Um blog de Vítor Carvalho.
Algumas reflexões sobre acessibilidade, usabilidade e design para a Web, ideias, desabafos, viagens, humor, crítica e fotografias...
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quinta-feira, setembro 20, 2012
segunda-feira, setembro 03, 2012
Isto não é um post no meu blogue
Muitas vezes aquilo que parece, não é. Hoje acabei de descobrir isso mesmo ao descer ao piso -1 do local onde trabalho. Comecemos por colocar uma imagem que ilustre este não post.
Tem aspeto de porta, parece uma porta, tem todos os elementos que caracterizam uma porta, cheira a porta e... no entanto... não é uma porta. É, quando muito, uma semiporta. Senão vejamos:
"Porta - abertura em geral retangular, feita numa parede ao nível do pavimento, para permitir a entrada ou saída" in Infopédia.
Existe uma definição mais lacónica:
"Porta - abertura para entrar ou sair." in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.
A semiporta em questão não permite sair. Não verifiquei do outro lado para saber se permitia a entrada. Daí que tenha dito que, quando muito, é uma semiporta. Se não der para entrar também, direi que é uma não porta, uma sucedânea de porta ou, o que é mais grave, uma simulação de porta.
Incrédulo com o panorama que estava à minha frente, enchi-me de coragem e tentei transpor a dita semiporta. Empurrei o manípulo horizontal e, qual não é o meu espanto, a semiporta abriu-se, permitindo-me ter um vislumbre do mundo que está do outro lado da semiporta. Pareceu-me de facto o lado exterior do edifício, com ligação para o espaço aberto que é o nosso planeta terra a poucos metros de distância. Fiquei-me por aqui. Gosto de cumprir regras e não transpuz a semiporta. Confesso... tive receio do que pudesse existir do outro lado. Uma falsa porta como esta pode conduzir-nos a uma falsa realidade... pode dar-nos passagem para outro espaço-tempo que não o nosso, fazendo-nos viver uma vida falsa, porque vivida nessa falsa realidade. Vi demasiados episódios do Fringe para sequer tentar atravessar a semiporta.
Se a porta elétrica do piso 0 alguma vez não funcionar, não sei como poderei sair do edifício... pelo menos sem desvirtuar o conceito que tenho enraizado desde a minha infância sobre janelas. Isto para já não falar numa situação de emergência!
Tem aspeto de porta, parece uma porta, tem todos os elementos que caracterizam uma porta, cheira a porta e... no entanto... não é uma porta. É, quando muito, uma semiporta. Senão vejamos:
"Porta - abertura em geral retangular, feita numa parede ao nível do pavimento, para permitir a entrada ou saída" in Infopédia.
Existe uma definição mais lacónica:
"Porta - abertura para entrar ou sair." in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.
A semiporta em questão não permite sair. Não verifiquei do outro lado para saber se permitia a entrada. Daí que tenha dito que, quando muito, é uma semiporta. Se não der para entrar também, direi que é uma não porta, uma sucedânea de porta ou, o que é mais grave, uma simulação de porta.
Incrédulo com o panorama que estava à minha frente, enchi-me de coragem e tentei transpor a dita semiporta. Empurrei o manípulo horizontal e, qual não é o meu espanto, a semiporta abriu-se, permitindo-me ter um vislumbre do mundo que está do outro lado da semiporta. Pareceu-me de facto o lado exterior do edifício, com ligação para o espaço aberto que é o nosso planeta terra a poucos metros de distância. Fiquei-me por aqui. Gosto de cumprir regras e não transpuz a semiporta. Confesso... tive receio do que pudesse existir do outro lado. Uma falsa porta como esta pode conduzir-nos a uma falsa realidade... pode dar-nos passagem para outro espaço-tempo que não o nosso, fazendo-nos viver uma vida falsa, porque vivida nessa falsa realidade. Vi demasiados episódios do Fringe para sequer tentar atravessar a semiporta.
Se a porta elétrica do piso 0 alguma vez não funcionar, não sei como poderei sair do edifício... pelo menos sem desvirtuar o conceito que tenho enraizado desde a minha infância sobre janelas. Isto para já não falar numa situação de emergência!
quinta-feira, julho 26, 2012
O desrespeito pela língua portuguesa
Hoje fui à mailbox do meu papy e eis se não quando, deparo-me com um flyer da Pizza Hut... esse franchising que prolifera por aí.
God! Juro que não percebo essa ideia de que tudo o que é estrangeiro é que é cool! Vejam o que vinha nesse flyer (parte esquerda da imagem abaixo).
