sexta-feira, setembro 29, 2006

Jose Merce

Quem me conhece, sabe que escolhi o pseudónimo "El Gitano" por dois motivos simples:

  • Adoro música cigana, que vai buscar muita da sua sonoridade ao Flamenco (outra paixão minha);
  • Encanta-me a visão romântica sobre o estilo de vida cigano: um povo nómada, sem fronteiras, entregue de corpo e alma à música e à alegria, mantendo um espírito puro.

No flamenco, um dos nomes incontornáveis é o de Jose Merce. Para que entrem um pouco neste espírito gitano, deixo-vos a música "Te Pintaré".

Te pintaré de azul, te pintaré de rosa,
te llevaré a París, eres la más hermosa.
Te pintaré de gris, te pintaré de cielo,
te llevaré a mi mar, yo soy tu marinero.

Toda la noche entre sombras buscando tu imagen, tu cara feliz.
Toda la noche llorando, manchando el viento por ti.
Toda la noche llorando, maldito el momento y en que te perdí.

Y en el silencio de los silencios, la espada que corta el toro,
[ caballo de esparto y oro.
En la vergüenza de la vergüenza, los gritos de un negro toro,
[ lamentos de grito y lloro.

Llévame una tarde al sur, a mi Málaga vieja.
Vamos a bailar tú y yo que hoy es un día de fiesta.
Yo seré siempre del sur, yo seré siempre del sur,
yo seré siempre del sur...y aunque no esté en mi tierra.

O Principezinho

Numa das últimas incursões à Bertrand, não resisti e trouxe "O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry.


Logo nas primeiras páginas, houve algo que me fez pensar.

O autor diz que as pessoas grandes têm a mania dos números. Se dissermos às pessoas grandes: "Hoje vi uma casa com umas varandas muito bonitas, ladeadas por flores trepadeiras e portas de madeira escura", elas ficam quase na mesma. Mas se lhes dissermos: "Hoje vi uma casa de €250.000"! A coisa muda logo de figura... diriam qualquer coisa como: "Ah! Devia ser uma grande casa"! E isto aplica-se aos mais variados assuntos. As perguntas que as pessoas grandes mais gostam são: "Quantos anos tens"? "Quanto ganhas"? "Quantos filhos tens"? "Há quanto tempo estão casados"? Tudo coisas que envolvam números.

Mesmo para mim que não morro de amores por matemática... dá que pensar.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Fiu-Fiu

Um dos hábitos que tenho desde tenra idade é desenhar. Quando arrumei o meu sótão, descobri montanhas de cadernos onde fazia os meus rabiscos. Folhas todas preenchidas. Um treinamento de anos, que começou a dar os seus frutos na escola primária. A Dona Edite adorava os meus desenhos! E eu, todo contente, adorava ilustrar as minhas redacções.

Já na Preparatória, fui o menino bonito da professora de Educação Visual. Na primeira aula disse-nos para fazermos um desenho que nos identificasse, na capa onde guardaríamos os desenhos ao longo do ano. Fiz um leão. Que convencido! Mas ela adorou o meu leão e todos os outros desenhos que fiz. Eu adorei os cincos que me dava!

Na secundária, o bichinho do desenho cresceu ainda mais. Escolhi a área E - Artes Visuais. No 12º ano desenvolvi a técnica de desenhar, verdadeiramente. Ao concorrer ao ensino universitário, lá puz "Design e Artes Gráficas" na Escola de Belas Artes do Porto, mas em último lugar... isto porque me convenceram que com esse curso, passaria a vida a desenhar nos passeios da Rua de Santa Catarina. Talvez não tivesse sido assim.

Quando entrei para Engenharia Mecânica, encontrei um colega na rua que tinha estudado comigo no 12º ano e que me perguntou:

- Então? Entraste em Belas Artes?
- Não. Coloquei Engenharia em primeiro lugar. Mas teria entrado! Tirei 85% na prova de desenho.
- Olha... eu não consegui entrar em Belas Artes... Deus dá pérolas a porcos!

Fiquei a olhar para ele... e nestes anos todos, de vez em quando, fico a pensar se não estarei de facto a desprezar algumas pérolas.

Os meus cadernos estão muitas vezes desenhados... ainda hoje, o desenho é uma escapatória para mim.

Prometo publicar aqui algumas das minhas pérolas em bruto.

Para já, apresento-vos o Fiu-Fiu. Desenhado a lápis, com acabamentos no Photoshop.


quarta-feira, setembro 13, 2006

A Guerra do Fogo

Há filmes que nos marcam... e A Guerra do Fogo de Jean-Jacques Annaud foi sem dúvida um deles!

Aliás, e antes de continuar este post, cheguei à conclusão de que gosto particularmente de dois realizadores, quando me apercebi que eram eles quem tinham realizado alguns dos meus filmes preferidos. Estes realizadores são:

  • Jean-Jacques Annaud - realizou "A Guerra do Fogo" e "O Nome da Rosa";
  • Ridley Scott - realizou "Alien o 8º Passageiro", "Blade Runner", "1492 - A Conquista do Paraíso" e "Gladiador".

