Um blog de Vítor Carvalho.
Algumas reflexões sobre acessibilidade, usabilidade e design para a Web, ideias, desabafos, viagens, humor, crítica e fotografias...
segunda-feira, maio 14, 2018
Festival Eurovisão da Canção 2018
E o vencedor é...
...novamente Salvador Sobral!
Sim. É verdade. Salvador salvou o Festival com a canção que interpretou durante o "intervalo". Quanto ao resto, foi paisagem. E, desculpem-me a franqueza, mas não consigo ver nada de interessante na música da "galinha" israelita.
Longe vão os tempos de "Ah-Bah-Nee-Bee" (1978)...
""Hallelujah" (1979) ...
ou mesmo de "Diva" (1998) ...
Fiquem então com o verdadeiro vencedor deste ano com a sua atuação no festival...
ou com o vídeo oficial de "Mano a Mano".
Vim chorar a minha pena
No teu ombro e, afinal,
A mesma dor te condena
Choras tu do mesmo mal
Irmãos gémeos no tormento
Filhos da mesma aflição
Nenhum dos dois tem alento
Pr'a dar ao outro uma mão
O amor não nos quer bem
Ninguém nos há-de valer
Se um perde aquilo que tem
E o outro não chega a ter
Só nos resta o mano a mano
Se não queremos ficar sós
Deixa lá o teu piano
Namorar a minha voz
quarta-feira, julho 13, 2016
Joel Branco: Piquenique
Desta feita, trata-se da música "Piquenique". Lembro-me perfeitamente do coro de crianças e dos versos engraçados que o Joel Branco ia cantando para rimar com o nome das crianças: "Luís, tens uma formiga no nariz"!Vamos lá, mais uma vez para a memory lane.
Piquenique, piquenique, piquenique
Mais um piquenique
Piquenique, piquenique, piquenique
Vamos passear
Piquenique, piquenique, piquenique
Mais um piquenique
Piquenique, piquenique, piquenique
Todos a cantar:
"quenique mais um piqueni
quenique mais um piqueni"
Talvez haja um pinheiro
Que é bravo, altaneiro
Deixando a resina escorrer
Ou um outro que é manso
Mais sombra e descanso
Com pinhas, pinhões p'ra comer
Eucaliptos a par
Que nos deixam no ar
Um cheirinho que só nos faz bem
O sobreiro em repouso
De tronco rugoso
Com cortiça e bolotas também
Lá vamos...
Piquenique, piquenique, piquenique
Mais um piquenique
"Aurora, Aurora vamos embora"!
Piquenique, piquenique, piquenique
Vamos passear
"Ó João, João não te sentes no chão"!
Piquenique, piquenique, piquenique
Mais um piquenique
"Gaspar, Gaspar põe-te a cavar"!
Piquenique, piquenique, piquenique
Todos a cantar:
"quenique mais um piqueni
quenique mais um piqueni"
Castanheiros que dão
Os ouriços que são
As castanhas que alguém assará
Um carvalho imponente
Parece que é gente
Azinheira, bolotas, sei lá
E mais tarde na hora
De virmos embora
Apanhamos o lixo em redor
É bonito o asseio
Sujar é tão feio
Com tudo limpinho é melhor
Piquenique, piquenique, piquenique
Mais um piquenique
"Ó Zé não faças banzé"!
Piquenique, piquenique, piquenique
Vamos passear
"Ah, Ah, ó Luís tens uma formiga no nariz"!
Piquenique, piquenique, piquenique
Mais um piquenique
"Ó Carlota não apanhes bolota"!
Piquenique, piquenique, piquenique
Todos a cantar
Piquenique, piquenique, piquenique
Mais um piquenique
"Atão J'aquina, 'tás cheia de resina"!
Piquenique, piquenique, piquenique
Vamos passear
"Man'el não te esqueças do farnel"!
Piquenique, piquenique, piquenique
Mais um piquenique
"Isabel 'tás toda suja de mel, Isabel"!
Piquenique, piquenique, piquenique
Todos a cantar:
"quenique mais um piqueni
quenique mais um piqueni
quenique mais um piqueni
quenique mais um piqueni"
Piquenique, piquenique
terça-feira, setembro 07, 2010
Meio-Silêncio
Estas linhas, escrevo-as ao acaso, enquanto espero por um final de tarde.