Tanta coisa só para não chamar "PIZZA CABRA", porque é feita com queijo de CABRA (a minha sugestão, do lado direito da imagem)!
Parece que já os estou a ouvir dizer:
- Ai, não! Porque chèvre é mais fino e tal! Porque é feito com queijo chèvre!
Mais respeito pela língua de Camões, meus senhores! E comecem a chamar os bois (ou cabras) pelos nomes!
God! Juro que não percebo essa ideia de que tudo o que é estrangeiro é que é cool! Vejam o que vinha nesse flyer (parte esquerda da imagem abaixo).
Parece que já os estou a ouvir dizer:
- Ai, não! Porque chèvre é mais fino e tal! Porque é feito com queijo chèvre!
Mais respeito pela língua de Camões, meus senhores! E comecem a chamar os bois (ou cabras) pelos nomes!
quarta-feira, julho 25, 2012
segunda-feira, julho 23, 2012
terça-feira, janeiro 25, 2011
Guia Prático do Condutor Acéfalo - 09
Pensavam os incautos leitores que este Guia Prático do Condutor Acéfalo não tinha uma palavra a dizer sobre os condutores de motociclos? Enganam-se! Hoje debruçar-me-ei sobre a única (?) particularidade que interessa sobre este tipo de condução acéfala. O uso do capacete.
São sobejamente conhecidos todos os aspectos negativos que advêm da utilização do funesto capacete. Indicarei apenas alguns:
São sobejamente conhecidos todos os aspectos negativos que advêm da utilização do funesto capacete. Indicarei apenas alguns:
- O revestimento interior faz suar a cara em geral e as sobrancelhas em particular;
- A correia de prender o capacete dilacera a barbela;
- A viseira impede que o condutor desfrute do ar fresco em geral e dos insectos esparramados na cara em particular;
- A audição do meio circundante assemelha-se ao que se teria se o condutor tivesse a cabeça enfiada num caixote de cartão;
- Os efeitos benéficos da água destilada da chuva sobre o couro cabeludo não se fazem sentir;
- etc.
De tudo isto depreende-se que a postura correta será a não utilização do capacete.
No entanto, é sobejamente conhecido o impacto de algumas marcas de capacetes na capacidade de engatar gajas e/ou gajos. Assim, sugerem-se alguns usos para o capacete, do mais importante para o menos importante:
- Existem algumas motas com compartimentos apropriados para guardar capacetes, por isso, na altura da condução mantenha o capacete nesse compartimento e quando já não conduzir, coloque-o debaixo do braço e ostente-o com orgulho;
- Se preferir utilizá-lo enquanto conduz, coloque-o no cotovelo (enfiando o braço pela viseira e tirando-o pela parte de baixo do capacete) porque, afinal, o cotovelo é uma articulação formada por um dos conjuntos de ossos mais importantes do corpo humano (pelo menos mais importante que a caixa craniana de um condutor acéfalo(*));
- Se preferir utilizá-lo na cabeça enquanto conduz, não o enfie totalmente; ao invés, coloque-o apenas enfiado até à testa porque assim, e em caso de impacto, o capacete removerá o seu nariz que, como se sabe, é outra parte do corpo humano com utilidade obscura.
Seguindo estes conselhos, estará certo de que passará muitas e alegres tardes a apanhar do asfalto a sua própria massa encefálica(**).
(**) Por definição, um condutor acéfalo não terá cérebro, logo, a caixa craniana não terá utilidade específica comparativamente com a articulação do cotovelo.
(**) Por definição, um condutor acéfalo não terá cérebro, logo, muito provavelmente não terá muita massa encefálica para apanhar (se é que terá alguma). No entanto, isto não será um impedimento sério a que passe alegres tardes a apanhar do asfalto outro tipo de coisas que lhe saiam da cabeça.
quarta-feira, novembro 24, 2010
De Greve (uma espécie de...)
Hoje foi o dia em que estive mais próximo de fazer uma greve. Só não o fiz porque não vejo que haja espaço para qualquer consequência positiva que possa advir desta greve. O país está em maus lençóis e as medidas que estão a ser tomadas podem até não ser as suficientes (com certeza não serão) para conseguir encarreirar novamente as coisas. Se fizesse greve seria pelas razões que vou enumerar e não pelas razões que apontam para se fazer greve. Assim sendo, esta é a forma encontrada de fazer greve: expressar a minha opinião sobre o estado da nação.
