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quinta-feira, maio 19, 2022

Vangelis



Gosto e sempre gostarei de Vangelis.

Isto fica bem patente pelas mensagens deste blogue em que ele figura:

Vangelis, nome artístico de Ευάγγελος Οδυσσέας Παπαθανασίου (lê-se Evángelos Odysséas Papathanassíu) era um compositor grego, nascido em Agria Volos a 29 de março de 1943.

Participou em bandas como Forminx e Aphrodite's Child, compôs músicas para documentários como "L'Apocalypse des Animaux" e "Sauvage et Beau". É também sua a banda sonora da aclamada série "Cosmos", apresentada por Carl Sagan. Já relativamente a bandas sonoras para filmes, temos os incontornáveis "Blade Runner", "Chariots of Fire" e "1492".

O seu primeiro nome, Évángelos, significa o "Anjo de Deus". Eu sempre olhei para Vangelis como alguém fora deste mundo. Alguém que, mesmo sem saber ler ou escrever música, tinha o toque de Midas sempre que mexia no teclado dos seus sintetizadores.

Dizia eu sobre ele:

Vangelis [...] é muito mais orgânico. Mais do que ambientes, cria atmosferas... leva-nos à criação do mundo e à vida selvagem e tribal (em L' Apocalypse des Animaux), passando pelo desbravar do Novo Mundo e de novos povos (em 1492 - The Conquest of Paradise), cria um futuro obscuro, poluído e cibernético (em Blade Runner) e finaliza mexendo com as minhas entranhas, na música visceral "12 O' Clock". No primeiro episódio de "Cosmos" (que revejo bastantes vezes), a música "Heaven and Hell" acompanha magistralmente a visão do oceano.

É difícil imaginar um mundo em que as criações de Vangelis não existissem. E é difícil imaginar um mundo em que o génio criativo de Vangelis não dará mais frutos.

Resta-nos revisitar muitas e muitas vezes a sua obra, apreciando a sua genialidade e a sua capacidade para nos tirar deste mundo e levar-nos a esferas mais altas da compreensão e da existência.

Obrigado, Vangelis, por tudo o que fizeste pela minha alma e pela beleza com que deleitas os meus ouvidos sempre que escuto uma música tua.

Até daqui a pouco, num dos encontros musicais que teremos e que sempre existirão enquanto eu próprio existir.

quarta-feira, setembro 29, 2021

Sir Clive Sinclair mudou a minha vida

No dia 16 de setembro de 2021, faleceu Sir Clive Sinclair, vítima de doença prolongada. Com certeza encontrará muitos vídeos no YouTube sobre a sua vida e as suas invenções. Este vídeo é diferente. É uma abordagem pessoal. Revela que uma das invenções de Sir Clive Sinclair conseguiu modificar a minha vida para sempre. Passo a explicar.

Falo, claro está, do ZX Spectrum, lançado no dia 23 de abril de 1982. Doze dias antes eu tinha celebrado o meu oitavo aniversário. No entanto, só cinco anos mais tarde é que consegui convencer os meus pais a oferecerem-me um clone do ZX Spectrum: o Timex Computer 2068. Certamente que a influência veio do meu vizinho de baixo. Lembro-me de ir a casa dele e de jogarmos jogos como “Commando”, “Monty on the Run”, “Chase H.Q.”, “Saboteur”, “Thanatos”, “Bruce Lee” ou “Nigel Mansel’s Grand Prix”. Mas cedo percebi que gostava mais de ver jogar do que jogar. Assim, como não tinha muito jeito para os jogos, comecei a ler o manual de programação BASIC que acompanhava o computador.

Algures no tempo, devo ter-me sentado em frente ao computador, inserido as instruções de um programa qualquer e de tê-lo posto a correr. Quando vi o computador a executar aquilo que eu lhe mandara fazer, tive uma espécie de epifania.

A minha imaginação fervilhava com ideias para jogos e quis aprender mais. Li avidamente todo o manual e consegui fazer um jogo do tipo Arkanoid. Quando falei ao meu pai que tinha feito um jogo e o convidei a vir experimentá-lo, ele ficou algo incrédulo. Mas assim que começou a jogá-lo, olhou para mim com ar de espanto: “Tu fizeste mesmo isto”? Eu disse-lhe que sim. Ao ver a minha paixão por aquele computador, o meu pai alimentou-a com mais livros que ia comprando aqui e ali. Eu devorava-os a todos.

O primeiro foi “49 explosive games for the ZX Spectrum” de Tim Hartnell, um excelente livro com jogos de todos os tipos.

