terça-feira, agosto 17, 2010

Mariza

Vamos começar por descrever as minhas férias do fim para o princípio (já não é necessário explicar porque é que não actualizo o meu blog há 15 dias).

Neste primeiro post, dou conta da última actividade oficial das minhas férias: assistir ao espectáculo de Mariza e Tito Paris em Ponte de Lima.


Chegámos ao recinto da Expolima cerca de uma hora antes do início do espectáculo, o que nos permitiu obter um lugar perto do palco. O evento era ao ar livre e as cadeiras, embora de plástico, eram confortáveis. O palco estava decorado com tiras de pano colocadas segundo a vertical. O jogo de luzes encarregava-se de transformar aquelas tiras de pano em jogos de cores, formas e volumes. Não foi preciso mais. O que importava mesmo eram as vozes dos artistas.

Vinte minutos depois da hora marcada no bilhete surgem os músicos e, finalmente, Mariza pisa o palco em Ponte de Lima.

Há cerca de dois meses tive oportunidade de ver na televisão um espectáculo de Mariza e Paulo Gonzo, o que me proporcionou um termo de comparação para este espectáculo. Mariza é uma excelente cantora. Não me parece que improvise enquanto canta. Deve ensaiar até à exaustão cada nota de música para que nada falhe. Afinal de contas, é uma das grandes fadistas portuguesas e há uma reputação a manter. O que varia é a sua interacção com o público que, diga-se desde já, não podia ser melhor. Provoca, anima, confronta e graceja, dependendo muito da reacção que o público vai tendo durante a actuação. Nesta actuação em particular, a reacção do público foi, no início, de veneração pela diva e, no fim, de total euforia. A veneração sentia-se pelos silêncios na música que faziam eco entre os espectadores. A euforia manifestou-se pelas danças improvisadas entre a plateia, os braços no ar e as palmas. Já que falo de público, devo também elogiá-lo, uma vez que nunca vi um público tão afinado a cantar e com tanta noção de ritmo a bater palmas.

Tito Paris não podia ser mais diferente de Mariza em todos os aspectos. E deve ser por isso que resultam tão bem enquanto dupla em palco. Tito Paris trabalha mais "solto", mais no improviso... mas tudo com bastante profissionalismo. Os ritmos de Cabo Verde contagiaram o público que delirou quando Mariza e Tito Paris deram uns passinhos de dança.

A amplificação sonora estava q. b. e a qualidade sonora estava acima de qualquer crítica. Para além de Mariza e Tito Paris, saliento também a intervenção do percussionista, que nos brindou com alguns solos estrondosos.

Como conclusão, foi um final de noite bem passado, junto de músicos que elevam bem alto a fasquia da qualidade da música portuguesa e cabo-verdiana.

quarta-feira, julho 28, 2010

Regresso a "Zero"

No que toca a leituras, existem duas temáticas que me agradam mais: divulgação científica e ficção científica.

Se me pedirem para concretizar o primeiro contacto que tive com a ficção científica, terei de referir o Regresso a "Zero", da autoria de Stefan Wul (escritor francês, 1922-2003) e publicada pelo Círculo de Leitores. Lembro-me, quando era pequeno, de pegar este livro da estante do meu pai e de ler alguns trechos.


Depois de vinte e muitos anos volvidos, senti-me com coragem para lê-lo do princípio ao fim (não pelas 143 páginas que o compõem mas pelo medo de não gostar do conteúdo).

A lua acha-se transformada, pelo governo da Terra, num imenso campo de concentração para condenados à pena máxima. A certa altura, porém, sabe-se que os Lunares preparam um ataque aos Terrenos. Um sábio é, então, enviado para o satélite com a incumbência de evitar o regresso a "zero" previsto pelos invasores. Entre os múltiplos problemas que Jâ Benal, assim se chama o sábio, tem de enfrentar avulta a operação a uma sua perna, efectuada por equipas de cirurgiões miniaturizados. Esta e muitas outras peripécias empolgantes continuam a fazer de Regresso a "0" uma obra cheia de génio, de clarividência, de poesia e de confiança inabalável na capacidade criativa do Homem. Foi-lhe atribuído em França (1956), o Grande Prémio do Romance de Ficção Científica.

No final do livro fiquei com a sensação que existem duas velocidades na narrativa e que poderiam ter sido acrescentadas mais 143 páginas. O título engana um pouco porque o regresso a zero só acontece, de facto, a poucas páginas do fim e é descrito com demasiada superficialidade em relação ao resto. Como todos os livros de ficção científica, existem partes em que a imaginação do escritor peca por excesso e outras, por defeito, já que não se consegue livrar de alguns pormenores técnicos que estariam em voga em 1956 mas que são projectados no futuro quase incólumes.

