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sexta-feira, junho 10, 2022

Audiolivro - Poemas de Luiz Vaz de Camões (Português Europeu - Portugal)

Seleção pessoal de 22 poemas de Luiz Vaz de Camões (Luís Vaz de Camões na grafia moderna).

Luiz Vaz de Camões (1524-1580) é o grande poeta do maneirismo português. A 10 de junho, comemora-se o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

00:00 - Introdução 00:08 - A fermosura desta fresca serra 00:58 - Alegres campos, verdes arvoredos 01:43 - Alma minha gentil, que te partiste 02:27 - Amor é um fogo que arde sem se ver 03:13 - Aquela triste e leda madrugada 03:55 - Busque Amor novas artes, novo engenho 04:40 - Com que voz chorarei meu triste fado 05:24 - Descalça vai para a fonte 06:07 - Doces águas e claras do Mondego 06:53 - Endechas a ūa cativa 08:12 - Erros meus, má fortuna, amor ardente 08:54 - Eu cantarei de amor tão docemente 09:38 - Fermoso Tejo meu 10:28 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades 11:12 - O dia em que eu nasci, moura e pereça 11:53 - Pastora da serra 13:14 - Se, no que tenho dito, vos ofendo, 13:57 - Tanto de meu estado me acho incerto 14:42 - Transforma-se o amador na cousa amada 15:24 - Um mover d’olhos, brando e piadoso 16:07 - Verdes são os campos


Audiolivro - "O Mandarim" de Eça de Queiroz (Português Europeu - Portugal)

"O Mandarim" de Eça de Queiroz (Eça de Queirós, na grafia moderna) foi publicado originalmente em 1880 em folhetins e 1ª e 2ª edições em livro.

quinta-feira, fevereiro 03, 2022

Audiolivro e Animação "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente (Portugu...

Há já algum tempo que queria fazer um filme de animação.

Sempre gostei do "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente e, intervaladamente, durante três meses, trabalhei no projeto de transformá-lo num filme de animação.

Comecei por gravar as vozes, colocando alguns efeitos no Diabo, Joane e Brízida Vaz. 

Passei depois para a conceção das personagens, desenho em papel, digitalização e pintura. O desenho das personagens foi inspirado nos "Robertos", que em Portugal são fantoches de luva de cariz popular. 

A animação foi feita no programa Construct 3, sendo os movimentos dos braços, boca e translação, controladas pelo teclado do computador. A animação do rio, barcas, movimentos de translação do Anjo, Diabo e Cavalos (apenas translação vertical) eram pré-programadas.

O resultado está aqui! Espero que gostem!

sábado, setembro 11, 2021

Audiolivro - "Livro de Mágoas" de Florbela Espanca (Português Europeu -...

Já falei noutro post que a M. S. "apresentou-me" à poesia de Florbela Espanca.
Desta feita, resolvi convertê-lo para audiolivro.

"Livro de Mágoas" de Florbela Espanca foi publicado originalmente em 1919, tendo sido a sua primeira obra poética.
Florbela Espanca (1894 - 1930) é uma das mais importantes poetisas portuguesas.


sexta-feira, julho 30, 2021

Audiolivro - "A Invenção do Dia Claro" de Almada Negreiros (Português ...

Desta vez, foi uma descoberta para mim. Confesso que nunca tinha lido nada de Almada Negreiros.

No entanto, "A Invenção do Dia Claro" não me era totalmente estranho. Depois de matutar, descobri que é um álbum homónimo dos Capitão Fausto.


Se tivesse de escolher um excerto da obra de Almada Negreiros, seria este:

+A FLOR+

—«Je travaille tant que je peux et le mieux que je peux, toute la journée. Je donne toute ma mesure, tous mes moyens. Et après, si ce que j'ai fait n'est pas bon, je n'en suis plus responsable; c'est que je ne peux vraiement pas faire mieux.»

Henri Matisse.

Pede-se a uma creança. Desenhe uma flor! Da-se-lhe papel e lapis. A creança vae sentar-se no outro canto da sala onde não ha mais ninguem.

Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas n'uma direcção, outras n'outras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais faceis, outras mais custosas. A creança quiz tanta força em certas linhas que o papel quasi que não resistiu.

Outras eram tão delicadas que apenas o pezo do lapis já era demais.

Depois a creança vem mostrar essas linhas ás pessôas: Uma flôr!

