quarta-feira, outubro 28, 2009

Música Essencial

Hoje quis fazer uma colectânea de músicas para colocar no telemóvel e acabei por chegar a 73 músicas que considero indispensáveis (sem as quais não me imagino a viver). Apresentarei, para cada grupo, uma pequena história de como comecei a ouvi-los.

ABBA
Devo ao meu pai e às suas cassetes o primeiro contacto que tive com os ABBA, mais precisamente com o álbum "Voulez-Vous".
  • Another Town, Another Train
  • Eagle
  • Move On
  • One of Us
  • S.O.S.
  • The Day Before You Came
  • The Piper
Amy Winehouse
A minha amiga e colega de trabalho A.F.O. deixou-me ouvir algumas músicas desta excêntrica cantora. Diga-se o que se disser, a Amy soube colocar a sua alma na música e na letra.
  • Rehab
  • You Know I'm No Good
  • Back to Black
  • Tears Dry On Their Own
Carlos Paredes
Foi um dos casos em que conheci primeiro a música do que o autor. Os documentários mais antigos da RTP, quando retratavam Portugal, invariavelmente colocavam música de Carlos Paredes. Na minha mente, sempre associei imagens a preto-e-branco bucólicas sobre Portugal e as suas gentes à música de Carlos Paredes.
  • In Memoriam
  • Balada de Coimbra
  • Verdes Anos
Eagles
Lembro-me de ouvir Hotel California num rádio de automóvel e de ter pensado "não vou descansar enquanto não souber quem são estes tipos" (apanhei a música a meio).
  • Hotel California (live on "Hell Freezes Over")
Enigma
Num passeio do secundário à Costa da Caparica (1990), fomos parar a uma discoteca pequena onde, pela primeira vez ouvi esta sonoridade que me hipnotizou.
  • Dancing With Mephisto
  • Gravity of Love
  • Morphing Thru Time
  • Principles of Lust
  • Return to Innocence
  • Sitting on the Moon
Gipsy Kings
Ouvi-os pela primeira vez numa cassete manhosa do meu antigo vizinho do segundo andar da casa dos meus pais quando ainda era criança.
  • Aven, Aven
  • Como Siento Yo
  • Duende
  • Galaxia
  • Legende
  • Luna de Fuego
  • Tampa
Heroes del Silencio
Esta magnífica banda Espanhola foi-me dada a conhecer (1997) pela minha amiga de Braga M.S. que é sua fã nº1... principalmente do vocalista.
  • Heroe de Leyenda
Keane
Mais uma vez tenho de agradecer à A.F.O. por me apresentar a música desta banda.
  • Bend and Break
  • Everybody's Changing
  • She Has No Time
  • Bedshaped
Madonna
Não sou particularmente fã da música da Madonna, mas ao ver na televisão o video-clipe desta música pensei: aqui está uma sonoridade interessante!
  • Frozen
Mark Knopfler
Devo a descoberta de Mark Knopfler e da sua ex-banda Dire Straits ao meu amigo de infância R.S. Ainda me lembro de gravarmos o video-clipe "Money for Nothing" com o gravador de cassetes em frente à televisão (1985)!
  • All The Roadrunning
  • Border Reiver
  • Brothers In Arms
  • Done With Bonaparte
  • Get Lucky
  • Going Home
  • Golden Heart
  • Je Suis Désolé
  • Love Over Gold
  • So Far Away
  • Sultans of Swing
  • Wild Theme
Mike Oldfield
Outra descoberta que devo a R.S. e ao seu CD "The Complete Mike Oldfield".
  • Celtic Rain
  • In High Places
  • Moonlight Shadow
  • Mount Teidi
  • Poison Arrows
  • Shadow on the Wall
  • Sheba
  • Talk About Your Life
  • The Lake
  • The Song of the Sun
  • The Voyager
  • To France
  • Women of Ireland
U2
Comecei a interessar-me por esta banda por volta de 1997, por causa de uma amiga da M.S. que me falava maravilhas dos U2.
  • Electrical Storm
  • One
  • Until the End of the World
Vangelis
Outro autor do qual conheço primeiro a música. Talvez tenha sido o meu amigo C.S. que tenha feito despoletar o meu interesse por Vangelis quando decidiu incluir algumas músicas deste autor numa apresentação multimédia que fizémos em conjunto.
  • 12 o'Clock
  • Alpha
  • Closing Titles from Mutiny on the Bounty
  • Creation du Monde
  • He - O
  • I'll Find My Way Home
  • La Petite Fille de la Mer
  • Stuffed Tomato
  • Theme from Antarctica
  • Theme from the TV Series Cosmos
  • To the Unknown Man

terça-feira, outubro 27, 2009

Comprimento das linhas de texto

Ultimamente, há muitos assuntos interessantes para comentar no domínio da acessibilidade/usabilidade.

