quarta-feira, setembro 20, 2006

Fiu-Fiu

Um dos hábitos que tenho desde tenra idade é desenhar. Quando arrumei o meu sótão, descobri montanhas de cadernos onde fazia os meus rabiscos. Folhas todas preenchidas. Um treinamento de anos, que começou a dar os seus frutos na escola primária. A Dona Edite adorava os meus desenhos! E eu, todo contente, adorava ilustrar as minhas redacções.

Já na Preparatória, fui o menino bonito da professora de Educação Visual. Na primeira aula disse-nos para fazermos um desenho que nos identificasse, na capa onde guardaríamos os desenhos ao longo do ano. Fiz um leão. Que convencido! Mas ela adorou o meu leão e todos os outros desenhos que fiz. Eu adorei os cincos que me dava!

Na secundária, o bichinho do desenho cresceu ainda mais. Escolhi a área E - Artes Visuais. No 12º ano desenvolvi a técnica de desenhar, verdadeiramente. Ao concorrer ao ensino universitário, lá puz "Design e Artes Gráficas" na Escola de Belas Artes do Porto, mas em último lugar... isto porque me convenceram que com esse curso, passaria a vida a desenhar nos passeios da Rua de Santa Catarina. Talvez não tivesse sido assim.

Quando entrei para Engenharia Mecânica, encontrei um colega na rua que tinha estudado comigo no 12º ano e que me perguntou:

- Então? Entraste em Belas Artes?
- Não. Coloquei Engenharia em primeiro lugar. Mas teria entrado! Tirei 85% na prova de desenho.
- Olha... eu não consegui entrar em Belas Artes... Deus dá pérolas a porcos!

Fiquei a olhar para ele... e nestes anos todos, de vez em quando, fico a pensar se não estarei de facto a desprezar algumas pérolas.

Os meus cadernos estão muitas vezes desenhados... ainda hoje, o desenho é uma escapatória para mim.

Prometo publicar aqui algumas das minhas pérolas em bruto.

Para já, apresento-vos o Fiu-Fiu. Desenhado a lápis, com acabamentos no Photoshop.


quarta-feira, setembro 13, 2006

A Guerra do Fogo

Há filmes que nos marcam... e A Guerra do Fogo de Jean-Jacques Annaud foi sem dúvida um deles!

Aliás, e antes de continuar este post, cheguei à conclusão de que gosto particularmente de dois realizadores, quando me apercebi que eram eles quem tinham realizado alguns dos meus filmes preferidos. Estes realizadores são:

  • Jean-Jacques Annaud - realizou "A Guerra do Fogo" e "O Nome da Rosa";
  • Ridley Scott - realizou "Alien o 8º Passageiro", "Blade Runner", "1492 - A Conquista do Paraíso" e "Gladiador".

Os filmes que mencionei encaixam-se na minha categoria "MUST HAVE" e portanto, foi com espanto que vi "A Guerra do Fogo" à venda na FNAC. E não resisti.

Há filmes que causam uma mítica quando os vemos pela primeira vez, mas quando os revisitamos, essa mítica esfuma-se. Não foi o caso de "A Guerra do Fogo".

Trata-se de um filme sobre uma tribo de seres humanos pré-históricos que ainda não sabem produzir fogo, mas que estão totalmente dependentes deste para se aquecerem, cozinharem os alimentos e afugentar os animais selvagens. Só o conseguem obter quando este surge no estado natural e protegem-no religiosamente dentro de uma campânula.

A dada altura a chama, que é tão cuidadosamente guardada, apaga-se. A tribo elege três dos seus membros para partirem em busca do precioso fogo. O filme conta a aventura desses três homens: as peripécias e o encontro com outras tribos de homens, umas mais sofisticadas e outras menos. Os três homens acabam por descobrir outras tradições... e mesmo a arte de "fazer" fogo.

É evidente que temos de desculpar alguns efeitos especiais, e um ou outro pormenor de caracterização.

Por outro lado, o filme consegue transmitir toda a estória sem recurso a muitas verbalizações (como seria próprio daquele tempo), de tal forma, que não existem legendas.

É, no fundo, um filme sobre a descoberta do homem, pelo próprio homem: os primeiros risos, os primeiros olhares sobre outros usos e costumes, outras formas de amar e ser amado. Tudo contado magistralmente e com uma envolvente paisagística que nos transporta efectivamente a uma época que sabemos ter existido e da qual guardamos memórias ancestrais.