As pessôas não acham parecidas estas linhas com as de uma flôr!

Comtudo, a palavra flôr andou por dentro da creança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, á procura das linhas com que se faz uma flôr, e a creança pôz no papel algumas d'essas linhas, ou todas. Talvez as tivesse pôsto fóra dos seus logares, mas, são aquellas as linhas com que Deus faz uma flôr!


quinta-feira, maio 13, 2021

Audiolivro - "O Suave Milagre!" de Eça de Queiroz (Português Europeu - ...

Num dia tão especial como é o 13 de maio, deixo-vos o último conto escrito por Eça de Queiroz, dois anos antes da sua morte: "O Suave Milagre!". Foi publicado originalmente em 1898 na "Revista Moderna".

quarta-feira, maio 05, 2021

Dia Mundial da Língua Portuguesa

Neste dia tão especial para todos os portugueses e para todos aqueles que, espalhados pelo mundo, falam português (com sotaque, com sal ou com açúcar), deixo-vos uma sugestão.

Ouçam os audiolivros com contos de Eça de Queiroz que publiquei no meu canal do YouTube: "O Tesouro", "O Defunto", "A Aia" e o "Mandarim".






Em breve colocarei as restantes partes do conto "O Mandarim".










quarta-feira, abril 21, 2021

"Mensagem" de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa (1888-1935) é um dos principais poetas portugueses.

Li recentemente o seu livro "Mensagem", o único livro de poemas em português. Foi editado pela primeira vez em 1934.

Descobri alguns dos poemas e versos que se tornaram famosos, dos quais destaco:

  • Poema O INFANTE: "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce"
  • Poema O MOSTRENGO
  • Poema MAR PORTUGUÊS: "Ó mar salgado, quanto do teu sal [São lágrimas de Portugal!" e "Valeu a pena? Tudo vale a pena [Se a alma não é pequena."
Encontrei uma versão da "Mensagem" em domínio público, no formato PDF.

Também lancei no meu canal do YouTube a versão da "Mensagem" em audiolivro:

sexta-feira, abril 24, 2015

Conto - O Farol (2)

As escadas em caracol terminavam num patamar em madeira mesmo por baixo da maquinaria que fazia girar a luz forte do farol. Entre esta e o patamar não havia muito espaço... talvez uns dois metros de pé direito. O suficiente para albergar um estrado em jeito de cama, uma mesa, uma cadeira e um baú. O acesso à maquinaria fazia-se por uma escada vertical em madeira. Lá fora, o vento começara a soprar com maior intensidade e arremessava as gotas de chuva cada vez mais pesadas contra os postigos, de forma claramente audível. Um calafrio percorreu a espinha de Estêvão. Pressentiu que algo não iria correr bem naquela noite. Pela primeira vez sentiu medo. Um medo difícil de definir. Um sentimento de clausura e de solidão embalado pelas ondas do mar.

quinta-feira, abril 23, 2015

Conto - O Farol (1)

Estava uma noite com o céu carregado. Nem a lua ou as estrelas conseguiam aparecer sob o manto espesso de nuvens que se abatia em redor do velho farol. O caminho para lá chegar era íngreme, pedregoso e o avançar da escuridão dificultava ainda mais a tarefa para quem não conhecesse de cor todas as armadilhas daquela rota sinuosa. Tal não era o caso de Estêvão. Agarrado ao seu cachimbo fumegante, precisava apenas do instinto e da memória para chegar à porta enferrujada que dava acesso à edificação. Vasculhou no bolso das calças e encontrou a chave pesada, comida pelo passar do tempo, de dentes bem largos e limados pelo uso sucessivo. A porta abriu-se e a sua mão escorregou pela parede à altura certa para ligar um pequeno interruptor que inundou com uma luz fria e pálida o patamar inferior do velho farol. Fechou a porta atrás de si. Olhou para cima, para as escadas em caracol que o levariam aos patamares superiores e sentiu o cheiro da humidade salgada misturada com ferrugem. Um pingo ou outro caiam dos degraus e, por vezes, estragavam na sua passagem uma ou outra teia de aranha. Agarrado ao corrimão de pintura esverdeada, pé ante pé, foi subindo, à medida que provocava o ranger da estrutura metálica. Os postigos dispostos ao longo das escadas estavam a ser pintalgados por minúsculas gotas de chuva, prenúncio de uma tempestade que se avizinhava.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Guia Prático do Condutor Acéfalo - 09

Pensavam os incautos leitores que este Guia Prático do Condutor Acéfalo não tinha uma palavra a dizer sobre os condutores de motociclos? Enganam-se! Hoje debruçar-me-ei sobre a única (?) particularidade que interessa sobre este tipo de condução acéfala. O uso do capacete.

