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segunda-feira, maio 09, 2016

Filme de Animação Robinson Crusoé 2016

No sábado passado fui ver o filme Robinson Crusoé com o "meu mais velho".



A sinopse é esta:

Numa pequena ilha paradisíaca, Terça-feira, um papagaio bastante divertido vive com um grupo de animais amigos. No entanto, Terça-feira não para de sonhar como será o resto do mundo. 

Depois de uma violenta tempestade, Terça-feira e seus amigos dão de caras com uma criatura estranha: Robinson Crusoé. Terça-feira vê imediatamente em Robinson a certeza de que há um mundo para além da ilha. Da mesma forma, Robinson logo percebe que a chave para sobreviver na ilha é através da ajuda do papagaio e dos outros animais. 

Não é fácil no início, já que os animais não falam "humano", mas lentamente, todos eles começam a viver juntos em harmonia, até ao dia em que a sua vida confortável é posta em causa por dois gatos, também eles náufragos, que desejam assumir o controlo da ilha. 

E no meio da batalha que se segue, Crusoé e os animais seus amigos depressa descobrem o verdadeiro poder da amizade, no meio de todas as adversidades.

É um filme franco-belga que se afigura como uma excelente alternativa ao main stream dos Estados Unidos.

Do ponto de vista técnico a animação é cuidada, com bastante preocupação com os detalhes das texturas e ambientes recriados que enriquecem a qualidade do produto final.

As personagens são bem pensadas, com alguma profundidade de caráter e com papéis bem definidos no desenrolar da estória.

Quanto à estória propriamente dita, peca talvez por não ter a cadência necessária para prender o espetador à tela. Fiquei uma ou duas vezes alheado do filme e o "meu mais velho" chegou a perguntar a dada altura se o filme tinha terminado. Não quero com isto dizer que o filme é maçudo ou sem ação. Muito pelo contrário. O que estou a apontar é a aparente falta de ponderação entre os momentos com mais ação e outros com menos ação. Se algo do mesmo tipo se repete por demasiado tempo pode criar uma sensação de desconforto em quem vê o filme. No final, tem-se a sensação que o filme é cortado para colocar um fim na estória.

Se voltava a ver o filme? Voltava. É um bom filme? Sem dúvida. Pela atenção ao pormenor e pela qualidade que já se atingiu no campo da animação por computador. Ao ponto em que nos esquecemos da tecnologia (*) para nos centrarmos naquilo que verdadeiramente interessa: a estória.

(*) No meu caso isto é quase impossível, talvez por "calo" profissional. Admiro a forma como trataram o render dos materiais, principalmente nas cenas mais "molhadas". Admiro também, mais uma vez, o cuidado e a atenção dados às texturas: madeira riscada, madeira partida, objetos metálicos, objetos molhados, cabelos, pelos, areia e rocha... um festival quase "gastronómico" para os olhos.

quinta-feira, julho 05, 2012

Prometheus

Bem... já passou algum tempo desde que coloquei o último post de cariz mais pessoal!

Desta feita vou falar-vos do último filme que fui ver ao cinema e que dá pelo nome "Prometheus".


Já li muitas críticas negativas sobre este filme e alguns dos meus amigos corroboraram e partilharam dessas críticas antes que me deslocasse ao cinema para vê-lo.

Primeiro vou falar-vos das razões que me levaram a escolher este filme para voltar às salas de cinema dois anos depois da última incursão (por causa do filme "Avatar" de James Cameron):
  • Ridley Scott é um dos meus realizadores de culto. Basta mencionar filmes como: "Blade Runner - Perigo Iminente", "Alien - O Oitavo Passageiro", "1492: Cristóvão Colombo", "Gladiador" e "Robin Hood";
  • Prometheus é considerado uma prequela de "Alien - O Oitavo Passageiro".
Deixei passar propositadamente dois dias antes de fazer a minha crítica. Por um lado, para ter mais sangue frio para falar sobre a experiência cinematográfica. Por outro, para digerir melhor tudo o que vi.

A melhor forma de fazer a crítica, é salientar os aspetos positivos e negativos, tentando não usar spoilers.