Susan Weinschenk fala desta vez em qual o comprimento ideal de uma linha de texto.

A investigação [DYSON, 2004] comprova que o comprimento óptimo de uma linha de texto para leitura no ecrã é de 100 caracteres (maximiza a velocidade de leitura). No entanto, se perguntarmos aos utilizadores o que é que eles preferem, responderão que gostam mais de linhas mais curtas (45 a 72 caracteres).

A investigação também aponta que uma só coluna de texto é melhor que múltiplas colunas. Novamente, os utilizadores dizem preferir múltiplas colunas.

Susan termina com uma pergunta: deveremos dar às pessoas o que elas preferem ou ir contra as suas preferências e intuições, sabendo que lerão mais rápido se forem usados maiores comprimentos de linha e uma coluna de texto?

A minha resposta para esta pergunta não pode deixar de passar pelos ensinamentos de outro guru da acessibilidade (Jakob Nielsen) que nos diz que não deveremos dar mais importância ao que o utilizador diz do que ao que o utilizador faz.

No entanto, a resposta não é assim tão simples. Da leitura superficial que fiz do paper, o estudo não quantifica os ganhos em rapidez relativamente ao número de caracteres por linha e à compreensão do texto. Quero com isto dizer que os ganhos podem não justificar a aparência final da página (menos apelativa para os utilizadores). Mais importante ainda do que o número de caracteres por linha será o texto adaptado à Web. Ninguém gosta de ler lençóis enormes de texto no ecrã. Se o objectivo for levar os utilizadores a ler um romance ou outra literatura de grandes dimensões no ecrã, deverão utilizar-se as técnicas que comprovadamente tornam a leitura mais fácil para os utilizadores.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Potências de 10: Escalas de tempo na experiência do utilizador

Admito (já admiti antes...) que não sou particularmente bom a matemática e, pelos vistos, Jakob Nielsen - o autor do post - também não o é (aparentemente). A escala de tempo aqui apresentada usa potências de 10 mas não é, em si mesma, uma escala pura em potências de 10, uma vez que utiliza várias medidas de tempo. Porém, o título é sonante e o resultado é... interessante.

0,1 Segundos
Uma experiência levada a cabo pela Dr. Gitte Lindgaard revelou que os utilizadores precisam de apenas metade de um décimo de segundo (0,05 segundos) para decidir se uma página é ou não apelativa visualmente.
Até aos 0,1 segundos, os utilizadores têm a sensação da resposta ser imediata por parte do computador a um comando que executem (por exemplo, o tempo que um menu de escolha múltipla possa demorar a expandir depois de "clicado").

1 Segundo
Se o computador responde entre os 0,1 segundos e 1 segundo, o utilizador tem a sensação que o computador está a preparar a resposta ao seu comando. Neste espaço de tempo, o utilizador ainda consegue ficar focado na acção. Quer isto dizer que toda a interacção na Web deverá ocorrer idealmente até 1 segundo.

10 Segundos
A partir do primeiro segundo, os utilizadores começam a ficar impacientes e têm a noção de estar perante um computador lento. 10 segundos é o limite máximo da paciência para um utilizador. Mais de 10 segundos implica a quebra do ritmo de interacção e, na maior parte das vezes, os utilizadores abandonarão o site. É sabido que, em média, uma página Web é vista durante 30 segundos.

1 Minuto
Os utilizadores deverão ser capazes de completar tarefas simples em menos de um minuto. Os videos da Internet não deverão demorar mais do que 1 a 2 minutos, uma vez que quando os utilizadores estão "sintonizados" para a navegação Web, não gostam de ficar sentados a olhar passivamente para coisas mais do que 2 minutos. A maior parte das visitas a sites demora entre 2 e 4 minutos.

10 Minutos
10 minutos será uma visita longa a um website.

1 Hora
A maior parte dos utilizadores completa tarefas na Web em menos de uma hora. Uma hora é quando deve também durar um estudo de usabilidade. Este valor é ainda mais verdadeiro no que toca a crianças. Os adultos poderão aguentar, no máximo dos máximos, duas horas.

1 Dia
É o tempo de resposta máximo para um serviço de apoio a clientes baseado na Web (embora se deva dar uma resposta de "mensagem recebida" em menos de 1 minuto.

1 Semana
O Facebook e o Twitter são visitados diariamente mas o MySpace e o LinkedIn recebem mais visitas semanais. Os sites deverão observar o que os utilizador

1 Mês
Os processos de negócio tomam mais tempo do que as decisões individuais. Para os sites B2B e de colaboração institucional, é normal haver um mês ou mais entre o início da acção e o seu fim.

