sexta-feira, junho 10, 2022

Audiolivro - Poemas de Luiz Vaz de Camões (Português Europeu - Portugal)

Seleção pessoal de 22 poemas de Luiz Vaz de Camões (Luís Vaz de Camões na grafia moderna).

Luiz Vaz de Camões (1524-1580) é o grande poeta do maneirismo português. A 10 de junho, comemora-se o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

00:00 - Introdução 00:08 - A fermosura desta fresca serra 00:58 - Alegres campos, verdes arvoredos 01:43 - Alma minha gentil, que te partiste 02:27 - Amor é um fogo que arde sem se ver 03:13 - Aquela triste e leda madrugada 03:55 - Busque Amor novas artes, novo engenho 04:40 - Com que voz chorarei meu triste fado 05:24 - Descalça vai para a fonte 06:07 - Doces águas e claras do Mondego 06:53 - Endechas a ūa cativa 08:12 - Erros meus, má fortuna, amor ardente 08:54 - Eu cantarei de amor tão docemente 09:38 - Fermoso Tejo meu 10:28 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades 11:12 - O dia em que eu nasci, moura e pereça 11:53 - Pastora da serra 13:14 - Se, no que tenho dito, vos ofendo, 13:57 - Tanto de meu estado me acho incerto 14:42 - Transforma-se o amador na cousa amada 15:24 - Um mover d’olhos, brando e piadoso 16:07 - Verdes são os campos


Audiolivro - "O Mandarim" de Eça de Queiroz (Português Europeu - Portugal)

"O Mandarim" de Eça de Queiroz (Eça de Queirós, na grafia moderna) foi publicado originalmente em 1880 em folhetins e 1ª e 2ª edições em livro.

quinta-feira, maio 19, 2022

Vangelis



Gosto e sempre gostarei de Vangelis.

Isto fica bem patente pelas mensagens deste blogue em que ele figura:

Vangelis, nome artístico de Ευάγγελος Οδυσσέας Παπαθανασίου (lê-se Evángelos Odysséas Papathanassíu) era um compositor grego, nascido em Agria Volos a 29 de março de 1943.

Participou em bandas como Forminx e Aphrodite's Child, compôs músicas para documentários como "L'Apocalypse des Animaux" e "Sauvage et Beau". É também sua a banda sonora da aclamada série "Cosmos", apresentada por Carl Sagan. Já relativamente a bandas sonoras para filmes, temos os incontornáveis "Blade Runner", "Chariots of Fire" e "1492".

O seu primeiro nome, Évángelos, significa o "Anjo de Deus". Eu sempre olhei para Vangelis como alguém fora deste mundo. Alguém que, mesmo sem saber ler ou escrever música, tinha o toque de Midas sempre que mexia no teclado dos seus sintetizadores.

Dizia eu sobre ele:

Vangelis [...] é muito mais orgânico. Mais do que ambientes, cria atmosferas... leva-nos à criação do mundo e à vida selvagem e tribal (em L' Apocalypse des Animaux), passando pelo desbravar do Novo Mundo e de novos povos (em 1492 - The Conquest of Paradise), cria um futuro obscuro, poluído e cibernético (em Blade Runner) e finaliza mexendo com as minhas entranhas, na música visceral "12 O' Clock". No primeiro episódio de "Cosmos" (que revejo bastantes vezes), a música "Heaven and Hell" acompanha magistralmente a visão do oceano.

É difícil imaginar um mundo em que as criações de Vangelis não existissem. E é difícil imaginar um mundo em que o génio criativo de Vangelis não dará mais frutos.

Resta-nos revisitar muitas e muitas vezes a sua obra, apreciando a sua genialidade e a sua capacidade para nos tirar deste mundo e levar-nos a esferas mais altas da compreensão e da existência.

Obrigado, Vangelis, por tudo o que fizeste pela minha alma e pela beleza com que deleitas os meus ouvidos sempre que escuto uma música tua.

Até daqui a pouco, num dos encontros musicais que teremos e que sempre existirão enquanto eu próprio existir.

quinta-feira, fevereiro 03, 2022

Audiolivro e Animação "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente (Portugu...

Há já algum tempo que queria fazer um filme de animação.

Sempre gostei do "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente e, intervaladamente, durante três meses, trabalhei no projeto de transformá-lo num filme de animação.

Comecei por gravar as vozes, colocando alguns efeitos no Diabo, Joane e Brízida Vaz. 

Passei depois para a conceção das personagens, desenho em papel, digitalização e pintura. O desenho das personagens foi inspirado nos "Robertos", que em Portugal são fantoches de luva de cariz popular. 