Lembro-me que são duas horas e eu aqui... num banco de jardim, alimentado pela brisa que passa e por algumas folhas amarelecidas que rodopiam à minha frente.
E é tão bom parar! Eu que pensava ser este um lugar para os reformados, para aqueles que já não têm muito a esperar da vida, enganei-me. O barulho suave - se há algum barulho suave, é este - do chafariz que enfeita um dos cantos deste jardim, consegue ser um bom conselheiro.
Entretenho-me a ver as pessoas passar. Cada qual na sua vida, uma ou outra circunstância fez com que passassem por aqui neste momento em que estou receptivo ao que se passa à minha volta.
Estamos em meados de novembro. É natural que esteja um pouco frio. Eu, enquanto arrefeço, penso na minha vida.
Por acaso, numa daquelas atitudes irreflectidas, encostei a mão ao meu ouvido esquerdo. Fiquei assim, num estado de semi-surdez e os sons pareceram mais graves. Imaginei como seria a minha vida se não conseguisse ouvir. Naquele instante, tudo me pareceu poético: o movimento das pessoas, os risos das crianças, os automóveis que passavam, todos embebidos em meio-silêncio.
Estranho... ouço o bater do meu coração, o compasso da natureza. Ora acelerado, ora embalado em doces recordações. Tudo isto num banco de jardim, num qualquer princípio de tarde.
Nas minhas mãos tenho um guarda-chuva que, se calhar, não terei oportunidade de utilizar hoje. Ajuda também a guiar os meus passos e gosto de fazê-lo rodopiar, tendo por eixo a minha mão.
É altura de tomar caminho, numa terra que não é a minha, mas na qual me sinto em casa.
Guardo estas sensações porque sei que sonharei com elas mais tarde ou mais cedo.
Em breve partirei de comboio para a minha cidade, numa linha que já conheço bem. Não apreciarei a paisagem pois estará escuro, mas a viagem embalará o meu sono.
Alguns procuram um sentido para a vida. Na minha vida eu procuro lugares, pessoas, atmosferas, sons, amor. Coisas simples, coisas belas, que o Homem tanto estima porque lhe está na própria natureza.
sexta-feira, julho 02, 2010
Get Lucky
Neste post vou tentar fazer uma crítica a cada uma das músicas que compõem este "Get Lucky".
Para além das influências da própria vivência de Mark Knopfler, notam-se alguns contornos de cariz mais histórico neste álbum.

Border Reiver
Border Reivers foram saqueadores que actuavam ao longo da fronteira anglo-escocesa entre os séculos XIII e XVI. Entre eles estavam escoceses e ingleses. Percorriam toda a fronteira e não tinham em linha de conta a nacionalidade das suas vítimas. Tiveram o seu auge nos últimos cem anos da sua existência, durante a dinastia Tudor, na Inglaterra.
Álbion (Ἀλβιών), palavra hoje em dia somente utilizada na literatura, é o nome celta ou pré-celta da Inglaterra. Na sua origem estaria o facto das suas falésias serem brancas, ou a Albion, filho de Neptuno.
Nesta música existe ainda uma faceta autobiográfica de Mark Knopfler, mais concretamente dos tempos em que apanhava boleia de camionistas para as suas deslocações.
A introdução melodiosa da flauta transversal dá o tom para todo o álbum. Vê-se claramente mais um regresso de Mark Knopfler às origens celtas. Não se deixe enganar pela calma relaxante da introdução. Segue-se um ritmo bem compassado que nos faz querer dançar em volta de uma fogueira. Os instrumentos acústicos estão em predominância e assim continuarão pelo resto do álbum.
Southern bound from Glasgow town
she's shining in the sun
my Scotstoun lassie
on a border run
We're whistling down the hillsides
and tearing up the climbs
I'm just a thiever stealing time
in the Border Reiver
Three hundred thousand on the clock
and plenty more to go
Crash box and lever
- she needs the heel and toe
She's not too cold in winter
but she cooks me in the heat
I'm a six-foot driver but you can't adjust the seat
in the Border Reiver
'Sure as the Sunrise'
that's what they say about the Albion
'Sure as the Sunrise', that's what they say
about the Albion and she's an Albion
She's an Albion
The Ministry don't worry me
my paperwork's alright
They can't touch me
I got my sleep last night
It's knocking out a living wage
in 1969
I'm just a thiever stealing time
in the Border Reiver
Às vezes temos de chorar no ombro de alguém... este pensamento é transmitido pelo compasso que nos induz num estado "saudosista". O pior é quando o ombro em que queremos chorar é demasiado duro. Um bom slow para se dançar acompanhado.