1 Ano
Quando se utiliza um site durante um ano, começa-se a ser um utilizador experiente. É necessário este tempo todo devido à forma superficial como os utilizadores visitam os sites. Cada visita é curta e as pessoas não dispendem muito tempo a procurarem novas funcionalidades ou a cimentarem os seus conhecimentos.
As mudanças organizacionais demoram anos. Por exemplo, uma empresa demora 2 ou 3 anos a progredir de nível nos 8 estágios de maturidade da usabilidade.

10 Anos
Leva aproximadamente 10 anos para que os utilizadores adquiram conhecimento profundo acerca de um sistema complexo como o Unix.
Os dados vivem frequentemente durante décadas - muito mais do que o interface com o utilizador que as pessoas utilizam para terem acesso aos dados. Isto significa que são precisas ferramentas de migração para ajudar os utilizadores a transferirem os dados antigos para os novos sistemas.

100 Anos
Se a mudança a nível organizacional demora anos, as mudanças na sociedade podem demorar décadas. Por exemplo, é possível que os sistemas colaborativos despovoem as cidades. Também é possível que a mudança para informação mais curta e superficial em vez da informação imersiva e linear mine a educação à medida que as pessoas possam perder as suas capacidades para aprenderem e estudarem conceitos mais difíceis.

Cegueira devida à falta de atenção

O Blog de Susan Weinschenk intitulado "What Makes Them Click?" (que sigo regularmente) salienta um fenómeno interessante que ela intitula de "Cegueira devida à falta de atenção". Grosso modo, este fenómeno traduz-se pela nossa incapacidade em estarmos atentos a determinados pormenores, principalmente se estamos sintonizados para outros aspectos. O vídeo que se segue é bastante elucidativo.

No que é que isto se traduz para a realidade da Web, pergunta Susan? Mudar alguma coisa numa página Web, mesmo que de forma espampanante, não quer dizer inequivocamente que os utilizadores reparem nela. Isto fez-me lembrar de outro fenómeno mencionado por Jakob Nielsen denominado de "Cegueira à Publicidade": estamos tão habituados a sermos bombardeados com publicidade na Web que praticamente já não reparamos em banners (ou coisas que se assemelhem a banners) ou em animações demasiado agressivas.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Maioria absoluta "jamais"

O "jamais" do título deve ser pronunciado como "já-mé", ao estilo françuguês.

Que alívio! Tinha prometido aos meus amigos que cometeria uma coisa mázinha contra mim mesmo se Sócrates vencesse novamente com maioria absoluta. As maiorias absolutas são um pseudo-contra-senso dentro da democracia quando mal utilizadas (que foi mais ou menos o que aconteceu nos últimos anos).

O PSD não teve uma líder carismática à altura de Sócrates e o seu discurso não reflectiu as verdadeiras preocupações dos portugueses. Como tal, ganharam os partidos que ressaltaram de uma forma ou de outra os pontos fulcrais da má governação de Sócrates, apresentando de forma clara as alternativas que defendem. Falo, claro está, do CDS-PP e do Bloco de Esquerda. São partidos pequenos mas que têm crescido muito à custa do trabalho de casa bem feito.

A CDU continua a "conseguir fazer bastantes omeletes com poucos ovos" (Marcelo Rebelo de Sousa dixit). Esta frase retrata, na sua essência, a forma como um partido que, tendo ficado em último lugar no rol de partidos com assento parlamentar consegue, mesmo assim, aumentar o número de votantes e o número de deputados.

Os próximos tempos não serão fáceis para Sócrates e para a sua equipa. As contas da estabilidades são complexas: governos maioritários com o PSD (reavivando o bloco central), com o CDS-PP (duas personalidades bastante fortes e difíceis de conjugar) ou com os dois partidos de esquerda juntos (tendo de aguentar com o ódio visceral entre o Bloco de Esquerda e a CDU). Será que Sócrates tem uma faceta diplomata que ainda não revelou ou vai continuar igual a si próprio? Só o futuro o dirá.

Espero que não seja Portugal a pagar a factura do desentendimento entre os partidos. É nesta altura que todos eles deverão pensar mais no futuro e deixarem de olhar para os seus próprios umbigos.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Redesign: Totalmente Novo vs. Familiar

O último post de Jakob Nielsen tem algumas ideias interessantes.

"Os utilizadores detestam mudanças. Por isso, é geralmente melhor continuar com o design familiar e evoluir gradualmente. Contudo, a longo prazo, o incrementalismo destrói a coerência, necessitando por isso de uma nova arquitectura de Interface para o Utilizador (IU)".

Ouve-se muitas vezes os gestores pedirem um "novo design". Isto conduz geralmente a um projecto com objectivos e estratégias errados.

Tipicamente, um design totalmente novo será um pior design, simplesmente porque é novo, quebrando as expectativas dos utilizadores. Uma melhor estratégia é optar pela familiaridade, construindo o novo design no conhecimento existente nos utilizadores de como funciona um sistema.

Porque é que a equipa quer um novo design?

