terça-feira, novembro 16, 2010

Guia Prático do Condutor Acéfalo - 08

Não há coisa mais irritante do que os semáforos limitadores de velocidade. São irritantes porque, à partida, não deveria haver qualquer tipo de limite para a velocidade a que se circula, principalmente dentro das localidades.

Agora imagine este cenário. Você viaja pacatamente a 100 km/h dentro de uma localidade quando, sem que nada o possa prever, vê um otário à sua frente que circula à provecta velocidade de 50 km/h porque existe um sinal a avisar que os semáforos limitadores de velocidade que se encontram mais à frente estão ajustados para este grau de locomoção semelhante a uma lesma com obesidade mórbida.

O que deverá fazer?

A resposta é demasiado óbvia mas cá vai. Ultrapasse o otário e acelere o mais que puder de forma a garantir que o semáforo despolete e fique vermelho. Aí, com toda a pujança, ignore de alto a baixo a indicação do semáforo e passe por ele como se nada fosse enquanto se refastela com a visão do seu espelho retrovisor; o otário atrás de si parou no semáforo vermelho.

segunda-feira, novembro 15, 2010

WCAG 2.0

Web Content Accessibility Guidelines ou, em bom português, Directrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web. Na sua versão 2.0, constitui uma recomendação do W3C (World Wide Web Consortium) desde 11 de Dezembro de 2008.

Qualquer conteúdo disponibilizado na Web deverá ser:

1. Perceptível - a informação e os componentes da interface de utilizador têm de ser apresentados aos utilizadores em formas que eles possam percepcionar.
  • 1.1 - Fornecer alternativas em texto para qualquer conteúdo não textual permitindo, assim, que o mesmo possa ser alterado noutras formas mais adequadas à necessidade da pessoa, tais como impressão em caracteres ampliados, braille, fala, símbolos ou linguagem mais simples.
  • 1.2 - Fornecer alternativas para multimédia baseada no tempo.
  • 1.3 - Criar conteúdos que possam ser apresentados de diferentes maneiras (por exemplo, uma disposição mais simples) sem perder informação ou estrutura.
  • 1.4 - Facilitar a audição e a visualização de conteúdos aos utilizadores, incluindo a separação do primeiro plano e do plano de fundo.
2. Operável - os componentes da interface de utilizador e a navegação têm de ser operáveis.
  • 2.1 - Fazer com que toda a funcionalidade fique disponível a partir do teclado.
  • 2.2 - Fornecer tempo suficiente aos utilizadores para lerem e utilizarem o conteúdo.
  • 2.3 - Não criar conteúdo de uma forma conhecida por causar ataques epilépticos.
  • 2.4 - Fornecer formas de ajudar os utilizadores a navegar, localizar conteúdos e determinar o local em que se encontram.
3. Compreensível - a informação e a operação da interface de utilizador têm de ser compreensíveis.
  • 3.1 - Tornar o conteúdo de texto legível e compreensível.
  • 3.2 - Fazer com que as páginas Web surjam e funcionem de forma previsível.
  • 3.3 - Ajudar os utilizadores a evitar e corrigir erros.
4. Robusto - o conteúdo tem de ser robusto o suficiente para poder ser interpretado de forma fiável por diversos agentes de utilizador, incluindo tecnologias de apoio.
  • 4.1 - Maximizar a compatibilidade com actuais e futuros agentes de utilizador, incluindo tecnologias de apoio.
Mais informações em Directrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web (WCAG) 2.0.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Cantar em Sobre Tom

A tradução é literal. O termo inglês é Overtone Singing. Este "fenómeno" musical baseia-se no facto do cantor conseguir produzir, com a sua garganta, dois tons em simultâneo, um mais grave e outro mais agudo. Consta-se que a sua origem remonta à Mongólia. Quem canta é Christian Bollmann.

terça-feira, setembro 07, 2010

Meio-Silêncio

Não sou poeta. Escrevi esta prosa semi-poética em Novembro de 1997, numa altura em que estava emocionalmente sensível. Para ser poeta, penso que seria necessário ter episódios destes mais amiúde, o que pode ser bom mas também pode ser mau. Acabei por achar que o texto tinha a qualidade mínima suficiente para incluí-lo no meu blogue.

Estas linhas, escrevo-as ao acaso, enquanto espero por um final de tarde.

Lembro-me que são duas horas e eu aqui... num banco de jardim, alimentado pela brisa que passa e por algumas folhas amarelecidas que rodopiam à minha frente.

