sexta-feira, abril 24, 2015

Conto - O Farol (2)

As escadas em caracol terminavam num patamar em madeira mesmo por baixo da maquinaria que fazia girar a luz forte do farol. Entre esta e o patamar não havia muito espaço... talvez uns dois metros de pé direito. O suficiente para albergar um estrado em jeito de cama, uma mesa, uma cadeira e um baú. O acesso à maquinaria fazia-se por uma escada vertical em madeira. Lá fora, o vento começara a soprar com maior intensidade e arremessava as gotas de chuva cada vez mais pesadas contra os postigos, de forma claramente audível. Um calafrio percorreu a espinha de Estêvão. Pressentiu que algo não iria correr bem naquela noite. Pela primeira vez sentiu medo. Um medo difícil de definir. Um sentimento de clausura e de solidão embalado pelas ondas do mar.

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