Porque geralmente as equipas passam literalmente a vida a olhar para o site que desenvolvem. É natural que se ache o design cansativo. O utilizador típico, pelo contrário, só passou algumas horas nos últimos anos a olhar para esse mesmo design. Uma das Leis de Jakob sobre a experiência dos utilizadores na Internet diz-nos que "os utilizadores passam a maior parte do tempo noutros sites".

Porque é que os utilizadores querem um design familiar?

A razão mais importante? Os utilizadores não querem saber do design per se; querem fazer as coisas que têm a fazer e sair. As pessoas normais não adoram ficar sentadas em frente a um computador. Preferem antes assistir a um jogo de futebol, passear o cão, etc.

Quando as pessoas visitam um sítio Web ou utilizam aplicações, não passam o seu tempo a analisar ou admirar o design. Focam a sua atenção nas tarefas, no conteúdo e nos seus próprios dados ou documentos.

Por isso, as pessoas gostam de um design quando sabem as suas funcionalidades e conseguem localizar imediatamente aquelas de que precisam. Por outras palavras, gostam de um design familiar.

De facto, cada vez que se faz um redesign, deve estar-se preparado para uma inundação de emails de clientes zangados. É uma lei da natureza: os utilizadores odeiam mudanças e queixam-se cada vez que se muda alguma coisa ou quando se reduz a sua capacidade de fazer aquilo que sempre fizeram.

(Ter utilizadores a queixarem-se de um redesign não quer dizer necessariamente que é mau. Se o novo design tiver melhor usabilidade, as pessoas eventualmente começarão a gostar dele. As queixas dos clientes não são razão para se evitarem todos os redesign; são simplesmente uma razão para evitar mudanças no design unicamente para "ficar novo".)

Quando se deve mudar um design?

Geralmente é melhor evoluir a IU com mudanças subtis do que apresentar um design totalmente novo. Nielsen recomenda que primeiro se obtenha o design básico efectivo antes do seu lançamento, para que possa viver durante vários anos com updates pequenos. Antes de disponibilizar um design aos consumidores, devem ser utilizadas técnicas como "design rápido iterativo" e "prototipagem em papel" para explorar convenientemente o espaço de design e polir a usabilidade.

Esta abordagem contrasta com a de simplesmente "atirar qualquer coisa à parede para ver se cola". De facto, algumas pessoas advogam que se deve disponibilizar a nossa melhor aposta porque a beleza da web é que se pode sempre mudar quando alguma coisa está errada. Isto é verdade mas será impopular porque:
  • estará a maltratar os utilizadores submetendo-os a um design com falhas que poderia ter sido consertado em poucos dias antes de ser disponibilizado;
  • irá antagonizar os utilizadores fazendo-os sofrer com as mudanças que sabemos que irão detestar.
No geral, comece por fazer uma coisa em condições, com perspectivas de futuro e depois mude-a lentamente. Ainda assim, existem dois casos em que uma abordagem mais radical pode ser apropriada.
  • Se não tiver quase nenhuns utilizadores e esperar que a melhoria no design venha a expandir o número desses utilizadores. Neste caso, a punição dos poucos utilizadores existentes pode ser compensada pela aquisição de novos utilizadores. Lembre-se contudo da máxima: um pássaro na mão é melhor que dois a voar.
  • Se o seu design antigo foi evoluindo incrementalmente durante muitos anos fazendo com que a experiência geral dos utilizadores regredisse e perdesse qualquer sentido de estrutura conceptual unificadora.
Por isso, a não ser que o seu design actual seja uma amálgama de funcionalidades que precisam de uma nova arquitectura, é melhor continuar com um design familiar que os utilizadores preferem e evitar a tentação de providenciar um novo design do qual só você gostará.

terça-feira, setembro 22, 2009

Esmiuçar os Sufrágios

As entrevistas com os líderes dos principais partidos que concorrem às próximas legislativas acabou. Os Gatos tiveram uma excelente ideia ao criarem um programa que alia o humor à política... afinal de contas, humor e política nunca andaram muito afastados.

Depois de ver as 5 entrevistas (Sócrates, Manuela, Portas, Louçã e Jerónimo), não restam dúvidas para mim que os mais autênticos, com mais sentido de humor e que, a abono da verdade, fizeram rir Ricardo Araújo Pereira foram a Manuela Ferreira Leite e o Jerónimo de Sousa. Sócrates estava tenso e contornava as perguntas, Portas estava pouco à vontade e aproveitou para fazer campanha e Louçã não conseguiu afastar o seu ar de ressabiado.

É interessante ver esta faceta dos políticos que temos. Muitos aliam o sentido de humor à inteligência superior e, logo, este poderá ser mais um indício na altura de escolher em quem se vota.

Shallow

Tell me somethin', girl Are you happy in this modern world? Or do you need more? Is there somethin' else you're searchin...