Parece que já adivinho a discussão estéril entre o governo e os sindicatos sobre a percentagem de grevistas em cada sector de actividade, que segue as fórmulas empíricas:
Governo: ( 0 + x ) % de grevistas
Sindicatos: ( 100 - x ) % de grevistas
Com x < 30 % e a tender para zero.
Como conclusão, o governo até poderá dizer que "a fraca adesão à greve é um sinal claro de que os portugueses percebem a grave crise em que o país se encontra (originada pela conjuntura mundial) e que estas são as políticas correctas para se ultrapassar a situação". Só que não percebe, ou finge não perceber, que a revolta está no facto de que tudo isto poderia e deveria ter sido evitado.
Olho Vivo e Zé d'Olhão
Herman José e Joel Branco
Esta vida é um fadinho
Que põe um homem de molho.
- Eu finjo que sou ceginho!
- Eu tenho um g'anda olho...
Olho Vivo!
- Zé d'Olhão!
Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:
- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!
Isto é que vai uma vida
Cá neste meu Portugal!
Uns a dizer que 'tá bem
E eu me'mo a ver que 'tá mal!
- Eu não sou de mandar vir
Mandar a bronca não escolho!
Mas há coisas a pedir
Um granda soco no olho!
- Ó terra do chico-esperto
Ó terra do Zé Foguetes
Que está sempre de olho aberto
Mas enfia os seus barretes!
- Há muitos oportunistas
A ver s'a coisa s'ajeita
Por um olho olham para a esquerda
Pelo outro olham p'á direita!
Olho vivo!
- Zé d'Olhão!
Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:
- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!
As crises neste país
São semp'a me'ma receita!
Ora são fúrias da esquerda
Ora ataques da direita!
- Um homem não é de ferro
E as crises não são de bronze!
O país é com'ós bêbados
Está entre as dez e as onze!
- A época espacial
Finalmente 'tá a surgir
Nas terras de Portugal
Onde 'tá tudo a subir!
- Olha p'ó custo de vida
Sei eu e sabes tu!
'té parece um foguetão
Que leva fogo no cu!
Olho vivo!
- Zé d'Olhão!
Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:
- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!
C'os cintos de segurança
Nos carros nada sacode!
É mais um cinto à'pertar
A barriga do pagode!
- Os cravos da revolução
'tamos a pagar com juro!
Pois o cinto português
Já vai no último furo!
- Ó terra de boa gente,
Ó terra dos meus amores
Tudo quer independência
'té a Madeira e os Açores!
- Se a coisa assim continua
'tá-se a ver que qualquer dia
'té damos a independência
Ao Barreiro e a Leiria!
Esta vida é um fadinho
Que põe um homem de molho.
- Eu finjo que sou ceginho!
- Eu tenho um g'anda olho...
Olho Vivo!
- Zé d'Olhão!
Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:
- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!
- O governo parece ignorar a regra básica de qualquer administrador que se preze e que consiste em não se gastar mais do que o que se ganha;
- O governo só agora começou a implementar políticas contra o despesismo em todos os sectores do estado;
- O governo teima em não apoiar sectores de actividade que poderão gerar riqueza interna e diminuir a nossa dependência do estrangeiro;
- O governo continua a apoiar o laxismo das pessoas ao fazer com que continuem a optar pelo rendimento mínimo em detrimento de um trabalho;
- O governo não consegue livrar-se dos jobs for the boys mesmo que isso implique colocar pessoas incompetentes em cargos que não são mais que uma segunda escolha para candidatos autárquicos falhados, entre outros;
- O governo e o povo português continuam a viver acima das suas possibilidades;
- O povo português valoriza o chico-espertismo;
- O povo português tenta sempre contornar a lei e o estado para tirar um benefício próprio;
- etc.
Parece que já adivinho a discussão estéril entre o governo e os sindicatos sobre a percentagem de grevistas em cada sector de actividade, que segue as fórmulas empíricas:
Governo: ( 0 + x ) % de grevistas
Sindicatos: ( 100 - x ) % de grevistas
Com x < 30 % e a tender para zero.
Como conclusão, o governo até poderá dizer que "a fraca adesão à greve é um sinal claro de que os portugueses percebem a grave crise em que o país se encontra (originada pela conjuntura mundial) e que estas são as políticas correctas para se ultrapassar a situação". Só que não percebe, ou finge não perceber, que a revolta está no facto de que tudo isto poderia e deveria ter sido evitado.
Olho Vivo e Zé d'Olhão
Herman José e Joel Branco
Esta vida é um fadinho
Que põe um homem de molho.
- Eu finjo que sou ceginho!
- Eu tenho um g'anda olho...
Olho Vivo!
- Zé d'Olhão!
Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:
- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!