Este livro é o primeiro de uma série de 11 que o escritor publicou na segunda metade dos anos 50 do século XX. O décimo segundo e último, só surgiria em 1977.

terça-feira, julho 27, 2010

Teletransporte

Se houvesse esta tecnologia, bem ao estilo de Star Trek, gostaria de ser teletransportado do meu local de trabalho (aka Sauna) para o Campo Pequeno... e ficar lá... calmamente... à espera de Mark Knopfler. Talvez levasse novamente com o brilho da guitarra mítica nas trombas, como aconteceu em 1996 no Coliseu do Porto. Desta vez Mark, desculpa-me. Não vou poder ir. A minha alma sofre e espera por uma próxima oportunidade.

quinta-feira, julho 22, 2010

"Caderneta de Cromos" por Vítor

Ultimamente tive curiosidade em ouvir os PodCasts do programa de Nuno Markl na Rádio Comercial intitulado "Caderneta de Cromos". Concordo com ele quando afirma no primeiro programa desta série: "Não há geração mais bizarramente nostálgica do que a nossa [geração de 70-80]". Fui fazer uma leitura mais atenta do meu blog e encontrei nele algumas nostalgias desses tempos e outras coisas que, não sendo desses tempos, podem vir a ser, no futuro, consideradas nostalgias. Assim sendo, criei uma nova etiqueta intitulada "Caderneta de Cromos" por Vítor.

quarta-feira, julho 21, 2010

Semiótica

Semiótica - (s. f.) Ciência dos modos de produção, de funcionamento e de recepção dos diferentes sistemas de sinais de comunicação entre indivíduos ou colectividades.

Uma das minhas funções enquanto Web Designer é a de criar os mais variados ícones para interfaces que actuam como elementos informativos ou que despoletam um qualquer tipo de acção.

Este processo criativo pode ser bastante difícil, dependendo do que o ícone é suposto representar.

No início do desenvolvimento do Sistema de Informação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, pareceu-me ser uma boa ideia recorrer à analogia dos sinais de trânsito para ilustrar algumas respostas do sistema a acções do utilizador.

Assim, utilizou-se, entre outros:

  • Sentido Proibido - o utilizador não tem permissões para aceder a uma página (ultimamente optou-se por retirar este símbolo uma vez que alguns utilizadores consideravam-no "chocante");
  • Via Sem Saída - o sistema não encontrou dados para a pesquisa efectuada;
  • Perigos Vários - chamada de atenção sobre determinadas acções ou informações;
  • Via Sem Cruzamentos de Nível (Auto-estrada) - a informação foi submetida com sucesso.
O fascínio pelos sinais de trânsito vem dos meus tempos de criança. Recordo-me de receber como presente o jogo "Sinais de Trânsito - Loto" da Majora, em tudo igual ao loto normal mas em que os números eram substituídos por sinais de trânsito. Também fui presenteado com outro jogo intitulado "Sinais de Trânsito", fabricado em Oliveira de Azeméis e que era composto por um conjunto de sinais de trânsito e por dois carrinhos de Fórmula 1 (como se os carros de Fórmula 1 tivessem, na sua actividade comum, de respeitar os sinais de trânsito). O intuito deste último jogo era dispor os sinais de trânsito ao nosso bel-prazer e depois, com os carrinhos, percorrer os sinais de trânsito respeitando as suas indicações.


Se pensarmos bem, os sinais de trânsito dão-nos algumas pistas acerca do processo da criação de ícones para aplicações:

  • Os desenhos devem ser simples e inequívocos;
  • A paleta de cores deve ser criteriosamente estudada para proporcionar o melhor contraste possível tendo em vista a correcta identificação do que está representado;
  • As cores podem ser associadas a determinados contextos (vermelho - perigo ou proibição; azul - informação) desde que não exista quebra do contexto em toda a aplicação e desde que a cor não seja o único elemento identificativo de um determinado contexto (pense-se nos indivíduos que não conseguem ter uma percepção normal das cores);
  • As formas dos sinais podem ser associadas a determinados contextos (triângulo - perigo; circular - proibição; quadrado - informação) desde que não exista quebra do contexto em toda a aplicação. Note-se que, no caso dos sinais de trânsito, existem formas especiais como o triângulo invertido (perda de prioridade) e o octógono (stop) que tanto informam o condutor que se apresenta a esse sinal de frente como o condutor que vê o sinal "de costas".

segunda-feira, julho 19, 2010

What Makes Them Click?

Acabei de (re)ler este fim-de-semana o livro de Susan Weinschenk (aka Brain Lady) "Neuro Web Design - What Makes Them Click?".


É um livro bastante interessante, na medida em que enquadra o design de sites para a Web tendo em conta a forma como o nosso cérebro funciona. Isto traduz-se em sites mais persuasivos.

Embora o ênfase seja dado a sites comerciais, as linhas orientadoras podem ser aplicadas a outro tipo de situações, incluindo aquelas que, para mim, são mais interessante: sites institucionais ligados à educação universitária.

É um livro que se lê com facilidade, cheio de exemplos práticos e de ideias que podem ser utilizadas de imediato. A perspectiva psicológica sobre a mente humana, principalmente ao nível do sub-consciente, dá-nos uma visão mais profunda sob a forma como nós, os humanos, somos atraídos pelos conteúdos da Web. Ensina-nos a lidar com o sub-consciente e quais as zonas do cérebro que devemos estimular para tornarmos o nosso site mais efectivo e apelativo.

Uma leitura a não perder por todos aqueles que se interessam pela Acessibilidade e Usabilidade Web.

sexta-feira, julho 16, 2010

Guia Prático do Condutor Acéfalo - 05

Se existir uma estrada estreita em que você passa todos os dias e na qual, por norma, não se cruza com veículos nenhuns (mais conhecidas por estradas do "lá vem um"), poderá assumir sem sombra de dúvidas que essa situação irá manter-se todas as vezes em que circular pela referida estrada. Assim, aconselha-se a que ande acima dos limites de velocidade permitidos e que corte o maior número de curvas que puder (poupando tempo e os pneus do carro), principalmente se as curvas forem fechadas e com pouca visibilidade.

Shallow

Tell me somethin', girl Are you happy in this modern world? Or do you need more? Is there somethin' else you're searchin...