São sobejamente conhecidos todos os aspectos negativos que advêm da utilização do funesto capacete. Indicarei apenas alguns:
  • O revestimento interior faz suar a cara em geral e as sobrancelhas em particular;
  • A correia de prender o capacete dilacera a barbela;
  • A viseira impede que o condutor desfrute do ar fresco em geral e dos insectos esparramados na cara em particular;
  • A audição do meio circundante assemelha-se ao que se teria se o condutor tivesse a cabeça enfiada num caixote de cartão;
  • Os efeitos benéficos da água destilada da chuva sobre o couro cabeludo não se fazem sentir;
  • etc.
De tudo isto depreende-se que a postura correta será a não utilização do capacete.

No entanto, é sobejamente conhecido o impacto de algumas marcas de capacetes na capacidade de engatar gajas e/ou gajos. Assim, sugerem-se alguns usos para o capacete, do mais importante para o menos importante:
  • Existem algumas motas com compartimentos apropriados para guardar capacetes, por isso, na altura da condução mantenha o capacete nesse compartimento e quando já não conduzir, coloque-o debaixo do braço e ostente-o com orgulho;
  • Se preferir utilizá-lo enquanto conduz, coloque-o no cotovelo (enfiando o braço pela viseira e tirando-o pela parte de baixo do capacete) porque, afinal, o cotovelo é uma articulação formada por um dos conjuntos de ossos mais importantes do corpo humano (pelo menos mais importante que a caixa craniana de um condutor acéfalo(*));
  • Se preferir utilizá-lo na cabeça enquanto conduz, não o enfie totalmente; ao invés, coloque-o apenas enfiado até à testa porque assim, e em caso de impacto, o capacete removerá o seu nariz que, como se sabe, é outra parte do corpo humano com utilidade obscura.
Seguindo estes conselhos, estará certo de que passará muitas e alegres tardes a apanhar do asfalto a sua própria massa encefálica(**).

(**) Por definição, um condutor acéfalo não terá cérebro, logo, a caixa craniana não terá utilidade específica comparativamente com a articulação do cotovelo.

(**) Por definição, um condutor acéfalo não terá cérebro, logo, muito provavelmente não terá muita massa encefálica para apanhar (se é que terá alguma). No entanto, isto não será um impedimento sério a que passe alegres tardes a apanhar do asfalto outro tipo de coisas que lhe saiam da cabeça. 

terça-feira, novembro 16, 2010

Guia Prático do Condutor Acéfalo - 08

Não há coisa mais irritante do que os semáforos limitadores de velocidade. São irritantes porque, à partida, não deveria haver qualquer tipo de limite para a velocidade a que se circula, principalmente dentro das localidades.

Agora imagine este cenário. Você viaja pacatamente a 100 km/h dentro de uma localidade quando, sem que nada o possa prever, vê um otário à sua frente que circula à provecta velocidade de 50 km/h porque existe um sinal a avisar que os semáforos limitadores de velocidade que se encontram mais à frente estão ajustados para este grau de locomoção semelhante a uma lesma com obesidade mórbida.

O que deverá fazer?

A resposta é demasiado óbvia mas cá vai. Ultrapasse o otário e acelere o mais que puder de forma a garantir que o semáforo despolete e fique vermelho. Aí, com toda a pujança, ignore de alto a baixo a indicação do semáforo e passe por ele como se nada fosse enquanto se refastela com a visão do seu espelho retrovisor; o otário atrás de si parou no semáforo vermelho.

terça-feira, setembro 07, 2010

Meio-Silêncio

Não sou poeta. Escrevi esta prosa semi-poética em Novembro de 1997, numa altura em que estava emocionalmente sensível. Para ser poeta, penso que seria necessário ter episódios destes mais amiúde, o que pode ser bom mas também pode ser mau. Acabei por achar que o texto tinha a qualidade mínima suficiente para incluí-lo no meu blogue.