Os filmes que mencionei encaixam-se na minha categoria "MUST HAVE" e portanto, foi com espanto que vi "A Guerra do Fogo" à venda na FNAC. E não resisti.

Há filmes que causam uma mítica quando os vemos pela primeira vez, mas quando os revisitamos, essa mítica esfuma-se. Não foi o caso de "A Guerra do Fogo".

Trata-se de um filme sobre uma tribo de seres humanos pré-históricos que ainda não sabem produzir fogo, mas que estão totalmente dependentes deste para se aquecerem, cozinharem os alimentos e afugentar os animais selvagens. Só o conseguem obter quando este surge no estado natural e protegem-no religiosamente dentro de uma campânula.

A dada altura a chama, que é tão cuidadosamente guardada, apaga-se. A tribo elege três dos seus membros para partirem em busca do precioso fogo. O filme conta a aventura desses três homens: as peripécias e o encontro com outras tribos de homens, umas mais sofisticadas e outras menos. Os três homens acabam por descobrir outras tradições... e mesmo a arte de "fazer" fogo.

É evidente que temos de desculpar alguns efeitos especiais, e um ou outro pormenor de caracterização.

Por outro lado, o filme consegue transmitir toda a estória sem recurso a muitas verbalizações (como seria próprio daquele tempo), de tal forma, que não existem legendas.

É, no fundo, um filme sobre a descoberta do homem, pelo próprio homem: os primeiros risos, os primeiros olhares sobre outros usos e costumes, outras formas de amar e ser amado. Tudo contado magistralmente e com uma envolvente paisagística que nos transporta efectivamente a uma época que sabemos ter existido e da qual guardamos memórias ancestrais.

A não perder.



segunda-feira, setembro 04, 2006

Amor na Lota do Peixe - Capítulo V

"Este capítulo é dedicado ao FJ, que esperou pacientemente pelo seu lançamento".

Ouviram-se "Ohs" de todos os lados.

- Então o meu pai é Joselino Narigangas, distinto Presidente da Junta de Freguesia de Vila Marmota? - choramingou Zé Bigodes.

- Então este candidato a candeeiro de mesinha-de-cabeceira é o meu filho bastardo? Eu que tentei ocultar este pecado durante tanto tempo, agora aparece-me a rebrilhar no escuro! - constatou friamente Joselino Narigangas.

- Vê, pai meu, como o Zé Bigodes não é filho de nenhuma galinha de aviário? - ripostou Olívia Manca.

- Como podes garantir isso, filha minha? Apenas sabemos que ele é filho do Presidente da Junta! Falta agora saber as preferências sexuais do nosso insigne doutor Joselino Narigangas!

Joselino Narigangas não acreditava nos seus ouvidos, que ditavam ao cérebro tudo quanto assimilavam, vai para cinquenta anos. Apontando para Francisco Panças, fez saber:

- Como se atreve a dizer que eu sou um galinhófilo? Para que saibam, sou heterosexual e não admito que ponham em causa a minha masculinidade!

A velhota que havia dado génese a todos estes atritos, era a dona Miquelina Zarolha, mulher-a-dias aposentada, com a provecta idade de cento e trinta e dois anos. Esticando o pescoço para parecer mais alta, explicou:

- Estes olhos já viram muita coisa! Joselino Narigangas, na sua juventude, era um autêntico Don Juan. Não havia catraia que resistisse ao seu nariz afilado. Quiz o cupido que ele se enamorasse por Sezaltina Buços, criada-de-servir na quinta da família Narigangas. Do seu amor secreto, nasceu este rebento luminoso, o espadaúdo Zé Bigodes, que é as ventas chapadas da sua mãe. A família Narigangas não podia admitir esta relação entre elementos de classes sociais tão distintas! Pagou uma soma abismal para que Sezaltina Buços abalasse para a América e se esquecesse que tinha tido um caso com Joselino Narigangas. Entregaram o bébé do pecado para adopção e este teve a sorte de calhar com um pai extremoso, o senhor Florindo Lambreta. Os pais de Joselino fizeram com que ele tivesse poucos contactos com o seu filho bastardo! Ele deve estar tão surpreso quanto vocês todos!

Joselino Narigangas chorou copiosamente.

- Porquê a mim? Porque é que não posso ter um filho normalzinho, com índices normais de radioactividade? Agora o que é que eu faço com este mutante, produto duma sociedade industrializada de leste?

Zé Bigodes lançou mais uma acha para a fogueira:

- E eu? Não sou perdido nem achado neste assunto?

Festival Eurovisão da Canção 2017

Desta vez é um comentário a posteriori , até porque assim se torna mais fácil fazer prognósticos. Comecemos pelo concurso interno portuguê...