quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Acessibilidade dos PDF

Ontem estive numa reunião onde, entre outras coisas, se falou na acessibilidade de documentos no formato PDF. Se virmos bem, a maior parte dos sítios Web, para além das páginas HTML, terá também bastantes PDF. Isto é ainda mais verdade dentro do contexto a que estou habituado a trabalhar: sítios Web de Instituições de Ensino Superior. Por este motivo, é de extrema importância que os produtores de informação criem PDF acessíveis. A W3C produziu um documento ainda em rascunho mas que pode ajudar nesta tarefa denominado "PDF Techniques for Web Content Accessibility Guidelines 1.0 and 2.0".

Apresento agora a minha tradução para esta lista de verificação.

1ª Linha de orientação WCAG: Apresentação

Verificação 1: Assegurar que o texto do documento é acessível
  • Verificação 1.1: Apresentar os carateres e as palavras na ordem de leitura dentro da página
  • Verificação 1.2: Separar explicitamente as palavras com carateres de espaço
  • Verificação 1.3: Usar convenientemente a hifenização (se a palavra "cor-de-rosa" for hifenizada na última sílaba ("cor-de-ro-sa"), o último hífen deverá ser um caráter Unicode com o valor U+00AD ou o decimal 173, ou seja, só deverá aparecer quando a palavra tiver de ser quebrada no fim de uma linha; os dois primeiros terão sempre de aparecer)
  • Verificação 1.4: Usar o atributo ActualText (quando, por exemplo, a primeira letra de um parágrafo é um gráfico, como acontece muitas vezes nas iluminuras, deverá haver sempre um equivalente textual)
  • Verificação 1.5: Assegurar que todos os códigos de carateres utilizados se convertem convenientemente em Unicode (os carateres Unicode são um padrão não proprietário aceite internacionalmente)
Verificação 2: Providenciar alternativas textuais para imagens e gráficos

Verificação 3: Providenciar agrupamento estrutural
  • Verificação 3.1: Providenciar uma estrutura lógica
  • Verificação 3.2: Marcar os artefactos no conteúdo com /Artifact (exemplos de artefactos: margens de corte, nome do ficheiro que contém o documento, paginações, linhas por cima das notas de rodapé, etc.; isto é para que os utilizadores controlem como e quando devem ser incluídos no documento)
Verificação 4: Desenhar para o controlo personalizado da cor e do contraste
  • Verificação 4.1: Evitar desenhar retângulos atrás do texto que não sejam elementos do fundo da página
  • Verificação 4.2: Não deve ser colocado texto por cima das imagens
  • Verificação 4.3: Evitar o uso da cor como único meio de transmitir informação

Verificação 5: Identificar a linguagem natural de todo o texto no documento
  • Verificação 5.1: Identificar a linguagem primária do documento
  • Verificação 5.2: Identificar quando a linguagem muda na página
2ª Linha de orientação WCAG: Interação

Verificação 6: Navegação dentro do documento
  • Verificação 6.1: Utilizar marcações para providenciar auxílio à navegação no documento
  • Verificação 6.2: Usar ligações no documento
  • Verificação 6.3: Se a ligação em si não descrever o destino de forma clara e precisa, providenciar um atributo Alt
  • Verificação 6.4: Providenciar um nome claro e descritivo para todos os campos de formulários
3ª Linha de orientação WCAG: Compreensão

Verificação 7: Providenciar as expansões dos acrónimos e das abreviaturas

4ª Linha de orientação WCAG: Considerações tecnológicas 

Verificação 8: Fazer com que as proteções do documento permitam o acesso (permitir que os conteúdos possam ser acedidos por aplicações de suporte, como os leitores de ecrã).

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Acessibilidade e Usabilidade Física

A acessibilidade e usabilidade Web só faz sentido se os utilizadores com necessidades específicas puderem fisicamente aceder e usar os computadores. Se por vezes é difícil, por questões monetárias, possuir em casa o equipamento necessário, será uma expectativa válida que, nas instituições públicas, esses equipamentos estejam disponíveis. No que concerne a estabelecimentos de ensino públicos, foi feito algum investimento nas escolas básicas e secundárias para acolherem estudantes com necessidades educativas especiais. Ao nível do ensino superior ainda há bastante trabalho a ser feito. No entanto, é um trabalho necessário já que não devem ser as condições de estudo a limitar de alguma forma a progressão académica deste tipo de estudantes.