Isto é que vai uma vida
Cá neste meu Portugal!
Uns a dizer que 'tá bem
E eu me'mo a ver que 'tá mal!
- Eu não sou de mandar vir
Mandar a bronca não escolho!
Mas há coisas a pedir
Um granda soco no olho!
- Ó terra do chico-esperto
Ó terra do Zé Foguetes
Que está sempre de olho aberto
Mas enfia os seus barretes!
- Há muitos oportunistas
A ver s'a coisa s'ajeita
Por um olho olham para a esquerda
Pelo outro olham p'á direita!
Olho vivo!
- Zé d'Olhão!
Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:
- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!
As crises neste país
São semp'a me'ma receita!
Ora são fúrias da esquerda
Ora ataques da direita!
- Um homem não é de ferro
E as crises não são de bronze!
O país é com'ós bêbados
Está entre as dez e as onze!
- A época espacial
Finalmente 'tá a surgir
Nas terras de Portugal
Onde 'tá tudo a subir!
- Olha p'ó custo de vida
Sei eu e sabes tu!
'té parece um foguetão
Que leva fogo no cu!
Olho vivo!
- Zé d'Olhão!
Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:
- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!
C'os cintos de segurança
Nos carros nada sacode!
É mais um cinto à'pertar
A barriga do pagode!
- Os cravos da revolução
'tamos a pagar com juro!
Pois o cinto português
Já vai no último furo!
- Ó terra de boa gente,
Ó terra dos meus amores
Tudo quer independência
'té a Madeira e os Açores!
- Se a coisa assim continua
'tá-se a ver que qualquer dia
'té damos a independência
Ao Barreiro e a Leiria!
Esta vida é um fadinho
Que põe um homem de molho.
- Eu finjo que sou ceginho!
- Eu tenho um g'anda olho...
Olho Vivo!
- Zé d'Olhão!
Até manda ventarolas!
Isto é que é uma união:
- Se um diz mata!
- Outro diz esfola!
terça-feira, novembro 16, 2010
Guia Prático do Condutor Acéfalo - 08
Não há coisa mais irritante do que os semáforos limitadores de velocidade. São irritantes porque, à partida, não deveria haver qualquer tipo de limite para a velocidade a que se circula, principalmente dentro das localidades.
Agora imagine este cenário. Você viaja pacatamente a 100 km/h dentro de uma localidade quando, sem que nada o possa prever, vê um otário à sua frente que circula à provecta velocidade de 50 km/h porque existe um sinal a avisar que os semáforos limitadores de velocidade que se encontram mais à frente estão ajustados para este grau de locomoção semelhante a uma lesma com obesidade mórbida.
O que deverá fazer?
A resposta é demasiado óbvia mas cá vai. Ultrapasse o otário e acelere o mais que puder de forma a garantir que o semáforo despolete e fique vermelho. Aí, com toda a pujança, ignore de alto a baixo a indicação do semáforo e passe por ele como se nada fosse enquanto se refastela com a visão do seu espelho retrovisor; o otário atrás de si parou no semáforo vermelho.
Agora imagine este cenário. Você viaja pacatamente a 100 km/h dentro de uma localidade quando, sem que nada o possa prever, vê um otário à sua frente que circula à provecta velocidade de 50 km/h porque existe um sinal a avisar que os semáforos limitadores de velocidade que se encontram mais à frente estão ajustados para este grau de locomoção semelhante a uma lesma com obesidade mórbida.
O que deverá fazer?
A resposta é demasiado óbvia mas cá vai. Ultrapasse o otário e acelere o mais que puder de forma a garantir que o semáforo despolete e fique vermelho. Aí, com toda a pujança, ignore de alto a baixo a indicação do semáforo e passe por ele como se nada fosse enquanto se refastela com a visão do seu espelho retrovisor; o otário atrás de si parou no semáforo vermelho.
sexta-feira, setembro 03, 2010
Guia Prático do Condutor Acéfalo - 07
Este é talvez o post mais importante desta colecção. Se tiver de escolher apenas uma regra deste guia prático, não vá mais longe! Aqui está ela! A verdadeira! A única! A arrebatadora regra para todos os condutores acéfalos!
Não há coisa mais inteligente para se fazer ao volante de um veículo. Na presença de um obstáculo ao longe, o condutor deve acelerar sempre até se encontrar a uma curta distância do mesmo. Depois deverá travar a fundo.