Aspetos Positivos
  • O 3D é usado com conta, peso e medida, acrescentando mais realismo ao filme. É mesmo "Real 3D".
  • A fotografia é cuidada. Do melhor que tenho visto. A sequência inicial é particularmente bela e beneficia muito do "Real 3D".
  • O desempenho dos atores é, de uma forma geral, boa. Destaca-se dos restantes Michael Fassbender no desempenho notável da personagem David (o robô humanóide de serviço). Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que é o melhor desempenho em papéis deste género de todos os filmes e séries que já assisti.
  • A atenção aos detalhes é impressionante. Não falo propriamente da narrativa mas antes de tudo o que se prende com aspetos visuais (com uma exceção mencionada nos aspetos negativos).
  • A cadência do filme mantém-nos sempre "agarrados" à cadeira, do princípio ao fim do filme.
Aspetos Negativos
  • Os estereótipos das personagens usadas nos filmes da saga "Alien" continuam: os bonzinhos, os heróis incidentais, os durões, os medricas, os malévolos.
  • As personagens têm, de uma forma geral, uma personalidade muito superficial.
  • Algumas partes da narrativa são excessivamente previsíveis, estilo "estes vão ser os primeiros a morrer" e noutras vê-se que falta algo mais.
  • A caracterização de Guy Pearse no papel de ansião não se enquadra com o restante nível do filme. Parece que contrataram o maquilhador de um filme da categoria B.
Conclusão

Basta dizer que será com certeza um DVD a adquirir, desde que seja um Director's Cut. Haverá com certeza algumas cenas extra que tornarão o filme ainda melhor e unirão as pontas soltas deixadas na versão para cinema.

Os aspetos positivos compensam largamente os aspetos negativos. Trata-se de um bom filme de ficção científica... e há tão poucos hoje em dia.

Embora talvez não esteja ao nível de "Alien - O Oitavo Passageiro", é uma boa espécie de prequela que aponta para uma nova saga Alien.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

2012

Foi o meu amigo P. S. que me "pediu" para fazer uma crítica ao filme que fomos ver ao cinema. E o truque é esse: ir ver ao cinema. Assim, conseguiremos aproveitar todo o impacto dos efeitos especiais e da envolvência que apenas uma sala de cinema pode proporcionar.

O filme está bem feito. Sabe intercalar momentos de acção com momentos de humor que ajudam a manter o espectador agarrado à estória. Os efeitos especiais são simplesmente arrasadores, ao ponto de ser difícil separar os gráficos gerados por computador da realidade.

Pelo lado negativo, saliento a previsibilidade do desenrolar do filme e alguns chavões cinematográficos.

Não é um prodígio da sétima arte mas entretém.

segunda-feira, abril 06, 2009

Quem quer ser Bilionário?

Dois motivos para ir ao cinema:
  • Já não me lembrava da última vez que tinha ido ao cinema;
  • Alguns amigos aconselharam-me vivamente a ver o "Quem quer ser Bilionário";
Para já, gosto da banda sonora. Graças à A.F.O., é o que tenho ouvido recentemente.

Agora comecemos pelo título... preciosismos... um bilião em Portugal corresponde a milhão de milhão, ou seja: 1.000.000.000.000. Nos Estados Unidos da América, um bilião corresponde ao milhar de milhão português, ou seja: 1.000.000.000. O prémio a pagar ao "herói" do filme seria, na melhor das hipóteses, 20.000.000 (vinte milhões) de Rupias Indianas ou, em Euro, cerca de 313.700 (trezentos e treze mil e setecentos) ou, em Dólares dos Estados Unidos da América, cerca de 401.505 (quatrocentos e um mil quinhentos e cinco). Portanto, o termo bilionário parece-me excessivo.

Voltando ao que importa, fui ver o "Quem quer ser bilionário" aos cinemas Lusomundo do Parque Nascente (Rio Tinto). Estavam pouco mais de 20 pessoas (era uma sexta-feira, às 14:30 da tarde) na sala. O som era bom mas o filme apareceu sempre com riscas finas verticais negras do lado direito. Lembro-me que quando fui ver o King Kong a estes cinemas, o filme esteve desfocado na primeira parte (eles fazem um intervalo de sete minutos a meio do filme). Portanto, um voto negativo para a qualidade de imagem no cinema, em contraste com o voto positivo para a qualidade da fotografia.

Mesmo assim, posso dizer sem sombra de dúvida que é um filme bem feito. Caracteriza muito bem os contrastes existentes na Índia e a atmosfera oriental. Os desempenhos dos actores são acima da média, mesmo por parte das crianças. A estória está muito bem conseguida, fazendo o paralelismo entre a biografia do "herói" principal e as perguntas que lhe iam calhando no concurso "Quem quer ser milionário/bilionário", ao jeito de flashback. A banda sonora, como já referi, é boa, estabelecendo uma ponte entre a música tradicional indiana e apontamentos mais modernos como o rap. Um pouco mais cliché é a moral subjacente à estória... mas, não há filmes perfeitos. No fim é apresentada uma coreografia com os actores, muito ao jeito das produções de Bollywood.