I've got latches for windows, handles for doors
Grinders and scrapers and sanders for floors
Rake for the gravel, chains for the snow
Always got the shovel - you never know
I never thought you'd go
Man's broken down
Man's broken down on the slip road
Got a slipped load
And it's a hard shoulder to cry on
Hacksaws and hammers, brushes and mop
Then I've got the ladders up on the top
If something needs doing, I always say
You want it done the proper way
I need you to stay
Give me a minute we'll be going again
Sound as a pound, right as rain
- right as rain
And it's a hard shoulder to cry on
- to cry on
O ritmo faz lembrar as músicas do álbum "Wag the Dog". Tanto a letra como a melodia remetem-nos para os antigos Western Saloons. O piano, para além da guitarra de Mark Knopfler, é o instrumento predominante.
You can't fool a fooler
I can tell
when a john got jazzed
by a jezebel
You can't beat the house
You can't beat the house
Tell the man somebody
You can't beat the house
When these horn dogs
get lucky with dough
they'll blow it on the roosters
and the girls of Smokey Row
You want to buy you a dance
don't buy it in here
It's all skin games and jelly roll
red-eye and beer
They're all as mean as rat snakes
all got knives in their boots
Even the piano player, man,
he don't care who he shoots
See that little homewrecker
in the backroom
She'll pick your pocket
with her pet raccoon
Mais uma letra e música saudosista, que apela aos tempos inocentes em que a ausência de "modernices" nos faziam viver os momentos simples com maior intensidade.
Before gas and TV
before people had cars
we'd sit round the fires
pass around a guitar
remembering songs
When my daddy was home
he'd play along
on the spoons and a comb
We'd go with the flow
When the weather was fine
sometimes we'd go
collecting scrap iron
Then we'd sit round the fires
pass a bottle of wine
and the tales of the road
since time out of mind
If heaven's like this
well, that's okay with me
where the living is fine
and living is free
If heaven's like this
well, then here's where I'll be
on the edge of the field
on the edge of the world
before gas and TV
Existe uma tradição na cidade de Nova Iorque que consiste na criação artesanal de guitarras por parte de descendentes de italianos. Um desses artesãos chama-se John Monteleone. Mark conheceu este artesão e, segundo o seu relato, foi como ter conhecido Antonio Stradivari (o famoso construtor de violinos). John Monteleone disse-lhe esta frase acerca da sua arte: "Os cinzéis chamam-me! Está na altura de fazer serrim!" (The chisels are calling, it's time to make sawdust). Mark apercebeu-se que John Monteleone sentia necessidade de trabalhar na sua arte. E isso foi inspirador ao ponto de Mark fazer uma música de propósito para este artista.
Uma boa introdução com acompanhamento clássico. Segue o traço "chill out" deste álbum e leva-nos pé ante pé a caminho dos nossos sonhos.
The chisels are calling
It's time to make sawdust
Steely reminders of things left to do
Monteleone, a mandolin's waiting for you
My finger planes working
Gentle persuasion
I bend to the wood and I coax it to sing
Monteleone, your new one and only will ring
The rain on the window, the snow on the gravel
the seasons go by to the songs in the wood
Too quick or too careless it all could unravel
It so easily could
The chisels are calling
It's back for an encore
Back to the shavings that cover the floor
Monteleone, they're calling for more
Monteleone, they're calling for more
Uma música folk/country mais ao estilo de álbuns anteriores, como "Sailing to Philadelphia" ou "The Ragpicker's Dream". Uma guitarra sabiamente distorcida é a linha melódica dominante ao longo desta faixa.