A animação foi feita no programa Construct 3, sendo os movimentos dos braços, boca e translação, controladas pelo teclado do computador. A animação do rio, barcas, movimentos de translação do Anjo, Diabo e Cavalos (apenas translação vertical) eram pré-programadas.

O resultado está aqui! Espero que gostem!

domingo, dezembro 26, 2021

Audiolivro "Balada da Neve" de Augusto Gil (Português Europeu - Portugal)


Porque já estamos no inverno, sabe bem ouvir a "Balada da Neve" de Augusto Gil.
Lembro-me de ouvir este poema recitado pelo meu professor de Educação Visual na Escola Secundária Rainha Santa Isabel. Salvo erro, o nome dele, curiosamente, era Roque Leite Pires.

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

domingo, outubro 03, 2021

"Cântico do Irmão Sol" de S. Francisco de Assis

S. Francisco de Assis (1181? - 1226) compôs o "Cântico do Irmão Sol" em 1225 enquanto estava doente, na companhia de Santa Clara, na igreja de S. Damiano.


Lá no alto, todo-poderoso, bom Senhor,
para ti vão os louvores, a glória e a honra,
e todas as bênçãos.
A ti só, Altíssimo, eles são devidos;
e nenhum home é digno de pronunciar o teu nome.

Louvado sejas, Senhor meu, com todas as tuas criaturas:
especialmente monsenhor irmão sol
que dá o dia e com o qual tu nos iluminas;
ele é belo e radioso e de grande esplendor:
de ti, Altíssimo, ele é o símbolo.

Louvado sejas, Senhor meu, pela irmã lua e por todas as estrelas:
no céu tu as criaste, luminosas, preciosas e belas.

Louvado sejas, Senhor meu, pelo irmão vento,
pelo ar e pelas nuvens, e o céu puro, e todos os climas,
com os quais ajudas as tuas criaturas.

Louvado sejas, Senhor meu, pela irmã água,
que é tão útil e humilde, preciosa e casta.

Louvado sejas, Senhor meu, pelo irmão fogo,
com que iluminas a noite;
ele é belo e alegre, vigoroso e forte.

Louvado sejas, Senhor meu, pela irmã nossa mãe a terra,
que nos suporta e nos alimenta,
e produz frutos diversos com flores de mil cores, e a erva.


Louvado sejas, Senhor meu, por aqueles que perdoam por amor de ti,
e suportam dores e aflições;
bem-aventurados os que persistem na paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã a morte a que nenhum homem vivo pode escapar.
Desgraçados aqueles que morrem em estado de pecado mortal corporal!
Bem-aventurados aqueles que ela irá encontrar conformes com as tuas santíssimas vontades,
porque a segunda morte não lhes fará qualquer mal.

Louvai e bendizei o meu Senhor e rendei-lhe graças, e servi-o com grande humildade.

quarta-feira, setembro 29, 2021

Sir Clive Sinclair mudou a minha vida

No dia 16 de setembro de 2021, faleceu Sir Clive Sinclair, vítima de doença prolongada. Com certeza encontrará muitos vídeos no YouTube sobre a sua vida e as suas invenções. Este vídeo é diferente. É uma abordagem pessoal. Revela que uma das invenções de Sir Clive Sinclair conseguiu modificar a minha vida para sempre. Passo a explicar.

Falo, claro está, do ZX Spectrum, lançado no dia 23 de abril de 1982. Doze dias antes eu tinha celebrado o meu oitavo aniversário. No entanto, só cinco anos mais tarde é que consegui convencer os meus pais a oferecerem-me um clone do ZX Spectrum: o Timex Computer 2068. Certamente que a influência veio do meu vizinho de baixo. Lembro-me de ir a casa dele e de jogarmos jogos como “Commando”, “Monty on the Run”, “Chase H.Q.”, “Saboteur”, “Thanatos”, “Bruce Lee” ou “Nigel Mansel’s Grand Prix”. Mas cedo percebi que gostava mais de ver jogar do que jogar. Assim, como não tinha muito jeito para os jogos, comecei a ler o manual de programação BASIC que acompanhava o computador.

Algures no tempo, devo ter-me sentado em frente ao computador, inserido as instruções de um programa qualquer e de tê-lo posto a correr. Quando vi o computador a executar aquilo que eu lhe mandara fazer, tive uma espécie de epifania.