E é tão  bom parar! Eu que pensava ser este um lugar para os reformados, para aqueles que já não têm muito a esperar da vida, enganei-me. O barulho suave - se há algum barulho suave, é este - do chafariz que enfeita um dos cantos deste jardim, consegue ser um bom conselheiro.

Entretenho-me a ver as pessoas passar. Cada qual na sua vida, uma ou outra circunstância fez com que passassem por aqui neste momento em que estou receptivo ao que se passa à minha volta.

Estamos em meados de novembro. É natural que esteja um pouco frio. Eu, enquanto arrefeço, penso na minha vida.

Por acaso, numa daquelas atitudes irreflectidas, encostei a mão ao meu ouvido esquerdo. Fiquei assim, num estado de semi-surdez e os sons pareceram mais graves. Imaginei como seria a minha vida se não conseguisse ouvir. Naquele instante, tudo me pareceu poético: o movimento das pessoas, os risos das crianças, os automóveis que passavam, todos embebidos em meio-silêncio.

Estranho... ouço o bater do meu coração, o compasso da natureza. Ora acelerado, ora embalado em doces recordações. Tudo isto num banco de jardim, num qualquer princípio de tarde.

Nas minhas mãos tenho um guarda-chuva que, se calhar, não terei oportunidade de utilizar hoje. Ajuda também a guiar os meus passos e gosto de fazê-lo rodopiar, tendo por eixo a minha mão.

É altura de tomar caminho, numa terra que não é a minha, mas na qual me sinto em casa.

Guardo estas sensações porque sei que sonharei com elas mais tarde ou mais cedo.

Em breve partirei de comboio para a minha cidade, numa linha que já conheço bem. Não apreciarei a paisagem pois estará escuro, mas a viagem embalará o meu sono.

Alguns procuram um sentido para a vida. Na minha vida eu procuro lugares, pessoas, atmosferas, sons, amor. Coisas simples, coisas belas, que o Homem tanto estima porque lhe está na própria natureza. 

sexta-feira, setembro 03, 2010

Guia Prático do Condutor Acéfalo - 07

Este é talvez o post mais importante desta colecção. Se tiver de escolher apenas uma regra deste guia prático, não vá mais longe! Aqui está ela! A verdadeira! A única! A arrebatadora regra para todos os condutores acéfalos!

Não há coisa mais inteligente para se fazer ao volante de um veículo. Na presença de um obstáculo ao longe, o condutor deve acelerar sempre até se encontrar a uma curta distância do mesmo. Depois deverá travar a fundo.

Imagine esta situação da vida real. Uma pessoa, fiel cumpridora das regras deste guia prático do condutor acéfalo, viaja pela faixa da esquerda da auto-estrada a uns simpáticos 100 km/h. Ao longe, você que também prima pela fidelização a este guia, circula também na faixa da esquerda a uns simpáticos 150 km/h. Ao avistá-lo, acelera mais um pouco... digamos... para 160 km/h. Ao faltarem umas escassas dezenas de metro para o ponto em que a traseira do carro da frente fica colada à dianteira do seu veículo, deverá travar a fundo para que progrida a uma velocidade igual ou inferior à do carro que vai à sua frente, de maneira a evitar a colisão.

Qual a razão para este inteligente comportamento? É óbvio! Provocar medo no condutor que vai à frente e fazer com que ele infrinja as regras deste guia, deslocando-se para uma faixa mais à direita e permitir que você, que vai atrás, possa progredir a viagem de acordo com as regras da boa condução acéfala. Porque, bem vistas as coisas, para si, mais vale serem os outros a desviarem-se das regras deste guia prático!

quarta-feira, setembro 01, 2010

Freixo de Espada à Cinta

Qual a terra que fervilhou mais no meu imaginário desde miúdo? Sem dúvida que foi Freixo de Espada à Cinta. As razões? Quando queria dizer que algo ficava muito longe, num local remoto, vinha-me logo à ideia frases como "Isso fica mais longe que Freixo de Espada à Cinta"! Depois, o próprio nome da localidade é bastante enigmático.

Foi, portanto, com alguma comoção que me vi a visitar esta pacata localidade.

A origem da Vila de Freixo de Espada à Cinta perde-se nas brumas dos tempos, estando a sua fundação e toponímia encobertas pela neblina que sempre envolvem as lendas. Todavia, vários historiadores afirmam que os Narbassos, povo ibérico pré-romano mencionado por Ptolomeu, habitavam toda esta zona da Península, pressupondo-se assim a existência desta povoação anterior à fundação do Reino de Portugal.