Seguiram-se outros: “Creating Adventure Programs on the ZX Spectrum” de Peter Shaw e James Mortleman, com aventuras baseadas em texto ao estilo do “The Hobbit”; “60 games and applications for the ZX Spectrum” de David Harwood e “13 games for the ZX Spectrum” de Martin Wren-Hilton.

Mais tarde, recebi também o “Exploring Spectrum Basic” de Mike Lord, que com os truques que me ensinou, permitiu que desse um salto qualitativo nos meus programas.

Aos poucos, conceitos como matrizes, vetores, binários, lógica booleana, arquitetura de computadores e programação foram moldando o meu cérebro.

Porque também tenho algum jeito para desenho, lembro-me de trabalhar no “Art Studio” e construir loading screens para os meus jogos, para além de idealizar e fazer todos os gráficos utilizados: pegar em papel quadriculado, desenhar os gráficos em quadrados de 8 por oito, converter cada linha para binário e introduzir os gráficos no computador sob a forma de UDG (User defined Graphics).

Os computadores de oito bits podem estar ultrapassados... podem ser verdadeiras relíquias cheias de pó para os pré-adolescentes de hoje... mas têm os seus encantos. Os limites tecnológicos de então tinham de ser compensados com a imaginação de quem os utilizava.

quinta-feira, julho 22, 2021

Now We Are Free

Se há uma música que me faz arrepiar dos pés à cabeça sempre que a oiço, é esta: "Now We Are Free" composta por Hans Zimmer.

Muita da culpa desses arrepios é a voz de Lisa Gerrard, que atravessa seguramente três oitavas.

Comprovem por vocês mesmos...

quarta-feira, junho 26, 2019

Shallow



Tell me somethin', girl
Are you happy in this modern world?
Or do you need more?
Is there somethin' else you're searchin' for?

I'm falling
In all the good times I find myself
Longin' for change
And in the bad times I fear myself

Tell me something, boy
Aren't you tired tryin' to fill that void?
Or do you need more?
Ain't it hard keeping it so hardcore?

I'm falling
In all the good times I find myself
Longing for change
And in the bad times I fear myself

I'm off the deep end, watch as I dive in
I'll never meet the ground
Crash through the surface, where they can't hurt us
We're far from the shallow now

In the shallow, shallow
In the shallow, shallow
In the shallow, shallow
We're far from the shallow now

Oh, oh, oh, oh
Whoah!

I'm off the deep end, watch as I dive in
I'll never meet the ground
Crash through the surface, where they can't hurt us
We're far from the shallow now

In the shallow, shallow
In the shallow, shallow
In the shallow, shallow
We're far from the shallow now

segunda-feira, maio 14, 2018

Festival Eurovisão da Canção 2018

Como é tradição, aqui vai a minha apreciação do Festival da Eurovisão deste ano.

E o vencedor é...

...novamente Salvador Sobral!

Sim. É verdade. Salvador salvou o Festival com a canção que interpretou durante o "intervalo". Quanto ao resto, foi paisagem. E, desculpem-me a franqueza, mas não consigo ver nada de interessante na música da "galinha" israelita.

Longe vão os tempos de "Ah-Bah-Nee-Bee" (1978)...



""Hallelujah" (1979) ...



ou mesmo de "Diva" (1998) ...



Fiquem então com o verdadeiro vencedor deste ano com a sua atuação no festival...



ou com o vídeo oficial de "Mano a Mano".



Vim chorar a minha pena
No teu ombro e, afinal,
A mesma dor te condena
Choras tu do mesmo mal

Irmãos gémeos no tormento
Filhos da mesma aflição
Nenhum dos dois tem alento
Pr'a dar ao outro uma mão

O amor não nos quer bem
Ninguém nos há-de valer
Se um perde aquilo que tem
E o outro não chega a ter

Só nos resta o mano a mano
Se não queremos ficar sós
Deixa lá o teu piano
Namorar a minha voz

segunda-feira, setembro 03, 2012

Isto não é um post no meu blogue

Muitas vezes aquilo que parece, não é. Hoje acabei de descobrir isso mesmo ao descer ao piso -1 do local onde trabalho. Comecemos por colocar uma imagem que ilustre este não post.



Tem aspeto de porta, parece uma porta, tem todos os elementos que caracterizam uma porta, cheira a porta e... no entanto... não é uma porta. É, quando muito, uma semiporta. Senão vejamos:

"Porta - abertura em geral retangular, feita numa parede ao nível do pavimento, para permitir a entrada ou saída" in Infopédia.