A minha imaginação fervilhava com ideias para jogos e quis aprender mais. Li avidamente todo o manual e consegui fazer um jogo do tipo Arkanoid. Quando falei ao meu pai que tinha feito um jogo e o convidei a vir experimentá-lo, ele ficou algo incrédulo. Mas assim que começou a jogá-lo, olhou para mim com ar de espanto: “Tu fizeste mesmo isto”? Eu disse-lhe que sim. Ao ver a minha paixão por aquele computador, o meu pai alimentou-a com mais livros que ia comprando aqui e ali. Eu devorava-os a todos.

O primeiro foi “49 explosive games for the ZX Spectrum” de Tim Hartnell, um excelente livro com jogos de todos os tipos.

Seguiram-se outros: “Creating Adventure Programs on the ZX Spectrum” de Peter Shaw e James Mortleman, com aventuras baseadas em texto ao estilo do “The Hobbit”; “60 games and applications for the ZX Spectrum” de David Harwood e “13 games for the ZX Spectrum” de Martin Wren-Hilton.

Mais tarde, recebi também o “Exploring Spectrum Basic” de Mike Lord, que com os truques que me ensinou, permitiu que desse um salto qualitativo nos meus programas.

Aos poucos, conceitos como matrizes, vetores, binários, lógica booleana, arquitetura de computadores e programação foram moldando o meu cérebro.

Porque também tenho algum jeito para desenho, lembro-me de trabalhar no “Art Studio” e construir loading screens para os meus jogos, para além de idealizar e fazer todos os gráficos utilizados: pegar em papel quadriculado, desenhar os gráficos em quadrados de 8 por oito, converter cada linha para binário e introduzir os gráficos no computador sob a forma de UDG (User defined Graphics).

Os computadores de oito bits podem estar ultrapassados... podem ser verdadeiras relíquias cheias de pó para os pré-adolescentes de hoje... mas têm os seus encantos. Os limites tecnológicos de então tinham de ser compensados com a imaginação de quem os utilizava.

sábado, setembro 11, 2021

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Audiolivro - "Livro de Mágoas" de Florbela Espanca (Português Europeu -...

Já falei noutro post que a M. S. "apresentou-me" à poesia de Florbela Espanca.
Desta feita, resolvi convertê-lo para audiolivro.

"Livro de Mágoas" de Florbela Espanca foi publicado originalmente em 1919, tendo sido a sua primeira obra poética.
Florbela Espanca (1894 - 1930) é uma das mais importantes poetisas portuguesas.


sexta-feira, julho 30, 2021

Audiolivro - "A Invenção do Dia Claro" de Almada Negreiros (Português ...

Desta vez, foi uma descoberta para mim. Confesso que nunca tinha lido nada de Almada Negreiros.

No entanto, "A Invenção do Dia Claro" não me era totalmente estranho. Depois de matutar, descobri que é um álbum homónimo dos Capitão Fausto.


Se tivesse de escolher um excerto da obra de Almada Negreiros, seria este:

+A FLOR+

—«Je travaille tant que je peux et le mieux que je peux, toute la journée. Je donne toute ma mesure, tous mes moyens. Et après, si ce que j'ai fait n'est pas bon, je n'en suis plus responsable; c'est que je ne peux vraiement pas faire mieux.»

Henri Matisse.

Pede-se a uma creança. Desenhe uma flor! Da-se-lhe papel e lapis. A creança vae sentar-se no outro canto da sala onde não ha mais ninguem.

Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas n'uma direcção, outras n'outras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais faceis, outras mais custosas. A creança quiz tanta força em certas linhas que o papel quasi que não resistiu.

Outras eram tão delicadas que apenas o pezo do lapis já era demais.

Depois a creança vem mostrar essas linhas ás pessôas: Uma flôr!

As pessôas não acham parecidas estas linhas com as de uma flôr!

Comtudo, a palavra flôr andou por dentro da creança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, á procura das linhas com que se faz uma flôr, e a creança pôz no papel algumas d'essas linhas, ou todas. Talvez as tivesse pôsto fóra dos seus logares, mas, são aquellas as linhas com que Deus faz uma flôr!


quinta-feira, julho 22, 2021

Now We Are Free

Se há uma música que me faz arrepiar dos pés à cabeça sempre que a oiço, é esta: "Now We Are Free" composta por Hans Zimmer.

Muita da culpa desses arrepios é a voz de Lisa Gerrard, que atravessa seguramente três oitavas.

Comprovem por vocês mesmos...

Audiolivro - Poemas de Luiz Vaz de Camões (Português Europeu - Portugal)

Seleção pessoal de 22 poemas de Luiz Vaz de Camões (Luís Vaz de Camões na grafia moderna). Luiz Vaz de Camões (1524-1580) é o grande poeta d...