A não perder.



segunda-feira, setembro 04, 2006

Amor na Lota do Peixe - Capítulo V

"Este capítulo é dedicado ao FJ, que esperou pacientemente pelo seu lançamento".

Ouviram-se "Ohs" de todos os lados.

- Então o meu pai é Joselino Narigangas, distinto Presidente da Junta de Freguesia de Vila Marmota? - choramingou Zé Bigodes.

- Então este candidato a candeeiro de mesinha-de-cabeceira é o meu filho bastardo? Eu que tentei ocultar este pecado durante tanto tempo, agora aparece-me a rebrilhar no escuro! - constatou friamente Joselino Narigangas.

- Vê, pai meu, como o Zé Bigodes não é filho de nenhuma galinha de aviário? - ripostou Olívia Manca.

- Como podes garantir isso, filha minha? Apenas sabemos que ele é filho do Presidente da Junta! Falta agora saber as preferências sexuais do nosso insigne doutor Joselino Narigangas!

Joselino Narigangas não acreditava nos seus ouvidos, que ditavam ao cérebro tudo quanto assimilavam, vai para cinquenta anos. Apontando para Francisco Panças, fez saber:

- Como se atreve a dizer que eu sou um galinhófilo? Para que saibam, sou heterosexual e não admito que ponham em causa a minha masculinidade!

A velhota que havia dado génese a todos estes atritos, era a dona Miquelina Zarolha, mulher-a-dias aposentada, com a provecta idade de cento e trinta e dois anos. Esticando o pescoço para parecer mais alta, explicou:

- Estes olhos já viram muita coisa! Joselino Narigangas, na sua juventude, era um autêntico Don Juan. Não havia catraia que resistisse ao seu nariz afilado. Quiz o cupido que ele se enamorasse por Sezaltina Buços, criada-de-servir na quinta da família Narigangas. Do seu amor secreto, nasceu este rebento luminoso, o espadaúdo Zé Bigodes, que é as ventas chapadas da sua mãe. A família Narigangas não podia admitir esta relação entre elementos de classes sociais tão distintas! Pagou uma soma abismal para que Sezaltina Buços abalasse para a América e se esquecesse que tinha tido um caso com Joselino Narigangas. Entregaram o bébé do pecado para adopção e este teve a sorte de calhar com um pai extremoso, o senhor Florindo Lambreta. Os pais de Joselino fizeram com que ele tivesse poucos contactos com o seu filho bastardo! Ele deve estar tão surpreso quanto vocês todos!

Joselino Narigangas chorou copiosamente.

- Porquê a mim? Porque é que não posso ter um filho normalzinho, com índices normais de radioactividade? Agora o que é que eu faço com este mutante, produto duma sociedade industrializada de leste?

Zé Bigodes lançou mais uma acha para a fogueira:

- E eu? Não sou perdido nem achado neste assunto?

quarta-feira, agosto 30, 2006

Renault Clio I 1.4 RT

É com um bocado de dor que escrevo este post.
Hoje, o meu carro foi para abater... ao fim de 10 anos na minha posse... ao fim de 106.000 km percorridos.


Deu-me mais alegrias que tristezas. E juntos passámos bons e maus momentos.
Primeiro, falo dos maus momentos, para que possa terminar em beleza:

  • Lembro-me duma vez em que o Clio começou a deitar um espesso fumo branco pelo capot: tinha furado um tubo de água no radiador. Felizmente estava a 500 metros de uma oficina.
  • Uma noite, ia a sair com o carro e rebentou o cabo do pedal da embraiagem. Felizmente estava à porta de casa.
  • Tive um encontro imediato com um Autocarro da STCP numa manhã de domingo, após uma noite de chuva. Reparação do autocarro: 18 contos (ainda era em contos). Reparação do Clio: 250 contos.
  • Por duas vezes deixei as luzes do carro acesas, que me drenaram a bateria.
  • Tempos houve em que o carro soluçava nas subidas do IC1 (estrada que percorro muitas vezes): tinha partido a base do carburador.
  • Quando a panela de escape furou, tive a sensação de estar a pilotar um carro de rally.
  • Uma vez, o termóstato do radiador pifou e o carro foi aquecendo constantemente à medida que ia percorrendo os quilómetros no IC1. Parei na Póvoa de Varzim com o ponteiro da temperatura quase na zona vermelha (e em riscos de queimar a junta da colassa). Fizeram-me uma ligação directa à ventoínha, colocaram a chauffage no máximo e lá segui viagem.
  • Ao descer a Serra da Estrela, o carro embalava mesmo em segunda. A utilização dos travões valeu-me uma esquentadela jeitosa e um cheirinho característico a ferodo. Mas os travões, depois de arrefecidos, ficaram como novos e cumpriram a sua missão durante mais uns milhares de quilómetros.

