amigo P. S. que me "pediu" para fazer uma crítica ao filme que fomos ver ao cinema. E o truque é esse: ir ver ao cinema. Assim, conseguiremos aproveitar todo o impacto dos efeitos especiais e da envolvência que apenas uma sala de cinema pode proporcionar.

O filme está bem feito. Sabe intercalar momentos de acção com momentos de humor que ajudam a manter o espectador agarrado à estória. Os efeitos especiais são simplesmente arrasadores, ao ponto de ser difícil separar os gráficos gerados por computador da realidade.

Pelo lado negativo, saliento a previsibilidade do desenrolar do filme e alguns chavões cinematográficos.

Não é um prodígio da sétima arte mas entretém.

Festival Eurovisão da Canção 2018

Como é tradição, aqui vai a minha apreciação do Festival da Eurovisão deste ano. E o vencedor é... ...novamente Salvador Sobral! Sim. ...