Existe uma definição mais lacónica:

"Portaabertura para entrar ou sair." in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

A semiporta em questão não permite sair. Não verifiquei do outro lado para saber se permitia a entrada. Daí que tenha dito que, quando muito, é uma semiporta. Se não der para entrar também, direi que é uma não porta, uma sucedânea de porta ou, o que é mais grave, uma simulação de porta.

Incrédulo com o panorama que estava à minha frente, enchi-me de coragem e tentei transpor a dita semiporta. Empurrei o manípulo horizontal e, qual não é o meu espanto, a semiporta abriu-se, permitindo-me ter um vislumbre do mundo que está do outro lado da semiporta. Pareceu-me de facto o lado exterior do edifício, com ligação para o espaço aberto que é o nosso planeta terra a poucos metros de distância. Fiquei-me por aqui. Gosto de cumprir regras e não transpuz a semiporta. Confesso... tive receio do que pudesse existir do outro lado. Uma falsa porta como esta pode conduzir-nos a uma falsa realidade... pode dar-nos passagem para outro espaço-tempo que não o nosso, fazendo-nos viver uma vida falsa, porque vivida nessa falsa realidade. Vi demasiados episódios do Fringe para sequer tentar atravessar a semiporta.

Se a porta elétrica do piso 0 alguma vez não funcionar, não sei como poderei sair do edifício... pelo menos sem desvirtuar o conceito que tenho enraizado desde a minha infância sobre janelas. Isto para já não falar numa situação de emergência!

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Um farol ao estilo de Monkey Island 4

Já devo ter referido que nunca fui muito de jogar no computador e que no tempo do meu Timex 2068 preferia passar o tempo a programar do que a jogar. Quando por volta de 1994-95 aderi ao mundo dos PC (pelas mãos de um HP Vectra VL2 4/66), comecei a jogar mais. Em 1998 travei conhecimento com o jogo "Monkey Island 4 - Escape from Monkey Island". Eu já era um verdadeiro aficionado da saga Monkey Island mas o que mais me cativou no Monkey Island 4 foi o grafismo do jogo. A influência foi tal que durante algum tempo desenhei bastantes coisas com luas desproporcionadas e nuvens que faziam lembrar bolos de massa enrolada, tudo conjugado com temas náuticos. Desses desenhos resgatei este que vos apresento que, além da lua desproporcionada e das nuvens enroladas, também tem um farol e um vulcão. Os faróis são, para mim, construções míticas que fazem parte do meu imaginário. Nada melhor - pensava eu quando era pequeno - do que estar num farol, enrolado num cobertor, durante a noite, enquanto as vagas alterosas fustigavam as paredes da edificação e a luz, girando, avisava as embarcações distantes que se aproximavam de terra.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Já Cheira a Natal!

Pelo menos lá em casa...

Ontem não escapou. Montei a árvore e o presépio com a ajuda da minha esposa. Custou menos a montar do que julgávamos (já não nos recordávamos do que tinha custado nos três Natais passados) e acabámos por assumir que, devido a termos montado a árvore e o presépio bastante perto do Natal, também a iríamos manter mais um pouco depois dos Reis.



O presépio, ainda que bonito, ainda não é o ideal. Trata-se de uma peça única e grande parte das recordações que eu e a minha esposa temos, é do presépio montado com figurinhas ao estilo das cascatas de S. João. Portanto, o próximo passo é arranjar um lugar onde se vendam esse tipo de figurinhas.


O tempo de Natal tem uma magia própria. Isso é inegável. São estes primeiros passos que nos orientam ao longo do Advento e tudo culmina com a reunião familiar à volta de um bom prato de bacalhau com batatas.

Este ano não deixemos de ser solidários para que todos possam ter um Natal de sonho!

quarta-feira, novembro 24, 2010

De Greve (uma espécie de...)

