quarta-feira, janeiro 19, 2011

Compreender a cegueira às cores

Ainda na temática do último post, vou tentar explicar melhor quais os tipos de cegueira às cores que existem. Mas, antes disso, convém contextualizar toda esta problemática.

A cegueira às cores será tão velha quanto o ser humano mas só no século XVIII é que houve um cientista que, sofrendo desta anomalia, descreveu-a cientificamente. O seu nome é John Dalton, razão pela qual também se conhece a cegueira às cores por daltonismo.

Anatomia do olho humano

A anatomia do olho humano pode ser observada na Figura 1.

Figura 1 - Anatomia do olho humano
(adaptado de http://olhohumano.wordpress.com)

Corpo Ciliar - É constituído por duas porções básicas: os processos ciliares, onde se produz o humor aquoso (líquido entre a córnea e a íris) e o músculo ciliar, responsável pelo processo de acomodação, onde se prendem os ligamentos do cristalino.

Córnea - É uma estrutura transparente que cobre o sexto anterior do olho. A transição para a esclerótica é progressiva.

Cristalino - As faces anterior e posterior do cristalino formam uma lente biconvexa que permite a focagem. Essa focagem é conseguida quando os ligamentos que unem o cristalino ao corpo ciliar o tracionam.

Pupila - Abertura na íris que permite a passagem da luz para o interior do olho.

Íris - Situa-se à frente do cristalino. É o músculo existente na borda pupilar que permite a passagem de mais ou menos luz para o interior do olho.

Ligamentos - Unem o cristalino ao corpo ciliar, permitindo, pelo seu tracionamento, a mudança da geometria do cristalino e, consequentemente, a capacidade de focagem.

Esclerótica - É o que envolve o olho, dando-lhe proteção e sustentação.

Coróide - Situa-se atrás da retina e nutre-a através de um novelo vascular.

Retina - É a estrutura fundamental do olho. Subdivide-se numa porção "periférica" (em que predominam os fotorecetores conhecidos como bastonetes) e numa "central" (em que são mais abundantes os cones). Os bastonetes são sensíveis a baixas intensidade luminosas, dando uma visão com baixa resolução e acromática. Os cones são ativados por intensidades luminosas relativamente altas, dando uma visão cromática de alta resolução.

Mácula - Nesta zona da retina só existem cones e corresponde à área de maior acuidade visual (9 a 13º de abertura angular no campo visual).

Humor Vítreo - É uma massa gelatinosa transparente que garante ao olho a sua forma globular, atravessado no seu centro por um fino canal designado canal hioideu.

Nervo Ótico - O nervo ótico é responsável por enviar para o cérebro a imagem invertida captada pelos olhos para ser interpretada.

A origem da cegueira às cores

Os cones apresentam sensibilidades diferenciadas, captando a luz em diversos comprimentos de onda. Existem cones que captam ondas longas (vermelho), outros ondas curtas (azul e violeta) e outros os comprimentos intermédios (amarelo e verde).

Numa pessoa daltónica, existe a falta de um ou mais tipos de cones (protanopia, deuteranopia, tritanopia, acromatopsia
) ou, pelo menos, problemas no seu normal funcionamento (protanomalia, deuteranomalia, tritanomalia).

Nos parágrafos que se seguem, tenha em mente a Figura 2 que mostra a mistura aditiva e subtrativa de cores, tal qual é vista por uma pessoa com visão normal. As figuras 3 a 6 simulam a forma como as pessoas com cegueira às cores apreendem esta imagem.

Figura 2 - Mistura aditiva e subtrativa de cores

Deuteranopia (comum)

Ausência ou deficiência (designada por deuteranomalia ou tricromacia anómala) dos cones com sensibilidade às ondas intermédias (amarelo e verde), traduzindo-se na incapacidade de distinguir o vermelho do verde. O magenta e o ciano também são difíceis de distinguir.


Figura 3 - Deuteranopia

Protanopia (raro)

Ausência ou deficiência (designada por protanomalia ou tricromacia anómala) dos cones com sensibilidade às ondas longas (vermelho), traduzindo-se noutra forma da incapacidade de distinguir o vermelho do verde. O ciano e o magenta parecem ser a mesma cor alterada apenas no que respeita à luminosidade. O amarelo e o verde também são pouco distiguíveis; parecem ser a mesma cor alterada apenas no que respeita à luminosidade.

Figura 4 - Protanopia

Tritanopia (muito raro)


Ausência ou deficiência (tritanomalia) dos cones com sensibilidade às ondas curtas (azul e violeta), traduzindo-se na incapacidade de distinguir o azul do verde. O ciano e o verde parecem ser a mesma cor alterada apenas no que respeita à luminosidade.

Figura 5 - Tritanopia

Acromatopsia (muito raro)

Estado patológico da visão no qual o indivíduo não possui capacidade de distinguir as cores devido à escassez de cones na retina, sendo sensível apenas à presença de luminosidade. Note-se que, na mistura aditiva, as cores secundárias distinguem-se mal umas das outras e na mistura subtrativa o ciano, o verde, o vermelho e o magenta também são muito difíceis de distinguir uns dos outros.


Figura 6 - Acromatopsia

Simular os vários tipos de cegueira às cores

Quem desenha para a Web deverá preocupar-se com a forma como os utilizadores finais apreendem a informação baseada na cor, nomeadamente, se é bem interpretada e se tem o contraste suficiente entre cores para que se distingam entre si. Note que, embora as cores que se encontrem em oposição (complementares) nestes círculo se distingam melhor umas das outras, para os utilizadores com visão normal pode causar o fenómeno de estridência (as cores parecem vibrar quando se juntam, traduzindo-se num efeito desagradável).

Existe um software que simula os vários tipos de cegueira às cores. Tem o nome Color Oracle e existem versões para Windows, Linux e Macintosh. Depois de instalado, vive na barra de ferramentas e permite simular a forma como um indivíduo com protanopia, deuteranopia ou tritanopia vê o ecrã.

Existe também a possibilidade de optimizar imagens para os utilizadores com cegueira às cores. A página Vischeck - Daltonize proporciona uma ferramenta on-line que permite fazer o upload de imagens para serem tratadas e disponibilizadas de seguida para download, gratuitamente.

Teste para o despiste da cegueira às cores

Não sabe se tem algum tipo de cegueira às cores? Faça o Color Blind Test by Jean Jouannic Opticien. É evidente que, para ter uma resposta mais profissional, deverá consultar um médico.

Fontes:

3 comentários:

Paulo Barreiro de Sousa disse...

Parabéns Vítor, escreveste um post muito interessante e pertinente. Continuação de um bom trabalho.

Um abraço,
Paulo Sousa

Tiago OS disse...

Bom Post, Parabens!

Tiago OS disse...

Bom Post, Parabens!

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