Estas linhas, escrevo-as ao acaso, enquanto espero por um final de tarde.

Lembro-me que são duas horas e eu aqui... num banco de jardim, alimentado pela brisa que passa e por algumas folhas amarelecidas que rodopiam à minha frente.

E é tão  bom parar! Eu que pensava ser este um lugar para os reformados, para aqueles que já não têm muito a esperar da vida, enganei-me. O barulho suave - se há algum barulho suave, é este - do chafariz que enfeita um dos cantos deste jardim, consegue ser um bom conselheiro.

Entretenho-me a ver as pessoas passar. Cada qual na sua vida, uma ou outra circunstância fez com que passassem por aqui neste momento em que estou receptivo ao que se passa à minha volta.

Estamos em meados de novembro. É natural que esteja um pouco frio. Eu, enquanto arrefeço, penso na minha vida.

Por acaso, numa daquelas atitudes irreflectidas, encostei a mão ao meu ouvido esquerdo. Fiquei assim, num estado de semi-surdez e os sons pareceram mais graves. Imaginei como seria a minha vida se não conseguisse ouvir. Naquele instante, tudo me pareceu poético: o movimento das pessoas, os risos das crianças, os automóveis que passavam, todos embebidos em meio-silêncio.

Estranho... ouço o bater do meu coração, o compasso da natureza. Ora acelerado, ora embalado em doces recordações. Tudo isto num banco de jardim, num qualquer princípio de tarde.

Nas minhas mãos tenho um guarda-chuva que, se calhar, não terei oportunidade de utilizar hoje. Ajuda também a guiar os meus passos e gosto de fazê-lo rodopiar, tendo por eixo a minha mão.

É altura de tomar caminho, numa terra que não é a minha, mas na qual me sinto em casa.

Guardo estas sensações porque sei que sonharei com elas mais tarde ou mais cedo.

Em breve partirei de comboio para a minha cidade, numa linha que já conheço bem. Não apreciarei a paisagem pois estará escuro, mas a viagem embalará o meu sono.

Alguns procuram um sentido para a vida. Na minha vida eu procuro lugares, pessoas, atmosferas, sons, amor. Coisas simples, coisas belas, que o Homem tanto estima porque lhe está na própria natureza. 

sexta-feira, setembro 03, 2010

Guia Prático do Condutor Acéfalo - 07

Este é talvez o post mais importante desta colecção. Se tiver de escolher apenas uma regra deste guia prático, não vá mais longe! Aqui está ela! A verdadeira! A única! A arrebatadora regra para todos os condutores acéfalos!

Não há coisa mais inteligente para se fazer ao volante de um veículo. Na presença de um obstáculo ao longe, o condutor deve acelerar sempre até se encontrar a uma curta distância do mesmo. Depois deverá travar a fundo.

Imagine esta situação da vida real. Uma pessoa, fiel cumpridora das regras deste guia prático do condutor acéfalo, viaja pela faixa da esquerda da auto-estrada a uns simpáticos 100 km/h. Ao longe, você que também prima pela fidelização a este guia, circula também na faixa da esquerda a uns simpáticos 150 km/h. Ao avistá-lo, acelera mais um pouco... digamos... para 160 km/h. Ao faltarem umas escassas dezenas de metro para o ponto em que a traseira do carro da frente fica colada à dianteira do seu veículo, deverá travar a fundo para que progrida a uma velocidade igual ou inferior à do carro que vai à sua frente, de maneira a evitar a colisão.

Qual a razão para este inteligente comportamento? É óbvio! Provocar medo no condutor que vai à frente e fazer com que ele infrinja as regras deste guia, deslocando-se para uma faixa mais à direita e permitir que você, que vai atrás, possa progredir a viagem de acordo com as regras da boa condução acéfala. Porque, bem vistas as coisas, para si, mais vale serem os outros a desviarem-se das regras deste guia prático!

segunda-feira, agosto 23, 2010

Guia Prático do Condutor Acéfalo - 06

A faixa direita da estrada é para quem anda devagar e quem tem carros baratos de baixa cilindrada. A faixa esquerda da estrada é para quem anda depressa e quem tem carros caros de alta cilindrada.

E isto é sempre verdade, quer hajam mais carros na estrada ou não. Por exemplo: alguém que tenha um carro caro e/ou de alta cilindrada, ao entrar numa auto-estrada, deve colocar-se na faixa da esquerda e não a largar mais até sair da auto-estrada.