Hoje foi o dia em que estive mais próximo de fazer uma greve. Só não o fiz porque não vejo que haja espaço para qualquer consequência positiva que possa advir desta greve. O país está em maus lençóis e as medidas que estão a ser tomadas podem até não ser as suficientes (com certeza não serão) para conseguir encarreirar novamente as coisas. Se fizesse greve seria pelas razões que vou enumerar e não pelas razões que apontam para se fazer greve. Assim sendo, esta é a forma encontrada de fazer greve: expressar a minha opinião sobre o estado da nação.
  • O governo parece ignorar a regra básica de qualquer administrador que se preze e que consiste em não se gastar mais do que o que se ganha;
  • O governo só agora começou a implementar políticas contra o despesismo em todos os sectores do estado;
  • O governo teima em não apoiar sectores de actividade que poderão gerar riqueza interna e diminuir a nossa dependência do estrangeiro;
  • O governo continua a apoiar o laxismo das pessoas ao fazer com que continuem a optar pelo rendimento mínimo em detrimento de um trabalho;
  • O governo não consegue livrar-se dos jobs for the boys mesmo que isso implique colocar pessoas incompetentes em cargos que não são mais que uma segunda escolha para candidatos autárquicos falhados, entre outros;
  • O governo e o povo português continuam a viver acima das suas possibilidades;
  • O povo português valoriza o chico-espertismo;
  • O povo português tenta sempre contornar a lei e o estado para tirar um benefício próprio;
  • etc.
Duas ressalvas  para esta  pequena lista. O termo "governo" aplica-se a este governo e em maior ou menor grau a todos os governos pós 25 de Abril (realidades anteriores são-me menos familiares). O termo "povo português" é talvez demasiado abrangente mas, infelizmente, são cada vez mais aqueles que se encaixam nesta amálgama.

Parece que já adivinho a discussão estéril entre o governo e os sindicatos sobre a percentagem de grevistas em cada sector de actividade, que segue as fórmulas empíricas:

Governo: ( 0 + x ) % de grevistas
Sindicatos: ( 100 - x ) % de grevistas

Com x < 30 % e a tender para zero.

Como conclusão, o governo até poderá dizer que "a fraca adesão à greve é um sinal claro de que os portugueses percebem a grave crise em que o país se encontra (originada pela conjuntura mundial) e que estas são as políticas correctas para se ultrapassar a situação". Só que não percebe, ou finge não perceber, que a revolta está no facto de que tudo isto poderia e deveria ter sido evitado.



Olho Vivo e Zé d'Olhão
Herman José e Joel Branco

Esta vida é um fadinho
Que põe um homem de molho.

- Eu finjo que sou ceginho!
- Eu tenho um g'anda olho...
 
  Olho Vivo!

- Zé d'Olhão!

Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:

- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!

  Isto é que vai uma vida
  Cá neste meu Portugal!
  Uns a dizer que 'tá bem
  E eu me'mo a ver que 'tá mal!

- Eu não sou de mandar vir
  Mandar a bronca não escolho!
  Mas há coisas a pedir
  Um granda soco no olho!

- Ó terra do chico-esperto
  Ó terra do Zé Foguetes
  Que está sempre de olho aberto
  Mas enfia os seus barretes!

- Há muitos oportunistas
  A ver s'a coisa s'ajeita
  Por um olho olham para a esquerda
  Pelo outro olham p'á direita!

  Olho vivo!

- Zé d'Olhão!

Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:

- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!

  As crises neste país
  São semp'a me'ma receita!
  Ora são fúrias da esquerda
  Ora ataques da direita!

- Um homem não é de ferro
  E as crises não são de bronze!
  O país é com'ós bêbados
  Está entre as dez e as onze!

- A época espacial
  Finalmente 'tá a surgir
  Nas terras de Portugal
  Onde 'tá tudo a subir!

- Olha p'ó custo de vida
  Sei eu e sabes tu!
  'té parece um foguetão
  Que leva fogo no cu!

  Olho vivo!

- Zé d'Olhão!

Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:

- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!

  C'os cintos de segurança
  Nos carros nada sacode!
  É mais um cinto à'pertar
  A barriga do pagode!

- Os cravos da revolução
  'tamos a pagar com juro!
  Pois o cinto português
  Já vai no último furo!

- Ó terra de boa gente,
  Ó terra dos meus amores
  Tudo quer independência
  'té a Madeira e os Açores!

- Se a coisa assim continua
  'tá-se a ver que qualquer dia
  'té damos a independência
  Ao Barreiro e a Leiria!

Esta vida é um fadinho
Que põe um homem de molho.

- Eu finjo que sou ceginho!
- Eu tenho um g'anda olho...
 
  Olho Vivo!

- Zé d'Olhão!

Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:

- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!

terça-feira, setembro 07, 2010

Meio-Silêncio

Não sou poeta. Escrevi esta prosa semi-poética em Novembro de 1997, numa altura em que estava emocionalmente sensível. Para ser poeta, penso que seria necessário ter episódios destes mais amiúde, o que pode ser bom mas também pode ser mau. Acabei por achar que o texto tinha a qualidade mínima suficiente para incluí-lo no meu blogue.

Estas linhas, escrevo-as ao acaso, enquanto espero por um final de tarde.