Nota final: um filme a merecer, mais tarde, um lugar na minha prateleira de DVD's.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Uma Verdade Inconveniente

Comecei a ver anteontem o DVD deste filme, onde a estrela principal é Al Gore, "conhecido antigamente como o próximo Presidente dos Estados Unidos da América". É um filme muito bem feito, onde se aborda a influência da poluição provocada pela humanidade no Planeta Terra. Os conceitos são apresentados com simplicidade num slideshow excelente, durante uma palestra de Al Gore. Os dotes oratórios de Al Gore são óbvios. De vez em quando, temos alguns flashbacks dos momentos cruciais da vida de Al Gore e os motivos que o levaram a despertar a sua consciência para os problemas ambientais.

A minha consciência também estava relativamente desperta em termos ambientais, mas este filme veio com toda a certeza reforçar essa consciência. O que vou dizer a seguir pode parecer um lugar comum, mas é a verdade: nos pequenos actos do nosso dia-a-dia, podemos fazer a diferença.

Ao ver o filme interroguei-me: se Al Gore tivesse ganho as eleições a George Bush, o mundo estaria melhor do que o que está, a nível económico, militar e ambiental? Podemos ter perdido um bom Presidente... mas nunca perdemos um excelente defensor das causas ambientais.

segunda-feira, maio 07, 2007

Um post sobre o nada... e um mistério à mistura!

Deve ser do calor...
deve ser da falta de tempo...
deve ser da correria que a minha vida tem sido nos últimos tempos...
Seja qual for o motivo, ele deve ser muito bom para que eu ainda não tenha escrito nada de muito atractivo no espaço de um mês!

Palpita-me que no próximo fim-de-semana já tenha alguma coisinha para vos contar, ou para vos mostrar, uma vez que vou até Guimarães que, como sabeis, é o Berço de Portugal.

Vou ver se arranjo tempo para ver "O Mistério da Estrada de Sintra". Gostei bastante do trailer. Ainda para mais, porque aprecio bastante Nicolau Breyner como actor. A forma como ele diz: "Qual mistério? O mistério da casa de Sintra! Quem é que o matou? Onde é que está o cadáver? 'Tá enterrado? Não está enterrado?"... para mim, é o suficiente para me abrir o apetite cinéfilo.

Vám'lá embora apoiar as produções nacionais... quando elas valem de facto alguma coisa!

Deixei-o curioso? Veja: http://videos.sapo.pt/paPIP1BRRAhskUBhkC4o

terça-feira, janeiro 09, 2007

Apocalypto

Ontem resolvi ir ver o novo filme de Mel Gibson: "Apocalypto". Fiz-me acompanhar pelo meu amigo e colega de trabalho P. S..

A estória é relativamente simples. Tendo por cenário a civilização Maia, este filme conta-nos a existência idílica de um homem (Jaguar Paw - Garra de Jaguar) e da sua tribo. Num dado momento, a tribo é brutalmente dominada por uma força invasiva. Este evento marca o início de uma jornada perigosa, que os conduz a um mundo governado pelo medo e pela opressão. Aí seriam sacrificados com o intuito de apaziguarem a ira divina. Por um acaso do destino - e guiado pelo amor que o une à sua família - Garra de Jaguar consegue fugir e tenta voltar para junto da sua mulher e do seu filho. Nesta viagem de regresso, o herói sofre uma transformação interior, que o impele a tentar reencontrar o paraíso perdido.

Considero Mel Gibson um bom realizador de cinema. Podem acusá-lo de fazer filmes violentos, o que não deixa de ser verdade, mas todos eles têm uma qualidade inquestionável: Braveheart, A Paixão de Cristo e Apocalypto.

A favor de Apocalypto temos: a prodigiosa fotografia, a montagem carregada de adrenalina, o desempenho dos actores (muitos deles nunca tinham entrado num filme), a caracterização dos personagens, o guarda-roupa, os diálogos em Yucatec (Maia) e o ambiente do filme. Tudo se conjuga para tornar a estória bastante credível.

Falando em desempenho dos actores, tenho de nomear a interpretação da pequena Maria Isidra Hoil, com apenas sete anos, no papel de Oracle Girl - a Menina do Oráculo. A sua interpretação resume-se a três intensos minutos, onde os seus movimentos, a sua expressão e o seu discurso transmitem toda a emoção que apenas uma grande actriz consegue transmitir.

Sobre ela, escrevem isto: "... vive na pequena aldeia Maia de Campamento em Quintana Roo, Yucatan, e fala apenas a língua Maia. A sua vivência aquando da audição para Apocalypto foi um abrir de olhos para a menina de sete anos de idade. Ela nunca tinha visto um carro, um avião, nunca tinha comido arroz, ou dormido num hotel, ou visto um chão que não fosse coberto de terra. Maria nunca participou em nenhum filme e esta é a sua primeira representação".