Eu trabalho no Centro de Informática Prof. Correia de Araújo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. No ano de 2010, eu e o meu colega R. T. tivemos a incumbência de montar um posto de computador para utilizadores com necessidades específicas. Começámos por falar com alguns representantes de material informático e logo chegámos à conclusão que não ia ser uma solução barata. Como o orçamento disponível não era muito, tentámos outra via... a do empréstimo. Ao nível central da Universidade do Porto, havia algum equipamento que podia ser cedido e que foi utilizado.

Eis a configuração final disponibilizada aos utilizadores.


Leitores de Ecrã
Destinam-se a converter em texto audível toda a informação apresentada no ecrã.
Amplificadores de Ecrã
Alguns destes programas fazem parte do sistema operativo e têm como função ampliarem os conteúdos do ecrã para que estes possam ser mais facilmente utilizados por pessoas com baixa visão. 
  • Virtual Magnifier
  • Magnifier
Teclado Virtual
Para aqueles utilizadores com dificuldades motoras, pode ser mais fácil utilizar um teclado virtual apresentado no ambiente de trabalho e que possa ser clicado com o rato. Este programa também faz parte do sistema operativo.
  • On-screen Keyboard
Rato Virtual Facial (sem uso de mãos)
Este projeto da Fundação Vodafone Espanha e da Fundação para a Integração de Incapacidades em Rede foi aparentemente descontinuado. No entanto, o programa disponível permite que o utilizador controle o rato com movimentos da cabeça.
Rato Adaptado (track ball)
Já comentei este rato. Este tipo de ratos pode ser utilizado por pessoas com mobilidade reduzida no braço mas que possam fazer movimentos com os dedos. Em teoria possuem uma posição de operação mais confortável do que os ratos normais e, para profissionais, pode ajudar a minimizar lesões provocadas por gestos repetitivos, na medida em que o braço e o punho não são necessários para operá-los.
Linha Braille
Este interface permite que um cego leia o conteúdo do ecrã em Braille.
Câmara Web
A câmara Web, para além de proporcionar o reconhecimento facial, pode ser utilizado por utilizadores surdos para se comunicarem com utilizadores remotos através de linguagem gestual.
Ainda existe um longo caminho a percorrer, mas os primeiros passos é que são importantes, na medida em que despertam consciências.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Um farol ao estilo de Monkey Island 4

Já devo ter referido que nunca fui muito de jogar no computador e que no tempo do meu Timex 2068 preferia passar o tempo a programar do que a jogar. Quando por volta de 1994-95 aderi ao mundo dos PC (pelas mãos de um HP Vectra VL2 4/66), comecei a jogar mais. Em 1998 travei conhecimento com o jogo "Monkey Island 4 - Escape from Monkey Island". Eu já era um verdadeiro aficionado da saga Monkey Island mas o que mais me cativou no Monkey Island 4 foi o grafismo do jogo. A influência foi tal que durante algum tempo desenhei bastantes coisas com luas desproporcionadas e nuvens que faziam lembrar bolos de massa enrolada, tudo conjugado com temas náuticos. Desses desenhos resgatei este que vos apresento que, além da lua desproporcionada e das nuvens enroladas, também tem um farol e um vulcão. Os faróis são, para mim, construções míticas que fazem parte do meu imaginário. Nada melhor - pensava eu quando era pequeno - do que estar num farol, enrolado num cobertor, durante a noite, enquanto as vagas alterosas fustigavam as paredes da edificação e a luz, girando, avisava as embarcações distantes que se aproximavam de terra.

Festival Eurovisão da Canção 2017

Desta vez é um comentário a posteriori , até porque assim se torna mais fácil fazer prognósticos. Comecemos pelo concurso interno portuguê...