Lembro-me que são duas horas e eu aqui... num banco de jardim, alimentado pela brisa que passa e por algumas folhas amarelecidas que rodopiam à minha frente.

E é tão  bom parar! Eu que pensava ser este um lugar para os reformados, para aqueles que já não têm muito a esperar da vida, enganei-me. O barulho suave - se há algum barulho suave, é este - do chafariz que enfeita um dos cantos deste jardim, consegue ser um bom conselheiro.

Entretenho-me a ver as pessoas passar. Cada qual na sua vida, uma ou outra circunstância fez com que passassem por aqui neste momento em que estou receptivo ao que se passa à minha volta.

Estamos em meados de novembro. É natural que esteja um pouco frio. Eu, enquanto arrefeço, penso na minha vida.

Por acaso, numa daquelas atitudes irreflectidas, encostei a mão ao meu ouvido esquerdo. Fiquei assim, num estado de semi-surdez e os sons pareceram mais graves. Imaginei como seria a minha vida se não conseguisse ouvir. Naquele instante, tudo me pareceu poético: o movimento das pessoas, os risos das crianças, os automóveis que passavam, todos embebidos em meio-silêncio.

Estranho... ouço o bater do meu coração, o compasso da natureza. Ora acelerado, ora embalado em doces recordações. Tudo isto num banco de jardim, num qualquer princípio de tarde.

Nas minhas mãos tenho um guarda-chuva que, se calhar, não terei oportunidade de utilizar hoje. Ajuda também a guiar os meus passos e gosto de fazê-lo rodopiar, tendo por eixo a minha mão.

É altura de tomar caminho, numa terra que não é a minha, mas na qual me sinto em casa.

Guardo estas sensações porque sei que sonharei com elas mais tarde ou mais cedo.

Em breve partirei de comboio para a minha cidade, numa linha que já conheço bem. Não apreciarei a paisagem pois estará escuro, mas a viagem embalará o meu sono.

Alguns procuram um sentido para a vida. Na minha vida eu procuro lugares, pessoas, atmosferas, sons, amor. Coisas simples, coisas belas, que o Homem tanto estima porque lhe está na própria natureza. 

terça-feira, julho 27, 2010

Teletransporte

Se houvesse esta tecnologia, bem ao estilo de Star Trek, gostaria de ser teletransportado do meu local de trabalho (aka Sauna) para o Campo Pequeno... e ficar lá... calmamente... à espera de Mark Knopfler. Talvez levasse novamente com o brilho da guitarra mítica nas trombas, como aconteceu em 1996 no Coliseu do Porto. Desta vez Mark, desculpa-me. Não vou poder ir. A minha alma sofre e espera por uma próxima oportunidade.

sexta-feira, julho 09, 2010

Os Teóricos Falhados

Hoje passei em frente da livraria da Porto Editora situada na Praça Dona Filipa de Lencastre e deparei-me com um livro da ex-Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, intitulado: "A Escola Pública Pode Fazer a Diferença". Estava com 10% de desconto. Custava €20.19 e custa agora €18.18. Foi lançado há pouco tempo.

Vamos lá a ver... um livro lançado há pouco tempo e já com desconto... hum... se calhar não tem as vendas que era suposto ter. Isto pode ser um palpite maluco, mas para conseguirem vender algum livro, têm de colocar aquilo ao desbarato.

Maria de Lurdes Rodrigues faz parte do rol de pessoas que teoriza muito sobre um determinado assunto mas, quando tem oportunidade de colocar as mãos na massa e passar da teoria à prática, não consegue fazer nada que jeito tenha. O mais interessante é que existem logo legiões de pessoas a prestarem vassalagem às suas ideias, ignorando, porventura, que mais importante do que DIZER é FAZER.

Sem pensar muito, lembro-me de outros teóricos falhados como Mário Soares e Marcelo Rebelo de Sousa. A sorte de todos eles é que o povo tem memória curta.

segunda-feira, junho 21, 2010

José Saramago

Não posso deixar de comentar a morte do segundo Prémio Nobel português. Para lá de todas as polémicas, extinguiu-se um dos expoentes máximos da literatura portuguesa, reconhecido mundialmente.

Tive oportunidade de o ver pessoalmente na 76ª Feira do Livro do Porto, numa sessão de autógrafos, como comprova o meu post "Ensaio sobre a Cegueira".

Os calores daquele verão tórrido de 2006 fizeram-me escrever um post influenciado pelo estilo de escrita de José Saramago. Intitulei-o "Calor Saramagado".