Imagine esta situação da vida real. Uma pessoa, fiel cumpridora das regras deste guia prático do condutor acéfalo, viaja pela faixa da esquerda da auto-estrada a uns simpáticos 100 km/h. Ao longe, você que também prima pela fidelização a este guia, circula também na faixa da esquerda a uns simpáticos 150 km/h. Ao avistá-lo, acelera mais um pouco... digamos... para 160 km/h. Ao faltarem umas escassas dezenas de metro para o ponto em que a traseira do carro da frente fica colada à dianteira do seu veículo, deverá travar a fundo para que progrida a uma velocidade igual ou inferior à do carro que vai à sua frente, de maneira a evitar a colisão.
Qual a razão para este inteligente comportamento? É óbvio! Provocar medo no condutor que vai à frente e fazer com que ele infrinja as regras deste guia, deslocando-se para uma faixa mais à direita e permitir que você, que vai atrás, possa progredir a viagem de acordo com as regras da boa condução acéfala. Porque, bem vistas as coisas, para si, mais vale serem os outros a desviarem-se das regras deste guia prático!
Não há coisa mais inteligente para se fazer ao volante de um veículo. Na presença de um obstáculo ao longe, o condutor deve acelerar sempre até se encontrar a uma curta distância do mesmo. Depois deverá travar a fundo.
Imagine esta situação da vida real. Uma pessoa, fiel cumpridora das regras deste guia prático do condutor acéfalo, viaja pela faixa da esquerda da auto-estrada a uns simpáticos 100 km/h. Ao longe, você que também prima pela fidelização a este guia, circula também na faixa da esquerda a uns simpáticos 150 km/h. Ao avistá-lo, acelera mais um pouco... digamos... para 160 km/h. Ao faltarem umas escassas dezenas de metro para o ponto em que a traseira do carro da frente fica colada à dianteira do seu veículo, deverá travar a fundo para que progrida a uma velocidade igual ou inferior à do carro que vai à sua frente, de maneira a evitar a colisão.
Qual a razão para este inteligente comportamento? É óbvio! Provocar medo no condutor que vai à frente e fazer com que ele infrinja as regras deste guia, deslocando-se para uma faixa mais à direita e permitir que você, que vai atrás, possa progredir a viagem de acordo com as regras da boa condução acéfala. Porque, bem vistas as coisas, para si, mais vale serem os outros a desviarem-se das regras deste guia prático!
segunda-feira, agosto 23, 2010
Guia Prático do Condutor Acéfalo - 06
A faixa direita da estrada é para quem anda devagar e quem tem carros baratos de baixa cilindrada. A faixa esquerda da estrada é para quem anda depressa e quem tem carros caros de alta cilindrada.
E isto é sempre verdade, quer hajam mais carros na estrada ou não. Por exemplo: alguém que tenha um carro caro e/ou de alta cilindrada, ao entrar numa auto-estrada, deve colocar-se na faixa da esquerda e não a largar mais até sair da auto-estrada.
Estes conselhos também são válidos para quem acha que a sua chocolateira (também conhecida por machimbombo, calhambeque, Dona-Elvira, lata-velha, etc.) tem alma de carro caro e/ou de alta cilindrada ou que simplesmente gosta de colar o acelerador ao tapete de borracha sempre que anda nela.
Outra variante interessante desta regra aplica-se a todos os que têm aversão ao lado direito da estrada. Nestes casos, independentemente da velocidade e do tipo de via em que se circula, deverá preferir SEMPRE o lado esquerdo da faixa de rodagem.
E isto é sempre verdade, quer hajam mais carros na estrada ou não. Por exemplo: alguém que tenha um carro caro e/ou de alta cilindrada, ao entrar numa auto-estrada, deve colocar-se na faixa da esquerda e não a largar mais até sair da auto-estrada.
Estes conselhos também são válidos para quem acha que a sua chocolateira (também conhecida por machimbombo, calhambeque, Dona-Elvira, lata-velha, etc.) tem alma de carro caro e/ou de alta cilindrada ou que simplesmente gosta de colar o acelerador ao tapete de borracha sempre que anda nela.