I keep a weather eye on the horizon, my back to the wall
I like to know who's coming through the door, that's all
It's the old army training kicking in
I'm not complaining, it's the world we live in
Blarney and Malarkey, they're a devious firm
They'll take you to the cleaners or let you burn
The help is breaking dishes in the kitchen - thanks a lot
We hired the worst dishwasher this place ever got
Come in below the radar, they want to spoil our fun
In the meantime I'm cleaning my gun
Remember it got so cold ice froze up the tank
We lit a fire beneath her just so she would crank
I keep a weather eye on the horizon, tap the stormglass now and then
I've got a case of Old Damnation for when you get here, my friend
We can have ourselves a party before they come
In the meantime I'm cleaning my gun
We had women and a mirror ball, we had a dee jay
used to eat pretty much all that came his way
Ever since the goons came in and took apart the place
I keep a tyre iron in the corner, just in case
I gave you a magic bullet on a little chain
to keep you safe from the chilly winds and out of the rain
We're gonna might need bullets should we get stuck
Any which way, we're going to need a little luck
You can still get gas in Heaven, and a drink in Kingdom Come
In the meantime I'm cleaning my gun
Alguns apontamentos clássicos embalam o ouvinte ao longo da música. E embalar é o termo para descrever o espírito geral da composição.
In summer '63 I was staying alive
hanging at the races, hoping to drive
When they were done with the weekend and loading the cars
I couldn't get a pass so I went to the bar
I'm up in the corner nursing a beer
who should come laughing and joking in here
but Bobby Brown, the winner of the sports car race
with some friends and a girl, man, she lit up the place
Bobby was a wild boy - one summer
he knocked down a motel wall with a hammer
He'd do anything - one night for a bet
he raced through the cornfields in a Corvette
I thought it's got to be a thrill to be like that
with the beautiful girl and be king of the track
But the truth is when all was said and done
it was his Cobra I wanted - the car was the one
It was his Cobra I wanted - the car was the one
The car was the one - the car was the one
Um apontamento original para Mark Knopfler: um coro de crianças participa nesta faixa. O "Remembrance Day" é um feriado da Commonwealth (11 de Novembro) para comemorar os sacrifícios efectuados por membros das forças armadas e civis em tempos de guerra.
On your maypole green
see the winding morris men
Angry Alfie, Bill and Ken
waving hankies, sticks and boots
- all the earth and roots
Standing at the crease
the batsman takes a look around
The boys are fielding on home ground
The steeple sharp against the blue
- when I think of you
Sam and Andy, Jack and John
Charlie, Martin, Jamie, Ron
Harry, Stephen, Will and Don
Matthew, Michael - on and on
We will remember them
remember them, remember them
We will remember them
remember them, remember them
Time has slipped away
The summer sky to autumn yields
A haze of smoke across the fields
Let's up and fight another round
and walk the stubbled ground
When November brings
the poppies on Remembrance Day
when the vicar comes to say
'May God bless them, every one
Lest we forget our sons'
As personagens que Mark Knopfler inventa são, por vezes, terra a terra. Não sei se foi a crise que o inspirou, mas Mark Knopfler fala de alguém que vagueia pelo mundo sem rumo certo, executando vários tipos de trabalho que apenas lhe dão o dinheiro suficiente para ir vivendo. No entanto, a alegria de viver consegue-se na esperança de que um dia talvez tenhamos sorte, principalmente se aproveitarmos as oportunidades que a vida nos dá. A flauta transversal é o instrumento principal, criando uma atmosfera bucólica, indispensável a todo o enquadramento musical.
I'm better with my muscles
than I am with my mouth
I'll work the fairgrounds in the summer
or go pick fruit down south
And when I feel them chilly winds
where the weather goes I'll follow
Pack up my travelling things
go with the swallows
And I might get lucky now and then - you win some
I might get lucky now and then - you win some
I wake up every morning
keep an eye on what I spent
Got to think about eating
got to think about paying the rent
I always think it's funny -
gets me every time
The one about happiness and money -
tell it to the bread line
But you might get lucky now and then - you win some
You might get lucky now and then - yeah, you win some
Now I'm rambling through this meadow
happy as a man can be
Think I'll just lay me down
under this old tree
On and on we go
through this old world a' shuffling
If you've got a truffle dog
you can go truffling
And you might get lucky now and then - you win some
You might get lucky now and then - yeah, you win some
A letra é algo negra e a música fez-me, estranhamente, recordar Nick Cave & The Bad Seeds, num dueto com Kylie Minogue: "Where The Wild Roses Grow".