Dei-me conta que deixei o livro "Ensaio sobre a Cegueira" a meio. Para além das palmas, das lágrimas, da bandeira a tapar o caixão, dos cravos e das frases proferidas no seu funeral, penso que a melhor homenagem que lhe podemos prestar é ler os seus livros.

terça-feira, junho 15, 2010

Variar o ramo de negócio

Existe uma coisa que marcará para todo o sempre este mundial de futebol: a vuvuzela. Aquela espécie de instrumento musical em plástico, feito na China e que adverte para o facto de não ser um brinquedo (não vá haver um processo levantado pelos pais de um miúdo que teve a infeliz sorte de ter um coleguinha que lhe vuvuzelou para os ouvidos, subtraindo-lhe a capacidade auditiva).

Num momento de feliz inspiração (ironia), os criativos da Galp decidiram aliar esta marca de combustíveis à vuvuzela. Esta ligação não é desprovida de fundamento. Trata-se de variar o ramo de negócio. Além da poluição química dos combustíveis, existe agora a poluição sonora das vuvuzelas.

Para mim, o futebol passou a ser ainda mais insuportável.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Música Essencial

Hoje quis fazer uma colectânea de músicas para colocar no telemóvel e acabei por chegar a 73 músicas que considero indispensáveis (sem as quais não me imagino a viver). Apresentarei, para cada grupo, uma pequena história de como comecei a ouvi-los.

ABBA
Devo ao meu pai e às suas cassetes o primeiro contacto que tive com os ABBA, mais precisamente com o álbum "Voulez-Vous".
  • Another Town, Another Train
  • Eagle
  • Move On
  • One of Us
  • S.O.S.
  • The Day Before You Came
  • The Piper
Amy Winehouse
A minha amiga e colega de trabalho A.F.O. deixou-me ouvir algumas músicas desta excêntrica cantora. Diga-se o que se disser, a Amy soube colocar a sua alma na música e na letra.
  • Rehab
  • You Know I'm No Good
  • Back to Black
  • Tears Dry On Their Own
Carlos Paredes
Foi um dos casos em que conheci primeiro a música do que o autor. Os documentários mais antigos da RTP, quando retratavam Portugal, invariavelmente colocavam música de Carlos Paredes. Na minha mente, sempre associei imagens a preto-e-branco bucólicas sobre Portugal e as suas gentes à música de Carlos Paredes.
  • In Memoriam
  • Balada de Coimbra
  • Verdes Anos
Eagles
Lembro-me de ouvir Hotel California num rádio de automóvel e de ter pensado "não vou descansar enquanto não souber quem são estes tipos" (apanhei a música a meio).
  • Hotel California (live on "Hell Freezes Over")
Enigma
Num passeio do secundário à Costa da Caparica (1990), fomos parar a uma discoteca pequena onde, pela primeira vez ouvi esta sonoridade que me hipnotizou.
  • Dancing With Mephisto
  • Gravity of Love
  • Morphing Thru Time
  • Principles of Lust
  • Return to Innocence
  • Sitting on the Moon
Gipsy Kings
Ouvi-os pela primeira vez numa cassete manhosa do meu antigo vizinho do segundo andar da casa dos meus pais quando ainda era criança.
  • Aven, Aven
  • Como Siento Yo
  • Duende
  • Galaxia
  • Legende
  • Luna de Fuego
  • Tampa
Heroes del Silencio
Esta magnífica banda Espanhola foi-me dada a conhecer (1997) pela minha amiga de Braga M.S. que é sua fã nº1... principalmente do vocalista.
  • Heroe de Leyenda
Keane
Mais uma vez tenho de agradecer à A.F.O. por me apresentar a música desta banda.
  • Bend and Break
  • Everybody's Changing
  • She Has No Time
  • Bedshaped
Madonna
Não sou particularmente fã da música da Madonna, mas ao ver na televisão o video-clipe desta música pensei: aqui está uma sonoridade interessante!
  • Frozen
Mark Knopfler
Devo a descoberta de Mark Knopfler e da sua ex-banda Dire Straits ao meu amigo de infância R.S. Ainda me lembro de gravarmos o video-clipe "Money for Nothing" com o gravador de cassetes em frente à televisão (1985)!
  • All The Roadrunning
  • Border Reiver
  • Brothers In Arms
  • Done With Bonaparte
  • Get Lucky
  • Going Home
  • Golden Heart
  • Je Suis Désolé
  • Love Over Gold
  • So Far Away
  • Sultans of Swing
  • Wild Theme
Mike Oldfield
Outra descoberta que devo a R.S. e ao seu CD "The Complete Mike Oldfield".
  • Celtic Rain
  • In High Places
  • Moonlight Shadow
  • Mount Teidi
  • Poison Arrows
  • Shadow on the Wall
  • Sheba
  • Talk About Your Life
  • The Lake
  • The Song of the Sun
  • The Voyager
  • To France
  • Women of Ireland
U2
Comecei a interessar-me por esta banda por volta de 1997, por causa de uma amiga da M.S. que me falava maravilhas dos U2.
  • Electrical Storm
  • One
  • Until the End of the World
Vangelis
Outro autor do qual conheço primeiro a música. Talvez tenha sido o meu amigo C.S. que tenha feito despoletar o meu interesse por Vangelis quando decidiu incluir algumas músicas deste autor numa apresentação multimédia que fizémos em conjunto.
  • 12 o'Clock
  • Alpha
  • Closing Titles from Mutiny on the Bounty
  • Creation du Monde
  • He - O
  • I'll Find My Way Home
  • La Petite Fille de la Mer
  • Stuffed Tomato
  • Theme from Antarctica
  • Theme from the TV Series Cosmos
  • To the Unknown Man