Outra variante interessante desta regra aplica-se a todos os que têm aversão ao lado direito da estrada. Nestes casos, independentemente da velocidade e do tipo de via em que se circula, deverá preferir SEMPRE o lado esquerdo da faixa de rodagem.
sexta-feira, julho 16, 2010
Guia Prático do Condutor Acéfalo - 05
Se existir uma estrada estreita em que você passa todos os dias e na qual, por norma, não se cruza com veículos nenhuns (mais conhecidas por estradas do "lá vem um"), poderá assumir sem sombra de dúvidas que essa situação irá manter-se todas as vezes em que circular pela referida estrada. Assim, aconselha-se a que ande acima dos limites de velocidade permitidos e que corte o maior número de curvas que puder (poupando tempo e os pneus do carro), principalmente se as curvas forem fechadas e com pouca visibilidade.
terça-feira, julho 13, 2010
Guia Prático do Condutor Acéfalo - 04
Os fabricantes de automóveis exploram os seus clientes ao cobrarem-lhes dinheiro por colocarem dispositivos inúteis nos seus veículos. Um destes dispositivos são as luzes cor-de-laranja que se encontram a toda a volta do automóvel. Estas luzes são a coisa mais despropositada que existe. Gastam a bateria do automóvel, irritam o condutor com o barulhinho que fazem (tic... tic... tic...) e só servem para revelar as nossas intenções aos outros condutores. Como em tudo na vida, o segredo é a alma do negócio. Se alguma vez utilizar o pisca, faça-o, quando muito, depois de efectuar a manobra e nunca antes.
segunda-feira, julho 05, 2010
Guia Prático do Condutor Acéfalo - 03
Quando acabar de estacionar o seu veículo, ao sair do mesmo, abra totalmente a porta. Quanto mais esta impecilhar a faixa de rodagem, melhor. Se algum veículo estiver a passar na altura por si, abra total e rapidamente a porta. Nada melhor que um bom susto para os condutores que passam estarem com os cinco sentidos sempre alerta. As portas têm posições intermédias de abertura estável mas esta funcionalidade não tem qualquer utilidade prática.
terça-feira, junho 22, 2010
Guia Prático do Condutor Acéfalo - 02
Se vir um lugar de estacionamento vazio no meio de outros que estejam preenchidos, não estacione lá. Estacione antes na faixa de rodagem, em frente a esse lugar de estacionamento. Pense nas vantagens. Não precisa de fazer manobras complicadas para estacionar o seu veículo e, se a polícia aparecer, aí sim poderá fazer o sacrifício de colocar o seu veículo no lugar de estacionamento vazio. Por outro lado, transmite a seguinte ideia aos outros condutores: "Eu cheguei primeiro, tenho lugar para estacionar e só não estaciono porque não quero. Se quiseres estacionar, procura um lugar para ti".
(continua...)
(continua...)
sexta-feira, junho 18, 2010
Guia Prático do Condutor Acéfalo - 01
Introdução
É com estas linhas que inicio uma brilhante publicação humorística on-line, baseada em factos (infelizmente) reais.
Será um compêndio de calinadas de condutores automobilísticos acéfalos. Para os condutores acéfalos que vão ler estes posts (e eu sei que são muitos), convém explicar o significado da palavra "acéfalo". Etimologicamente, trata-se de uma palavra derivada por prefixação, em que o prefixo "a" designa "desprovido de", "sem" ou "com falta de" e céfalo deriva do grego κεφάλι (lê-se kefáli), exprimindo a noção de cabeça. Não quero com isto dizer que certos e determinados condutores são desprovidos de cabeça! Longe de mim! Tomo o todo pela parte (recorrendo-me da figura de estilo denominada por sinédoque) e quero apenas dizer que existem condutores que não têm cérebro ou, se o têm, não o utilizam quando conduzem.
Para apimentar mais as coisas, criei um pseudónimo: João Cara-de-Pau.
Por fim, uma palavra aos bons condutores, que também os há. Não tentem fazer isto com os vossos veículos. Leiam este guia prático e façam exactamente o contrário.
Obrigado.
O Guia Prático Propriamente Dito
Se houver um obstáculo na sua faixa de rodagem, faça tudo para chegar primeiro junto do mesmo (inclusive ultrapassar os limites de velocidade permitidos) e ultrapasse-o antes que passe qualquer condutor da outra faixa de rodagem.
(continua...)
É com estas linhas que inicio uma brilhante publicação humorística on-line, baseada em factos (infelizmente) reais.
Será um compêndio de calinadas de condutores automobilísticos acéfalos. Para os condutores acéfalos que vão ler estes posts (e eu sei que são muitos), convém explicar o significado da palavra "acéfalo". Etimologicamente, trata-se de uma palavra derivada por prefixação, em que o prefixo "a" designa "desprovido de", "sem" ou "com falta de" e céfalo deriva do grego κεφάλι (lê-se kefáli), exprimindo a noção de cabeça. Não quero com isto dizer que certos e determinados condutores são desprovidos de cabeça! Longe de mim! Tomo o todo pela parte (recorrendo-me da figura de estilo denominada por sinédoque) e quero apenas dizer que existem condutores que não têm cérebro ou, se o têm, não o utilizam quando conduzem.