Pensando bem, o carro quase nunca me deixou ficar verdadeiramente mal. Fartei-me de passar por BMW e Mercedes encostados na berma das auto-estradas. Isso nunca me aconteceu. Foi um bom carro. E deu pena entregar um carro para abate em tão bom estado de conservação. Mas, com 15 anos, ninguém me dava os €1500 que lucrei com este procedimento.

Do lado positivo, tenho as viagens que fiz, as conversas que tive com ele... algumas confidências, alguns desabafos... as pessoas que transportei e outras que queria, mas nunca consegui transportar. Foi nele que aprendi verdadeiramente a conduzir e é a ele que dedico este texto.

Os meus amigos associam o meu carro a um peluche que trouxe pendurado durante muitos anos no espelho retrovisor interior: o Patrício.

O Clio, o Patrício e eu vivemos uma aventura que durou 10 anos e que hoje finda. Marcava o contador 158.949 km. E já tenho saudades.

Até sempre.

terça-feira, agosto 29, 2006

Praia da Aguda

Nestas mini-férias fiz uma coisa que já não fazia há algum tempo: ir à praia. Escolhi a praia da Aguda, ali para os lados de Mira-Mar e Espinho.
Não me aventurei na areia mas percorri durante cerca de uma hora, parte do extenso passadiço em madeira, que lá existe.


A minha pele - que serve perfeitamente para fazer publicidade à farinha amparo - lamentou-se daquela exposição prolongada aos raios solares e fiquei vermelho como uma bandeira do PCP em plena festa do Avante.
Se puderem, não deixem de visitar esta área litoral, onde a paisagem dominada pelas dunas e pelo mar, conduz-nos a momentos de paz e reflexão interior.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Gerês II

Desta vez, eu e a A. M. decidimos visitar (por razões de força maior e porque até é bonito) a pacata freguesia de Venda Nova. Situa-se nos limites do Gerês, na fronteira entre os distritos de Braga e Vila Real e também nos limites do Concelho de Montalegre.

A barragem da Venda Nova propicia a existência de uma albufeira que gera um enorme lago improvável àquela altitude (793 metros).


Na pacatez da paisagem, alguém fazia o gosto à linha de pesca, no meio da vegetação. Mais à frente, uma pequena península com espaço apenas para conter uma árvore, alguns bancos e mesas de piquenique.

É um passeio interessante de ser feito. Em Braga, tomem a direcção de Gualtar, pela N103. Vai-se depois passando sucessivamente por Serzedelo, Salamonde, Ruivães e finalmente, Venda Nova. Demora cerca de uma hora a percorrer os 60 quilómetros que ligam Braga à Venda Nova.

Durante a subida, se tiver coragem de olhar para o lado esquerdo da estrada, encontrará paisagens de cortar a respiração, como esta que se segue.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Gerês

Ora bem... como devem ter imaginado, ausentei-me deste blog e de tudo o que tem a ver com a internet, por motivo de Férias.

A pedido de muitas famílias (mais do que imaginava ser possível), vou continuar a saga de compartilhar com vosotros alguns momentos da minha vulgar existência.

Desta feita, levaram-me os caminhos da vida a encontrar-me no Gerês com o meu colega de trabalho F. S.

Visitar o Gerês é sempre uma experiência única...

Entrámos (eu e a minha namorada A. M.) no Parque vindos de Vila Verde e, numa encruzilhada, aventurámo-nos por um caminho de terra batida que demorou uma boa meia-hora a atravessar. Mas, pelo caminho, esperava-nos esta espectacular paisagem.

Já na Vila do Gerês, subímos a uma formação rochosa chamada de "Penedo da Freira". Custa-me a crer que não tenha sido trabalhada por mãos humanas. Tem o tamanho certo para que nos possamos sentar nela e observar o esplendor da paisagem.

Subímos depois a um dos pontos mais altos do Gerês: Pedra Bela. A paisagem lá de cima é a perder de vista. Tão a perder de vista que nem me arrisco a colocar aqui as fotografias que tirei. Não fariam juz ao local, nem de perto, nem de longe. Pude no entanto efectuar uma macro sobre uma mariposa que se passeava alegremente por aquele local.

Visitar o Gerês é uma obrigação para qualquer português. Rima e é verdade!

Shallow

Tell me somethin', girl Are you happy in this modern world? Or do you need more? Is there somethin' else you're searchin...