They had a last supper
the day of the beaching
She's a dead ship sailing
- skeleton crew
The galley is empty
the stove pots are cooling
with what's left of a stew
Her time is approaching
The captain moves over
The hangman steps in
to do what he's paid for
With the wind and the tide
she goes proud ahead steaming
and he drives her hard into the shore
so far from the Clyde
together we'd ride
we did ride
As if to a wave
from her bows to her rudder
bravely she rises
to meet with the land
Under their feet
they all feel her keel shudder
A shallow sea washes their hands
Later the captain
shakes hands with the hangman
and climbs slowly down
to the oily wet ground
Goes bowed to the car
that has come here to take him
through the graveyard and back to the town
They pull out her cables
and hack off her hatches
Too poor to be wasteful
with pity or time
They swarm on her carcass
with torches and axes
Like a whale on the bloody shoreline
Stripped of her pillars
her stays and her stanchions
When there's only her bones
on the wet, poisoned land
steel ropes will drag her
with winches and engines
‘til there's only a stain on the sand
Mais uma canção nostálgica para encerrar este disco. Foi composta a pensar num tio de Mark, tocador de gaita de foles do primeiro batalhão do Royal Highland Regiment. Morreu em terreno de combate, durante a segunda guerra mundial, acompanhado da sua gaita de foles.
When I leave this world behind me
to another I will go
And if there are no pipes in heaven
I'll be going down below
If friends in time be severed
someday we will meet again
I'll return to leave you never
be a piper to the end
This has been a day to die for
Now the day is almost done
Up above, a quiet seabird
turns to face the setting sun
Now the evening dove is calling
and all the hills are burning red
And before the night comes falling
clouds are lined with golden thread
We watched the fires together
shared our quarters for a while
walked the dusty roads together
came so many miles
This has been a day to die on
Now the day is almost done
Here the pipes will lay beside me
silent with the battle drum
If friends in time be severed
someday we will meet again
I'll return to leave you never
be a piper to the end
quinta-feira, outubro 30, 2008
O quarto segredo de Fátima?
Todos pensávamos que haviam só três segredos de Fátima. Mas, afinal, há um quarto segredo de Fátima, muito bem guardado todo este tempo, mas que eu vos revelo AQUI... em primeira mão.
(rufar de tambores)
O quarto segredo de Fátima diz mais ou menos isto:
"Irei enviar uma Ministra da Educação com nome religioso, do estilo Maria de Lurdes como na aparição, que irá melhorar estupendamente e no espaço de um ano, as médias dos exames de matemática nas escolas".
Dados reais, transmitidos ontem pela SIC:
- Em 2007, 15 escolas tiveram média no exame de matemática superior a 15 valores. Em 2008, passaram para 125.
- Em 2007, 27 escolas tiveram média no exame de matemática superior a 14 valores. Em 2008, passaram para 236.
- Em 2007, 220 escolas tiveram média negativa no exame de matemática. Em 2008, passaram para 28.
- Entre 2001 e 2007, apenas 2 escolas conseguiram manter uma média superior a 12 no exame de matemática. Em 2008, 457 escolas tiveram média superior a 12.
Melhoram-se os números mas piora-se a qualidade de ensino e os profissionais de amanhã. Que espírito estamos a incutir nos estudantes de hoje? Não estudes até ao 9º ano! Passas sempre, quer saibas quer não! E se um professor te ameaçar com uma reprovação, lembra-lhe que ele é avaliado pela negativa ser der "chumbos". Não queres estudar a partir do 9º ano até ao 12º? Também não há problema! Candidata-te às "Novas Oportunidades"! Só tens de aparecer às aulas, pagam-te por isso e não fazes testes nenhuns! Queres fazer a universidade sem estudares? Não há problema! Em breve, aparecerá uma Maria de Lurdes no Ensino Superior para facilitar as coisas também!
Bora lá melhorar o grau de literacia e os rankings em pouco tempo em Portugal? Bora lá colocar os professores a preencherem toneladas de papelada sem nexo e passar os alunos de qualquer maneira? Bora lá fazer com que os professores desiludidos com o actual estado das coisas se reformem antecipadamente às centenas todos os meses e com isso poupar uns cobres ao estado? Bora lá criar um país de bestas literadas que abanam a cabecinha a tudo o que se lhes diz e podem ser facilmente moldáveis? Bora lá implementar uma ditadura do século 21 baseado em maiorias absolutas? Bute!