segunda-feira, setembro 28, 2009

Maioria absoluta "jamais"

O "jamais" do título deve ser pronunciado como "já-mé", ao estilo françuguês.

Que alívio! Tinha prometido aos meus amigos que cometeria uma coisa mázinha contra mim mesmo se Sócrates vencesse novamente com maioria absoluta. As maiorias absolutas são um pseudo-contra-senso dentro da democracia quando mal utilizadas (que foi mais ou menos o que aconteceu nos últimos anos).

O PSD não teve uma líder carismática à altura de Sócrates e o seu discurso não reflectiu as verdadeiras preocupações dos portugueses. Como tal, ganharam os partidos que ressaltaram de uma forma ou de outra os pontos fulcrais da má governação de Sócrates, apresentando de forma clara as alternativas que defendem. Falo, claro está, do CDS-PP e do Bloco de Esquerda. São partidos pequenos mas que têm crescido muito à custa do trabalho de casa bem feito.

A CDU continua a "conseguir fazer bastantes omeletes com poucos ovos" (Marcelo Rebelo de Sousa dixit). Esta frase retrata, na sua essência, a forma como um partido que, tendo ficado em último lugar no rol de partidos com assento parlamentar consegue, mesmo assim, aumentar o número de votantes e o número de deputados.

Os próximos tempos não serão fáceis para Sócrates e para a sua equipa. As contas da estabilidades são complexas: governos maioritários com o PSD (reavivando o bloco central), com o CDS-PP (duas personalidades bastante fortes e difíceis de conjugar) ou com os dois partidos de esquerda juntos (tendo de aguentar com o ódio visceral entre o Bloco de Esquerda e a CDU). Será que Sócrates tem uma faceta diplomata que ainda não revelou ou vai continuar igual a si próprio? Só o futuro o dirá.

Espero que não seja Portugal a pagar a factura do desentendimento entre os partidos. É nesta altura que todos eles deverão pensar mais no futuro e deixarem de olhar para os seus próprios umbigos.

quarta-feira, julho 15, 2009

FRINGE

FRINGE parece ser uma boa desculpa para acordar destes tempos em que estive a hibernar dentro de 311 páginas. Depois deste ciclo fechar-se, basta afugentar dois corvos do céu para que o Sol brilhe de vez.

A série acabou a semana passada. Era uma boa série e eu um seu devoto fiel. No entanto, sempre que olhava para Phillip Broyles (desempenhado pelo actor Lance Reddick), vinha-me à memória uma série de desenhos animados. Era uma boa série e eu um seu devoto fiel. "As Misteriosas Cidades do Ouro". A cara de Lance lembra-me os Olmèques.



Não consegui resistir à tentação de partilhar convosco esta curiosidade (leia-se: estou de volta).