A 27 de Março de 1248 D. Afonso III confirmou o foral outorgado pelo nosso primeiro monarca e todos os privilégios da vila, concedendo-lhe ele próprio um novo diploma foralengo em 20 de Janeiro de 1273.

Freixo é uma vila cheia de História podendo ser usufruída pelo visitante com enorme satisfação, que ao percorrer as suas ruas cheias de portadas e janelas manuelinas, as antigas muralhas e torre ainda medievais, ao visitar a Igreja, ao passear pela Encruzilhada, pela Rua das Flores, pelo Vale, pelo Castanheiro ou pelo Outeiro, desfrutará com certeza de um prazer sem comparação.

A igreja matriz é bastante grande, rectangular, com abside quadrangular e dois absidíolos, um de cada lado, gigantes góticos em três andares e contrafortes nos ângulos da fachada que deixam entrever os cinco tramos em que se divide a nave. As frestas entre os contrafortes rematam em arco redondo, tendo as gárgulas a forma de canhão e os remates em pináculos quadrangulares tão característicos dos meados do séc. XVI.


A Torre do Galo é um monumento nacional. Em granito, facetada e heptagonal é hoje em dia um único e impressionante testemunho do extinto castelo medieval. Segundo Frei Viterbo esta torre foi mandada fazer por D. Fernando I cerca de 1376, uma vez que por ordem expressa deste monarca, nas terras onde não havia paços régios (caso de Freixo), para instalação dos reis quando as visitassem, foram mandados construir os "apartamentos de alcácere" que aqui foram esta torre e o seu belo salão ogival e que durante séculos serviram de residência ao alcaide ou ao governador do castelo.


Também visitámos o museu instalado na Casa da Cadeia, que é quinhentista e serviu como prisão Municipal. Foi feita a sua total recuperação para nela se situar um pólo museológico dividido por 4 salas: "Breve história geológica", "A cultura dos berrões" (denominados por “berrões” ou “verracos”, são representações escultóricas, normalmente em granito, de porcos, javalis, touros, carneiros e talvez ursos), "Dos forais ao município" e "A evolução do mundo agrário".

Perto da Torre do Galo, a minha esposa chamou-me a atenção para o verdadeiro freixo de espada à cinta.


Embora os principais monumentos estejam bem conservados, a localidade propriamente dita está um tanto ou quanto degradada, existindo bastantes casas devolutas.

segunda-feira, agosto 30, 2010

W3C - Conselhos para Fazer Sítios Web Acessíveis

Em 2005 fui a uma conferência da W3C, organizada no Hotel Sana Metropolitan em Lisboa, intitulada "W3C/WAI Web Accessibility Best Practices Evaluation Training". No meio da documentação disponibilizada, vinha um cartão do tamanho dos cartões de crédito com o título deste post. Como ainda se mantém actual, transcrevo-o na íntegra.

  • Imagens e animações. Utilize o atributo alt para descrever a função de cada elemento visual.
  • Mapas de imagem. Utilize mapas de cliente (anotação map), empregando texto nos pontos activos.
  • Multimédia. Disponibilize legendas e transcrições da componente sonora e descrições da componente visual.
  • Ligações de hipertexto. Utilize texto que faça sentido, mesmo lido fora do contexto. Por exemplo: evite "clique aqui".
  • Organização das páginas. Utilize cabeçalhos, listas e uma estrutura consistente. Sempre que possível, utilize CSS para efeitos de disposição e estilo.
  • Gráficos e esquemas. Forneça resumos ou utilize o atributo longdesc.
  • Scripts, applets e suplementos. Forneça conteúdo alternativo, se as características activas não forem acessíveis ou se não forem suportadas pelo navegador.
  • Frames. Utilize a anotação noframes e empregue títulos com significado.
  • Tabelas. Faça com que a leitura linha-a-linha seja compreensível. Forneça resumos.
  • Verifique o trabalho. Efectue validações. Recorra a ferramentas e às directivas existentes em http://www.w3.org/TR/WCAG/.

© W3C (MIT, INRIA, Keio) PT 2001/08

P. S. - W3C significa World Wide Web Consortium; WAI significa Web Accessibility Initiative. CSS significa Cascanding Style Sheets. Para saber mais, consulte: http://www.w3.org/WAI/.

Shallow

Tell me somethin', girl Are you happy in this modern world? Or do you need more? Is there somethin' else you're searchin...