quinta-feira, maio 21, 2015

Festival Eurovisão 2015

Mais uma vez não podia faltar a minha opinião sobre a edição deste ano do Festival Eurovisão da Canção.

Procuro, primordialmente, sonoridades novas e interessantes. Considero-me com algum gosto musical e, desde que a música seja boa, ouço todos os géneros.

Tenho pena que, cada vez mais, a língua de eleição seja o inglês. Agrada-me a diversidade cultural e penso que podemos ser unidos nessa mesma diversidade.

Para este ano faço a seguinte seleção.

Estónia

Uma música excêntrica, talvez com algumas influências de Nick Cave & The Bad Seeds. Existem também alguns solos discretos de guitarra elétrica que se assemelham aos de Mark Knopfler... será por isso que gosto desta música?


Reino Unido

Sonoridade de disco riscado, visual e vozes dos anos 20 (do século XX), apimentadas com melodias mais digitais. Uma combinação diferente e inesperada.


Montenegro

Só pelos primeiros 30 segundos já merece ter uma posição de destaque no Festival. Depois, é cantada em Montenegrino, uma escolha de louvar. Uma música assente em raízes tradicionais, com muito bom gosto.


Quanto a Portugal, espero que a Leonor Andrade tenha corrigido as afinações. A presença em palco é fundamental (e ela tem-na) e a voz é bem colocada e poderosa mas eu sou particularmente sensível a desafinações. A música não é desengraçada, seguindo o estilo do seu compositor, mas também não é nada de radicalmente novo.



sexta-feira, abril 24, 2015

Conto - O Farol (2)

As escadas em caracol terminavam num patamar em madeira mesmo por baixo da maquinaria que fazia girar a luz forte do farol. Entre esta e o patamar não havia muito espaço... talvez uns dois metros de pé direito. O suficiente para albergar um estrado em jeito de cama, uma mesa, uma cadeira e um baú. O acesso à maquinaria fazia-se por uma escada vertical em madeira. Lá fora, o vento começara a soprar com maior intensidade e arremessava as gotas de chuva cada vez mais pesadas contra os postigos, de forma claramente audível. Um calafrio percorreu a espinha de Estêvão. Pressentiu que algo não iria correr bem naquela noite. Pela primeira vez sentiu medo. Um medo difícil de definir. Um sentimento de clausura e de solidão embalado pelas ondas do mar.

quinta-feira, abril 23, 2015

Conto - O Farol (1)

Estava uma noite com o céu carregado. Nem a lua ou as estrelas conseguiam aparecer sob o manto espesso de nuvens que se abatia em redor do velho farol. O caminho para lá chegar era íngreme, pedregoso e o avançar da escuridão dificultava ainda mais a tarefa para quem não conhecesse de cor todas as armadilhas daquela rota sinuosa. Tal não era o caso de Estêvão. Agarrado ao seu cachimbo fumegante, precisava apenas do instinto e da memória para chegar à porta enferrujada que dava acesso à edificação. Vasculhou no bolso das calças e encontrou a chave pesada, comida pelo passar do tempo, de dentes bem largos e limados pelo uso sucessivo. A porta abriu-se e a sua mão escorregou pela parede à altura certa para ligar um pequeno interruptor que inundou com uma luz fria e pálida o patamar inferior do velho farol. Fechou a porta atrás de si. Olhou para cima, para as escadas em caracol que o levariam aos patamares superiores e sentiu o cheiro da humidade salgada misturada com ferrugem. Um pingo ou outro caiam dos degraus e, por vezes, estragavam na sua passagem uma ou outra teia de aranha. Agarrado ao corrimão de pintura esverdeada, pé ante pé, foi subindo, à medida que provocava o ranger da estrutura metálica. Os postigos dispostos ao longo das escadas estavam a ser pintalgados por minúsculas gotas de chuva, prenúncio de uma tempestade que se avizinhava.

segunda-feira, abril 20, 2015

Estou vivo!

Neste interregno muita coisa aconteceu na minha vida. Hoje só passei para dizer que estou vivo e que a minha veia de prosa está inchada. Provavelmente começarei a colocar algum conteúdo que ressuscite este blogue. Aguardem.

Festival Eurovisão da Canção 2017

Desta vez é um comentário a posteriori , até porque assim se torna mais fácil fazer prognósticos. Comecemos pelo concurso interno portuguê...