Estes conselhos também são válidos para quem acha que a sua chocolateira (também conhecida por machimbombo, calhambeque, Dona-Elvira, lata-velha, etc.) tem alma de carro caro e/ou de alta cilindrada ou que simplesmente gosta de colar o acelerador ao tapete de borracha sempre que anda nela.

Outra variante interessante desta regra aplica-se a todos os que têm aversão ao lado direito da estrada. Nestes casos, independentemente da velocidade e do tipo de via em que se circula, deverá preferir SEMPRE o lado esquerdo da faixa de rodagem.

quarta-feira, julho 28, 2010

Regresso a "Zero"

No que toca a leituras, existem duas temáticas que me agradam mais: divulgação científica e ficção científica.

Se me pedirem para concretizar o primeiro contacto que tive com a ficção científica, terei de referir o Regresso a "Zero", da autoria de Stefan Wul (escritor francês, 1922-2003) e publicada pelo Círculo de Leitores. Lembro-me, quando era pequeno, de pegar este livro da estante do meu pai e de ler alguns trechos.


Depois de vinte e muitos anos volvidos, senti-me com coragem para lê-lo do princípio ao fim (não pelas 143 páginas que o compõem mas pelo medo de não gostar do conteúdo).

A lua acha-se transformada, pelo governo da Terra, num imenso campo de concentração para condenados à pena máxima. A certa altura, porém, sabe-se que os Lunares preparam um ataque aos Terrenos. Um sábio é, então, enviado para o satélite com a incumbência de evitar o regresso a "zero" previsto pelos invasores. Entre os múltiplos problemas que Jâ Benal, assim se chama o sábio, tem de enfrentar avulta a operação a uma sua perna, efectuada por equipas de cirurgiões miniaturizados. Esta e muitas outras peripécias empolgantes continuam a fazer de Regresso a "0" uma obra cheia de génio, de clarividência, de poesia e de confiança inabalável na capacidade criativa do Homem. Foi-lhe atribuído em França (1956), o Grande Prémio do Romance de Ficção Científica.

No final do livro fiquei com a sensação que existem duas velocidades na narrativa e que poderiam ter sido acrescentadas mais 143 páginas. O título engana um pouco porque o regresso a zero só acontece, de facto, a poucas páginas do fim e é descrito com demasiada superficialidade em relação ao resto. Como todos os livros de ficção científica, existem partes em que a imaginação do escritor peca por excesso e outras, por defeito, já que não se consegue livrar de alguns pormenores técnicos que estariam em voga em 1956 mas que são projectados no futuro quase incólumes.

Este livro é o primeiro de uma série de 11 que o escritor publicou na segunda metade dos anos 50 do século XX. O décimo segundo e último, só surgiria em 1977.

sexta-feira, julho 16, 2010

Guia Prático do Condutor Acéfalo - 05

Se existir uma estrada estreita em que você passa todos os dias e na qual, por norma, não se cruza com veículos nenhuns (mais conhecidas por estradas do "lá vem um"), poderá assumir sem sombra de dúvidas que essa situação irá manter-se todas as vezes em que circular pela referida estrada. Assim, aconselha-se a que ande acima dos limites de velocidade permitidos e que corte o maior número de curvas que puder (poupando tempo e os pneus do carro), principalmente se as curvas forem fechadas e com pouca visibilidade.

quarta-feira, julho 14, 2010

Balada Africana

Ontem acabei de ler este livro, emprestado pelo meu pai há já algum tempo. Ex-combatente do ultramar, é inegável a influência que África tem na vida do meu pai. Isso comprova-se ao olharmos para a estante de livros que ele tem em casa. A "Balada Africana" é, sem sombra de dúvida, um dos seus livros preferidos e foi por isso que ele aconselhou-me a lê-lo.

O título original é "The Curve and the Tusk" e foi escrito em 1952. Stuart Cloete, o seu autor, relata neste livro uma história profundamente marcada por África: os usos e costumes dos seus povos, a relação que o homem branco tem com África e com os negros e a flora e fauna africanas com ênfase nos grandes paquidermes.

Considerei o livro de leitura fácil (embora estivesse escrito em português do brasil) e empolgante. Existem bastantes pensamentos filosóficos sobre a vida. As descrições são por vezes doces e maravilhosas e por outras cruas e directas, mas bem balanceadas. Há também alguma tensão erótica em certos trechos mas tudo muito bem escrito e estruturado.