Mas, permitam-me que cite o grande José Régio:
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
Ah! E Srª Dona Maria de Lurdes... vá para AQUI!
quarta-feira, julho 23, 2008
Mike Oldfield
Deixo-vos duas sugestões: "Talk About Your Life" e "To France". Ambas cantadas magistralmente por Maggie Reilly. Duas boas alternativas à muito conhecida "Moonlight Shadow".
Curiosamente, as duas canções partilham uma mesma linha melódica e isto deve-se ao facto de pertencerem ambas ao mesmo álbum ("Discovery"), lançado em 1984.
Talk About Your Life
Walking Out In The Street Light, Midnight.
Whisper Wind, Catch Me In The Headlight.
Talk About Your Life, I'd Like To Know.
It's Not Easy Going Where No-One Goes,
And No-One Knows.
Do We Have To Be So Distant?
How Can You Be So Unreal?
What's The Reason For Hiding, And
How Does Crying Make You Feel?
I Can See You're Talking To Me In Riddles.
Do What You Like, You Go Where The Wind Blows.
Talk About Your Life, I'd Like To Know.
It's Not Easy Going Where No-One Goes,
And No-One Knows.
I Reach For Certain Disguise That You're Leaving,
And I Can Tell By The Mist In Your Eyes That You're Dreaming.
Dreaming.
Do We Have To Be So Distant?
How Can You Be So Unreal?
In The Clouds, Running And Chasing Shadows.
In The Crowd, Frozen In The Window.
Talk About Your Life, I'd Like To Know.
It's Not Easy Going Where No-One Goes,
And No-One Knows.
To France
Taking on water,
Sailing a restless sea
From a memory,
A fantasy.
The wind carries
Into white water,
Far from the islands.
Don't you know you're
Never going to get to France.
Mary, Queen of Chance,
will they find you?
Never going to get to France.
Could a new romance ever bind you?
Walking on foreign ground,
Like a shadow,
Roaming in far off
Territory.
Over your shoulder,
Stories unfold, you're
Searching for sanctuary.
You know you're
Never going to get to France...
I see a picture
By the lamp's flicker.
Isn't it strange how
Dreams fade and shimmer?
Never going to get to France...
quinta-feira, maio 29, 2008
Romanca
Romanca
Romance
Vidiš prijatelju, ja pamtim sve
Sabes, meu amigo, lembro-me de tudo
I mogu ti reći da između ove
E posso dizer-te que entre esta
I milijun drugih pjesama ne postoji razlika
E um milhão de outras músicas, não há diferença
Jer život taj za nama briše tragove
Porque esta vida apaga as nossas pegadas
U dobru noć on pušta čudne vragove
À noite, estranhos demónios andam à solta
Pa svaki san je hladnim suncem obasjan
Por isso, todos os sonhos são iluminados pelo sol
A sjećanja su skoro sva ugasnula
E quase todas as memórias extinguiram-se
Da pitaš me još samo jedno znao bi
Se queres saber, só sei de uma coisa:
Da boje sve tek s ovom rimom postoje
As cores só existem nas rimas
A noć i dan su nekog stiha trag
A noite e o dia são os traços de um verso
I nestat će kad sve naše pjesme izblijede
E desaparecerão quando todas as canções se esfumarem
Zasvirajte noćas tu romancu
Esta noite, toca uma música romântica
Tiho, nježno da me razboli
Baixinho, suavemente, para que eu fique triste
Tugu kad umire slavuj
Triste quando o rouxinol morrer
Kad se duša s tijelom razdvoji
Quando a alma se separar do corpo
Zasvirajte noćas tu romancu
Esta noite, toca uma música romântica
Al polako da je čuju svi
Mas devagar, para que toda a gente ouça
Neka opet sviraju gitare
Deixa as guitarras tocarem novamente
Već odavno nisam sluš'o njih
Já não as ouço há muito tempo
Govore mi danas da sam u banani
Disseram-me que já estou ultrapassado
Tehnološki otpad ko majmun na grani
Lixo tecnológico, como um macaco pendurado no ramo de uma árvore
A ja sam bio prvi Internet na svijetu
Mas eu fui a primeira Internet do mundo
Na brodovima s glazbom umrežio planetu
Nos barcos em que liguei o planeta levando a minha música
Pamtim i sad sve snove svojih pjesama
Mesmo hoje, lembro-me de todos os sonhos das minhas músicas
Sva maštanja i lica što su nestala
Todas as fantasias e rostos foram-se
Ko sjene su još dio mojih buđenja
Como sombras, são parte das minhas lembranças
Zarobljena u mene, davno utkana
Capturadas por mim, interlaçadas há muito tempo
Ja sam umrežio, ja sam umrežio
Eu liguei-me, eu liguei-me
Ja, ja, ja sam bio prvi Internet na svijetu
Eu, eu, eu, fui a primeira Internet do mundo
Ja sam umrežio planetu
Eu liguei o planeta
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Feel Like Goin' Home
Lord I feel like going home
I tried and I failed
and I'm tired and weary
Everything I ever done was wrong
And I feel like going home
Lord I tried to see it through
But it was too much for me
And now I'm coming home to you
And I feel like going home
Cloudy skies are rolling in
And not a friend around to help me
From all the places I have been
And I feel like going home
quarta-feira, julho 04, 2007
Caminhante...
Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.
Antonio Machado
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Cangurik: Uma Árvore, Um Amigo
Longe vai o tempo em que a Nestlé tinha outra mascote para o seu produto "Nesquik"... uma que não era prima afastada do Bugs Bunny. Falo, claro, do simpático Cangurik!
Para além das preocupações de marketing, este canguru tinha também preocupações ecológicas. Joel Branco cantou esta música da qual transcrevo agora a letra e que se encontrava associada a este personagem (repare que o Cangurik usa fato-macaco igual ao dos jardineiros).Refrão:
Uma árvore, um amigo
que devemos bem tratar.
Um amigo de verdade
tão fiel como a amizade
que podemos cultivar.
Sabes que uma árvore
é um pouco de beleza
que protege a Natureza
e purifica o nosso ar.
Dá-nos a madeira
e tanta coisa que fascina
a cortiça ou a resina
mais a fruta do pomar.
Oh! Vamos fazer uma floresta
Vem, plantar amigos uma festa
Tão rica e modesta
Vamos semear.
Refrão
Sabes que uma árvore
É um bem de toda a gente
Não estragues o ambiente
Não lhe sujes o lugar
Vamos, vamos, vamos
Defender a nossa vida
Que uma árvore esquecida
Pode às vezes ajudar.
Sim, vamos fazer uma floresta
Vem, plantar amigos uma festa
Tão rica e modesta
Vamos semear.
Refrão
E por que carga de água eu lembrei-me disto? Olhem... nem eu mesmo sei... um dia, esta música apareceu na minha cabeça... qual pedaço de papel tirado por acaso de uma pilha de papéis de um qualquer sótão empoeirado.
Se quiserem ouvir esta música e recordar os vossos tempos de infância (se esta aconteceu nos anos 70-80), visitem o site http://www.misteriojuvenil.com/ ou, mais diretamente, no YouTube.
Advertência 1: são capazes de sentir uma certa e determinada nostalgia...
Advertência 2: o desenho do Cangurik foi feito por mim, inspirado num desenho que encontrei no Google, mas que não tinha qualidade suficiente para figurar no meu blog.
segunda-feira, julho 17, 2006
Si Tu No Estás
Aqui en mi alma
Cai la nieve
Si tu no estás
Todo es silencio
Todo es pasión
Mi mundo es negro
Si tu no estás
Busco a tus besos
Busco a tu abrigo
Me desespero
Si tu no estás
Grito tu nombre
Rompo el silencio
Todo es inutil
Si tu no estás
P. S. : Não perguntem...
quinta-feira, junho 08, 2006
Cântico Negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
quarta-feira, junho 07, 2006
Flor Vermelha
Ninguém sabe onde vai nem donde vem
Mas o eco de seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.
Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.
Sophia de Mello Breyner Andresen

Esta foi mais uma macro que surgiu no jardim da Quinta dos Três Pinheiros, na Mealhada. Pensei que seria uma boa forma de valorizar esta imagem.
Festival Eurovisão da Canção 2018
Como é tradição, aqui vai a minha apreciação do Festival da Eurovisão deste ano. E o vencedor é... ...novamente Salvador Sobral! Sim. ...
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