quinta-feira, novembro 06, 2008

Manifestação de Professores - 8 de Novembro

Vivemos hoje numa era que ainda se adapta ao aparecimento da Internet. Embora desde muito cedo "todos" se apercebessem das potencialidades desta invenção, só muito recentemente começámos a sentir a sua verdadeira influência. Os Blog's são um bom exemplo disso. Sem eles, seria difícil que eu próprio tivesse até este momento 16.600 leituras dos meus textos. Os Blog's servem de pontes entre as pessoas. Revelam um pouco da nossa alma... ou pelo menos daquilo que queremos fazer transparecer. Servem também para encontrarmos ideias em comum. E foi isso que permitiu, por exemplo, que milhares de professores partilhassem o seu desalento com as políticas do Ministério da Educação liderado por Maria de Lurdes Rodrigues. Foram até mais longe. Sentindo que não eram os únicos, alguns criaram os chamados Movimentos de Professores: apartidários e assindicais. Mas apartidários porquê? Mas assindicais porquê? Porque os factos contam que existem outros interesses por detrás de partidos e sindicatos. Porque, se calhar, no princípio deste século XXI, já não são precisos partidos ou sindicatos para que algumas minorias se façam ouvir... graças à Internet. E daí, talvez resulte um protesto mais "puro". Talvez resultem reivindicações mais legítimas, sem os grilhões dos acordos sindicais ou partidários com cláusulas duvidosas. Não quero com isto dizer que os partidos ou os sindicatos devam acabar. Apenas sugiro que neste contexto os partidos e os sindicatos devem pensar a sua forma de agir. Devem fazer com que o seu móbil seja menos egoísta: porque as minorias têm voz, fazem-se ouvir e influenciam as opiniões de muitos... graças à Internet.

Tudo isto para dizer que está marcada uma manifestação de Professores para o dia 8 de Novembro de 2008 em Lisboa. Não dos Sindicatos mas dos Professores e dos Sindicatos de Professores. Se houve alturas em que defendi a Greve de Professores e pedi que fossem Todos a Lisboa, hoje defendo a Manifestação de Professores. Porque alguém próximo de mim é Professor e sei muito bem o que essa pessoa passa para "tentar" cumprir todas as insanidades ditadas por este Ministério da Educação. E digo "tentar" porque é mesmo difícil cumprir todas as insanidades sem se ficar também insano. Soube-se há pouco tempo que na altura em que mais de 100.000 professores saíram à rua, Maria de Lurdes Rodrigues chegou a pedir a demissão a José Sócrates. Ele não deu. Seria interessante que no dia 8 de Novembro de 2008 toda a classe dos Professores estivesse em Lisboa a lutar pelos seus interesses. Talvez nessa altura e com a proximidade das eleições, o governo ouvisse essa classe profissional e atendesse aos seus desígnios sem se abrigar no escudo gasto da maioria absoluta. Esse alguém próximo de mim nunca foi a uma manifestação de rua... mas desta vez vai. O que é demais é demais e isto é demais.

Tenho escrito Professor com letra maiúscula no início, em sinal de respeito por esta classe profissional. Respeito esse que nem o Ministério da Educação nem este governo têm demonstrado.

quarta-feira, novembro 05, 2008

E esta, hein?

Seria a frase que provavelmente o nosso saudoso Fernando Pessa proferiria ante a vitória do democrata Barack Obama na eleição para presidente dos Estados Unidos da América.


Eu próprio estava bastante reticente em relação à vitória de Obama, porque recordava-me do que tinha acontecido com Al Gore. Nem sempre os melhores ganham. Mas desta vez foi diferente!

Eis as primeiras palavras do discurso da vitória proferido por Obama:

Olá, Chicago.
Se há por aí alguém que ainda duvida que a América é um sítio onde todas as coisas são possíveis, que ainda pergunta se os sonhos dos nossos fundadores estão vivos nos tempos que correm, que ainda se interroga sobre o poder da nossa democracia, a noite de hoje é a vossa resposta. (*)

Eu cheguei a duvidar. Hoje, perante as evidências, não posso mais duvidar. Espero agora que Obama corresponda às minhas espectativas, porque, para o bem e para o mal, o destino da América está indiscutivelmente ligado ao destino do resto do mundo.

Mais um excerto do discurso que me marcou:

Àqueles que pretendem destroçar o mundo: Nós iremos vencer-vos. Àqueles que procuram paz e segurança: Nós apoiamo-vos. E para todos aqueles que questionavam se o farol da América ainda arde com a mesma intensidade: Esta noite nós provámos mais uma vez que a verdadeira força da nossa nação não vem da potência das nossas armas ou de quanto somos ricos, mas antes do poder inabalável dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e esperança sem limites. (*)

Parabéns a Obama pela vitória e parabéns ao povo americano por ainda acreditar no american dream.

(*) Os excertos do discurso foram traduzidos por mim a partir da transcrição disponível em: CNN - Transcript: 'This is your victory,' says Obama

Audiolivro - Poemas de Luiz Vaz de Camões (Português Europeu - Portugal)

Seleção pessoal de 22 poemas de Luiz Vaz de Camões (Luís Vaz de Camões na grafia moderna). Luiz Vaz de Camões (1524-1580) é o grande poeta d...