Deve ler-se este livro tendo em linha de conta o período e o contexto em que foi escrito, na medida em que certos pensamentos do autor poderão roçar o racismo (a que não estará alheia a sua permanência em África-do-Sul, na altura ainda dominada pelo apartheid).


Deixo-vos agora com a sinopse que acompanha este livro.

BALADA AFRICANA é um grande e belo livro que singularmente se destaca do panorama das literaturas de África que só nos últimos anos começaram a impôr-se. O seu autor, Stuart Cloete, nasceu em Paris em 1897, descendendo de uma família sul-africana que o fez educar na Inglaterra. Participou da primeira guerra mundial, fixando-se depois no Transvaal (África do Sul), como fazendeiro. Ali viveu até 1935, quando decidiu viajar através do mundo.

A maioria dos romances de Stuart Cloete evocam a colonização da África do Sul através dos boers e dos ingleses, assim como a vida das tribos nativas. Um deles, "As rodas que giram" ("The Turning Wheels"), foi "best seller" nos Estados Unidos, levado para a tela e traduzido em 10 línguas.

BALADA AFRICANA é uma história de caçadas e de aventuras nas florestas de Moçambique, região que Stuart Cloete conhece perfeitamente, pois a sua fazenda do Transvaal ficava próxima da fronteira moçambicana. Mas, a pretexto de nos contar a história de dois elefantes, o escritor sul-africano fala-nos, sobretudo, dos negros e dos brancos que vivem em África, de suas reações, esperanças e desilusões. Por isso é que o romance interessará a um vasto público, desde os leitores que preferem as aventuras empolgantes àqueles que desejam conhecer melhor o chamado Continente Negro. Na verdade, nesta obra se reúnem duas das características que definem a literatura dos nossos dias - a ação e a realidade física e moral em que evoluem as personagens.

Stuart Cloete pretende esclarecer, na medida do possível, "o negro panorama africano", isto é, "explicar o grande problema da África, que é o problema branco". E nesta afirmação aparentemente paradoxal se concentra, em resumo, o drama dos povos africanos que chegam à encruzilhada: para onde vão os negros?

BALADA AFRICANA não é, porém, um livro de tese, nem tampouco coloca a questão africana sob o aspecto exclusivamente político. Aliás, o cenário do romance é simples, mas apaixonante: na selva, vivem dois elefantes sem mêdo; para a selva se encaminha também Maxupa, o jovem negro que ama N'Tembi, mas que dela deve separar-se para acalmar a ira dos deusus; Maxupa infringe, porém, a determinação de Têmbula, o feiticeiro, e é destruído, assim como N'Tembi e a filhinha de ambos, pelos dois elefantes furiosos. Dois caçadores, o velho Carew e o Jovem Maniero, procuram tranquilizar as populações aterrorizadas, abatendo os elefantes endemoninhados, mas um deles é ferido de morte...

Por detrás da aventura, está a África que Stuart Cloete nos sugere com realismo, quando declara: "O africano precisa de tornar-se mais do que é -um homem civilizado - ou menos do que é - um animal perigoso com forma humana. No que êle se tornará é coisa que depende menos dele do que de nós.

João Alves das Neves

terça-feira, julho 13, 2010

Guia Prático do Condutor Acéfalo - 04

Os fabricantes de automóveis exploram os seus clientes ao cobrarem-lhes dinheiro por colocarem dispositivos inúteis nos seus veículos. Um destes dispositivos são as luzes cor-de-laranja que se encontram a toda a volta do automóvel. Estas luzes são a coisa mais despropositada que existe. Gastam a bateria do automóvel, irritam o condutor com o barulhinho que fazem (tic... tic... tic...) e só servem para revelar as nossas intenções aos outros condutores. Como em tudo na vida, o segredo é a alma do negócio. Se alguma vez utilizar o pisca, faça-o, quando muito, depois de efectuar a manobra e nunca antes.

Audiolivro - Poemas de Luiz Vaz de Camões (Português Europeu - Portugal)

Seleção pessoal de 22 poemas de Luiz Vaz de Camões (Luís Vaz de Camões na grafia moderna). Luiz Vaz de Camões (1524-1580) é o grande poeta d...