Contra Apocalypto: não existe nada verdadeiramente contra. Existem alguns erros desculpáveis: um fenómeno astronómico que costuma demorar horas a demorar alguns segundos no filme e um coração que, embora arrancado com as mãos, mostra cortes cirúrgicos nas veias e artérias. Este último ponto leva-me a dizer que o filme não é excessivamente violento. Está, provavelmente, ao nível de Braveheart, no que toca a violência.

Sem dúvida, um filme a não perder.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Blade Runner

Finalmente (quase) acabei a lista dos filmes que impreterivelmente queria possuir em formato DVD. Para os mais distraídos:
  • Alien - O Oitavo Passageiro (Ridley Scott)
  • 1492 - A Conquista do Paraíso (Ridley Scott)
  • O Nome da Rosa (Jean Jacques Annaud)
  • A Guerra do Fogo (Jean Jacques Annaud)
  • Gladiador (Ridley Scott)
  • Blade Runner (Ridley Scott)

Fica agora a faltar "As Misteriosas Cidades do Ouro" e, possivelmente, "Conan - O Rapaz do Futuro", duas séries de animação que gostei particularmente nos meus verdes anos. A primeira, ainda não existe em Portugal... a segunda, ainda está muito cara: as duas caixas custam cerca de €66.

Na semana passada, ficou disponível na FNAC, a um preço interessante, o DVD "Blade Runner".

Trata-se de um filme de ficção científica, realizado por Ridley Scott, em que se conta a estória de um Blade Runner (agente especializado no extermínio de robôs humanóides denominados Replicantes) chamado Deckard (Harrison Ford). Ele terá que encontrar e exterminar quatro Replicantes que desviaram uma nave espacial e voltaram à terra para encontrarem o seu criador.

O filme, produzido em 1982, consegue transmitir uma espécie de atmosfera futurista decadente: muita poluição, ambientes sombrios, proliferação de criaturas geneticamente modificadas. É um filme que vale a pena ver pela estética visual, pelos pormenores de realização e pela música magistral de Vangelis.

Aconselho também a que vejam o filme mais do que uma vez, porque irão com toda a certeza perceber melhor todo o enredo e algumas subtilezas aparentemente ocultas.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Os Condenados de Shawshank

A esta altura, já todos devem saber que sou um amante de cinema. Particularmente em casa, utilizando o meu DVD. Em breve colocarei aqui um post com a forma como vejo cinema em casa.

Mas, o que aqui me traz agora é o filme "Os Condenados de Shawshank" ou, se preferirem, "The Shawshank Redemption". Um preço abaixo de €5 no Jumbo da Maia ditou o inevitável: dois bons serões com um excelente filme.

O IMDB categoriza-o tão somente como o 2º melhor filme de sempre, logo atrás de outro excelente filme: "O Padrinho" ("The Godfather") de 1972.

À frente do elenco temos duas interpretações dignas de um Óscar (embora não o tivessem conseguido): Tim Robins, no papel de Andy Dufresne e Morgan Freeman, no papel de Ellis Boyd "Red" Redding. Este último, está particularmente bem. Outra interpretação memorável (embora curta) e comovente é a de James Whitmore no papel de Brooks.

O filme é adaptado do livro de Stephen King.

O enredo gira em torno de um homem inocente (?), "Andy", que é condenado a duas prisões perpétuas por duplo homicídio (a sua mulher e o amante). Na cadeia, trava amizade com outro presidiário, "Red". É basicamente sobre esta relação de amizade e sobre o ambiente corrupto da cadeia que o filme se desenvolve. O final é surpreendente.

Posso dizer sem sombra de dúvida que foi um dos melhores filmes que vi.

Portanto, assim que tiverem possibilidade, assistam a este brilhante filme e façam aqui os vossos comentários.

quarta-feira, setembro 13, 2006

A Guerra do Fogo

Há filmes que nos marcam... e A Guerra do Fogo de Jean-Jacques Annaud foi sem dúvida um deles!

Aliás, e antes de continuar este post, cheguei à conclusão de que gosto particularmente de dois realizadores, quando me apercebi que eram eles quem tinham realizado alguns dos meus filmes preferidos. Estes realizadores são:

  • Jean-Jacques Annaud - realizou "A Guerra do Fogo" e "O Nome da Rosa";
  • Ridley Scott - realizou "Alien o 8º Passageiro", "Blade Runner", "1492 - A Conquista do Paraíso" e "Gladiador".