Para apimentar mais as coisas, criei um pseudónimo: João Cara-de-Pau.
Por fim, uma palavra aos bons condutores, que também os há. Não tentem fazer isto com os vossos veículos. Leiam este guia prático e façam exactamente o contrário.
Obrigado.
O Guia Prático Propriamente Dito
Se houver um obstáculo na sua faixa de rodagem, faça tudo para chegar primeiro junto do mesmo (inclusive ultrapassar os limites de velocidade permitidos) e ultrapasse-o antes que passe qualquer condutor da outra faixa de rodagem.
(continua...)
terça-feira, junho 15, 2010
Variar o ramo de negócio
Existe uma coisa que marcará para todo o sempre este mundial de futebol: a vuvuzela. Aquela espécie de instrumento musical em plástico, feito na China e que adverte para o facto de não ser um brinquedo (não vá haver um processo levantado pelos pais de um miúdo que teve a infeliz sorte de ter um coleguinha que lhe vuvuzelou para os ouvidos, subtraindo-lhe a capacidade auditiva).
Num momento de feliz inspiração (ironia), os criativos da Galp decidiram aliar esta marca de combustíveis à vuvuzela. Esta ligação não é desprovida de fundamento. Trata-se de variar o ramo de negócio. Além da poluição química dos combustíveis, existe agora a poluição sonora das vuvuzelas.
Para mim, o futebol passou a ser ainda mais insuportável.
Num momento de feliz inspiração (ironia), os criativos da Galp decidiram aliar esta marca de combustíveis à vuvuzela. Esta ligação não é desprovida de fundamento. Trata-se de variar o ramo de negócio. Além da poluição química dos combustíveis, existe agora a poluição sonora das vuvuzelas.
Para mim, o futebol passou a ser ainda mais insuportável.
terça-feira, setembro 22, 2009
Esmiuçar os Sufrágios
As entrevistas com os líderes dos principais partidos que concorrem às próximas legislativas acabou. Os Gatos tiveram uma excelente ideia ao criarem um programa que alia o humor à política... afinal de contas, humor e política nunca andaram muito afastados.
Depois de ver as 5 entrevistas (Sócrates, Manuela, Portas, Louçã e Jerónimo), não restam dúvidas para mim que os mais autênticos, com mais sentido de humor e que, a abono da verdade, fizeram rir Ricardo Araújo Pereira foram a Manuela Ferreira Leite e o Jerónimo de Sousa. Sócrates estava tenso e contornava as perguntas, Portas estava pouco à vontade e aproveitou para fazer campanha e Louçã não conseguiu afastar o seu ar de ressabiado.
É interessante ver esta faceta dos políticos que temos. Muitos aliam o sentido de humor à inteligência superior e, logo, este poderá ser mais um indício na altura de escolher em quem se vota.
Depois de ver as 5 entrevistas (Sócrates, Manuela, Portas, Louçã e Jerónimo), não restam dúvidas para mim que os mais autênticos, com mais sentido de humor e que, a abono da verdade, fizeram rir Ricardo Araújo Pereira foram a Manuela Ferreira Leite e o Jerónimo de Sousa. Sócrates estava tenso e contornava as perguntas, Portas estava pouco à vontade e aproveitou para fazer campanha e Louçã não conseguiu afastar o seu ar de ressabiado.
É interessante ver esta faceta dos políticos que temos. Muitos aliam o sentido de humor à inteligência superior e, logo, este poderá ser mais um indício na altura de escolher em quem se vota.
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Cuning
Não comecem já a pensar coisas feias.
Passo já a explicar o que eu entendo como Cuning: é o tuning de casas. E nesta época natalícia é o que mais se vê por aí. Se calhar, quem começou verdadeiramente com o tuning de casas foi o Felipão (Luís Felipe Scolari), quando pediu que todos os portugueses colocassem uma bandeira portuguesa do lado de fora da janela. Hoje em dia, assistimos a uma competição silenciosa (às vezes) - mas luminosamente poluente - entre casas. Como no tuning, existe de tudo: desde o puro bom gosto até à vulgar "azeiteirice"... mas também - como no tuning - existe uma predominância pela segunda.
Este Cuning chega mesmo a atacar as Igrejas... ao ponto de me levar a pensar que a verba dedicada à iluminação podia ser canalizada para outro tipo de actividades altruistas.