Os filmes que mencionei encaixam-se na minha categoria "MUST HAVE" e portanto, foi com espanto que vi "A Guerra do Fogo" à venda na FNAC. E não resisti.

Há filmes que causam uma mítica quando os vemos pela primeira vez, mas quando os revisitamos, essa mítica esfuma-se. Não foi o caso de "A Guerra do Fogo".

Trata-se de um filme sobre uma tribo de seres humanos pré-históricos que ainda não sabem produzir fogo, mas que estão totalmente dependentes deste para se aquecerem, cozinharem os alimentos e afugentar os animais selvagens. Só o conseguem obter quando este surge no estado natural e protegem-no religiosamente dentro de uma campânula.

A dada altura a chama, que é tão cuidadosamente guardada, apaga-se. A tribo elege três dos seus membros para partirem em busca do precioso fogo. O filme conta a aventura desses três homens: as peripécias e o encontro com outras tribos de homens, umas mais sofisticadas e outras menos. Os três homens acabam por descobrir outras tradições... e mesmo a arte de "fazer" fogo.

É evidente que temos de desculpar alguns efeitos especiais, e um ou outro pormenor de caracterização.

Por outro lado, o filme consegue transmitir toda a estória sem recurso a muitas verbalizações (como seria próprio daquele tempo), de tal forma, que não existem legendas.

É, no fundo, um filme sobre a descoberta do homem, pelo próprio homem: os primeiros risos, os primeiros olhares sobre outros usos e costumes, outras formas de amar e ser amado. Tudo contado magistralmente e com uma envolvente paisagística que nos transporta efectivamente a uma época que sabemos ter existido e da qual guardamos memórias ancestrais.

A não perder.



terça-feira, julho 25, 2006

O Nome da Rosa

"...and yet, I never knew her name..."

Assim acaba a adaptação para o grande ecrã da obra homónima de Humberto Eco, que assisti ontem no conforto do meu lar, pela enésima vez.

O primeiro contacto que tive com este filme, produzido por Jean-Jacques Annaud, foi na escola secundária, onde a professora de Filosofia achou por bem que o víssemos, repartido por duas sessões.

Curiosamente, numa das cenas do filme, o ecrã ficou totalmente negro, coisa que não acontece no filme que voltei a ver ontem. É evidente que me refiro ao encontro carnal entre Adso (o pupilo de William of Baskerville) e a rapariga pobre. Até hoje fico sem saber se foi obra da professora que, ao transferir o filme para VHS, resolveu omitir esta cena por razões púdicas, ou se a televisão o transmitiu assim, pelas mesmas razões.

Polémicas à parte, devo confessar que é um dos meus filmes predilectos. Principalmente porque capta a essência (na minha modesta opinião) da época que é relatada. Isto deve-se com toda a certeza à brilhante escrita de Humberto Eco e aos especialistas que estiveram envolvidos durante as filmagens: nomeadamente, Jacques Le Goff.

Os personagens são credíveis, com caras sui generis. O próprio Jean-Jacques Annau confessa, nos comentários que faz ao filme, que escolheu alguns dos actores pelas suas caras, marcadas pelo tempo. Exigiu que ninguém usasse dentaduras postiças ou pusesse maquilhagem. Exigiu também que todos fizessem um corte de cabelo à Santo António. Às vezes custa a crer, mas todas as caras são reais, sem auxílio de próteses ou truques cinematográficos (à excepção do "Venerable Jorge" que usa lentes de contacto para simular a sua cegueira).

Jean-Jacques Annaud teve consciência que seria impossível passar para cinema um livro tão denso e exigente do ponto de vista intelectual. Preferiu, portanto, denominar a sua adaptação de palimpsesto: o texto original é apagado das folhas, para que estas sejam aproveitadas para outro texto; os vestígios do texto original podem, no entanto, ser vislumbrados aqui e ali, no meio do novo texto. É, porém, uma excelente adaptação que não me canso de ver, onde Sean Connery se "redime" dos seus papéis de 007 e Christian Slater torna-se num excelente debutante.

Ainda não li completamente o livro que, como referi, é denso e custa a digerir. A riqueza das descrições é espelho do doutoramento em estética medieval de Humberto Eco. Existem também bastantes expressões latinas que não são traduzidas. Mas um dia chego lá. Porque, se o filme é muito bom, o livro é ainda melhor.

Festival Eurovisão da Canção 2018

Como é tradição, aqui vai a minha apreciação do Festival da Eurovisão deste ano. E o vencedor é... ...novamente Salvador Sobral! Sim. ...