Passo já a explicar o que eu entendo como Cuning: é o tuning de casas. E nesta época natalícia é o que mais se vê por aí. Se calhar, quem começou verdadeiramente com o tuning de casas foi o Felipão (Luís Felipe Scolari), quando pediu que todos os portugueses colocassem uma bandeira portuguesa do lado de fora da janela. Hoje em dia, assistimos a uma competição silenciosa (às vezes) - mas luminosamente poluente - entre casas. Como no tuning, existe de tudo: desde o puro bom gosto até à vulgar "azeiteirice"... mas também - como no tuning - existe uma predominância pela segunda.
Este Cuning chega mesmo a atacar as Igrejas... ao ponto de me levar a pensar que a verba dedicada à iluminação podia ser canalizada para outro tipo de actividades altruistas.
sexta-feira, novembro 21, 2008
A Ministra Panada
Vamos inverter a ordem de uma refeição? Vamos lá...
Começo este post com uma deliciosa sobremesa. Uma frase doce proferida pela (ainda) Ministra da Educação, Maria de Lurdes:
«Tenho de reconhecer que a forma como estávamos a concretizar a dimensão relativa aos resultados escolares não era confortável, nem razoável, mas excessiva, desajustada e com erros técnicos», disse Maria de Lurdes Rodrigues, esta quinta-feira [2008/11/20], em entrevista à RTP. [Fonte: TSF Online]
Maria de Lurdes, para chegar a esta brilhante conclusão, teve de passar por duas manifestações com mais de 100.000 docentes, críticas por parte de várias personalidades da sociedade (entre as quais, alguns militantes do PS), movimentos de professores, sindicatos e apelos do Presidente da República.
E qual a solução que Maria de Lurdes e o Conselho de Ministros encontra? Simplificar o actual modelo de avaliação. Permitam-me invocar um livro com cerca de dois mil anos - o Novo Testamento - para ler o versículo 17, capítulo 9, do Evangelho segundo S. Mateus: "Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha, porque semelhante remendo rompe a roupa, e faz-se maior a rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.".
Por falar em vinho, temos de falar agora do prato principal: que tal um arrozinho de feijão com Ministra panada? Os alunos, num protesto da semana passada, atiraram ovos à Ministra. Como observa Ricardo Araújo Pereira na sua crónica da Revista Visão, a Ministra atendeu logo às reivindicações dos estudantes, fazendo parecer que os ovos conseguem atingir mais depressa os objectivos do que as manifestações ordeiras, mesmo que compostas por mais de 100.000 manifestantes. Para termos Ministra panada, só faltam mesmo a farinha e o azeite ou óleo a ferver. Deixo o resto à vossa imaginação.
A Ministra continua a dar sopa aos Professores. Mas, perante o que disse ontem à RTP, o único caminho razoável seria mesmo a demissão.
Começo este post com uma deliciosa sobremesa. Uma frase doce proferida pela (ainda) Ministra da Educação, Maria de Lurdes:
«Tenho de reconhecer que a forma como estávamos a concretizar a dimensão relativa aos resultados escolares não era confortável, nem razoável, mas excessiva, desajustada e com erros técnicos», disse Maria de Lurdes Rodrigues, esta quinta-feira [2008/11/20], em entrevista à RTP. [Fonte: TSF Online]
Maria de Lurdes, para chegar a esta brilhante conclusão, teve de passar por duas manifestações com mais de 100.000 docentes, críticas por parte de várias personalidades da sociedade (entre as quais, alguns militantes do PS), movimentos de professores, sindicatos e apelos do Presidente da República.
E qual a solução que Maria de Lurdes e o Conselho de Ministros encontra? Simplificar o actual modelo de avaliação. Permitam-me invocar um livro com cerca de dois mil anos - o Novo Testamento - para ler o versículo 17, capítulo 9, do Evangelho segundo S. Mateus: "Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha, porque semelhante remendo rompe a roupa, e faz-se maior a rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.".
Por falar em vinho, temos de falar agora do prato principal: que tal um arrozinho de feijão com Ministra panada? Os alunos, num protesto da semana passada, atiraram ovos à Ministra. Como observa Ricardo Araújo Pereira na sua crónica da Revista Visão, a Ministra atendeu logo às reivindicações dos estudantes, fazendo parecer que os ovos conseguem atingir mais depressa os objectivos do que as manifestações ordeiras, mesmo que compostas por mais de 100.000 manifestantes. Para termos Ministra panada, só faltam mesmo a farinha e o azeite ou óleo a ferver. Deixo o resto à vossa imaginação.
A Ministra continua a dar sopa aos Professores. Mas, perante o que disse ontem à RTP, o único caminho razoável seria mesmo a demissão.
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