quarta-feira, julho 12, 2006

Ensaio Sobre a Cegueira

Confesso. Nunca li um livro de José Saramago.
Ontem perguntei à M. S.:
"Olha lá... se eu quisesse ler um livro, o que é que me aconselharias"?
Pergunta mais abrangente não pode haver. No entanto, fiquei surpreendido com a sua rápida resposta:
"Ensaio Sobre a Cegueira, do José Saramago".
Dirão alguns:
"Respondeu assim porque provavelmente deve andar a ler isso..."
Mas não. Neste momento a M. S. lê Milan Kundera e Confúcio. Portanto, deve ser AQUELE livro. Dos tais que marcam as pessoas.
Próxima paragem: livraria Bertrand, para fazer uso do meu cartão de fidelização.
Comecei a ler o Ensaio Sobre a Cegueira às 24:00 e só parei à 01:00, com três capítulos volvidos.
A pontuação é deveras diferente, o que resulta numa leitura fluida. Muitas vezes temos de adivinhar onde acabam as frases e onde começam as outras. O que é que uma personagem deixa de dizer para começar a falar a outra. Mas tudo isto resulta magistralmente, não fosse o senhor um galardoado pelo Prémio Nobel da Literatura. Estou a gostar bastante e conto fazer uma breve crítica literária, aqui, neste blog assim que ponha termo ao meu primeiro livro (mas certamente não o último) de José Saramago.

Esta foto foi tirada por mim aquando de uma sessão de autógrafos na última Feira do Livro do Porto. Agora arrependo-me de não lhe ter pedido um autógrafo no "Ensaio sobre a Cegueira"... mas... a fila era tão grande!

segunda-feira, julho 10, 2006

Estes Romanos São Doidos!

Como bom português, fiquei imensamente feliz pela vitória da Itália no Campeonato do Mundo de Futebol. Por um lado, matou-nos a sede de vingança. Por outro, isso significa que o Campeonato do Mundo de Futebol acabou, o que é, por si só, motivo de regozijo.

Fartei-me de rir com o nome de alguns jogadores de futebol do desafio de ontem e entreti-me a aportuguesar os seus nomes durante o desenrolar do jogo:

Gianluigi Buffon = João Luís Bufão
Fabio Grosso = Fábio Grosso (é mesmo grosso)
Mauro Camoranesi = Mauro Camarão com Maionese
Simone Perrotta = Simão Pé Roto
Marco Materazzi = Marco Mata Ratos

P. S. - Uma palavra para o Zidane... que deve ter-se arrependido do que fez logo a seguir a ter dado aquela valente cabeçada no adversário. Por muito que o outro lhe tivesse dito, deveria ter sido mais profissional e evitar sair pela porta pequena de uma carreira brilhante no futebol.

quinta-feira, julho 06, 2006

Colgate Time Control

Foi esta a surpreendente publicidade que vi na televisão sobre a nova pasta de dentes chamada "Colgate Time Control".

A dada altura, uma mulher queixa-se da retracção das suas gengivas... e que lhe disseram para ela usar "Colgate Time Control". Depois ouvimo-la dizer: "Porque não se pode controlar o tempo, mas podemos controlar os seus efeitos".

Terei ouvido bem? Mas a pasta chama-se "Colgate TIME CONTROL"! A isto é que se chama publicidade enganosa! Por que não chamar à pasta dentífrica "Colgate TIME FX CONTROL"? Não se enganava ninguém e ficavam todos felizes! E a publicidade seria mais consistente!

sexta-feira, junho 30, 2006

Desinvestimento Nacional

Um grupo qualquer de doutos economistas ou lá o que são, chegou à conclusão que o Governo deveria cortar com os benefícios fiscais da Educação e das Energias Renováveis. E acredito piamente que o façam.

Uma poupança de certamente bastantes Euro no presente, mas um desinvestimento nacional enorme no futuro.

Num país em que os níveis de literacia são dos piores da Europa, custa a crer que se possam fazer este tipo de desinvestimentos. Quase que ouço o Zé Pagode em Freixo de Espada-à-Cinta:

- Bais pá escola o caraças! Ficas com a carta quelasse i já é bão! Já biste o dinheiro que bais fazer gastar aqui ao beilho? Ainda para mais não recebo carcanhol nenhum do estado para andares a roçar o cu (que é mesmo assim) nos vancos da escola!

Já o Protocolo de Quioto também vai para o brejo. Quem vai querer investir em energias renováveis, se não existem incentivos para isso?

Os pontos de vista puramente economicistas são bastante redutores e podem pôr em risco os destinos de uma nação. Pensem melhor, caros amigos! Pensem melhor!

terça-feira, junho 27, 2006

Sinal da Cruz... a 100 à hora (e outros ritos Eucarísticos)

Sou uma pessoa observadora... e não se se considere isso um defeito ou uma virtude. Penso até que daria um bom monge contemplativo... pelo menos quando não tivesse mais nada para fazer.

Este fim-de-semana fui assistir (como é meu hábito) à Eucaristia Dominical e, como cheguei um pouco mais cedo do que o costume, entreti-me a reparar no que as pessoas fazem quando chegam à igreja. Benzem-se e/ou fazem o sinal da cruz a uma velocidade impressionante! Por vezes chegam a reduzir a amplitude de movimentos para optimizar a duração do ritual, pelo que as cruzes mais parecem círculos com 5 cm de diâmetro. E pressa para quê? Bem sei que vivemos numa sociedade fast! Mas um templo deve ser um local alheio às pressas do mundo exterior!

Uma vez ouvi dizer que a Eucaristia é a cerimónia com mais rituais de todas as religiões que existem: alturas para estar de pé, sentado ou de joelhos; alturas para falar e outras para ouvir; bençãos, preces, cumprimentos... enfim... um manancial de rituais.

Porém, com toda esta proliferação de rituais numa única cerimónia, existe lugar para os erros sistemáticos que foram herdados (por imitação) de outras pessoas que também não sabiam o que estavam a fazer. Eis alguns exemplos:

  • Na altura em que o Celebrante diz "Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo...", antes da leitura do evangelho, não se deve fazer o sinal da cruz, porque não é do sinal da cruz que se trata! Deve antes fazer-se três cruzes: uma na testa (com o significado de abrir o entendimento para a Palavra de Deus), outra na boca (com o significado de transmitir o que se ouviu de acordo com os preceitos divinos) e finalmente outra no peito (com o significado de abrir o coração para o Evangelho). A cruz final não se faz!


  • Na altura em que o Celebrante diz "Santificai estes dons derramando sobre eles o Vosso Espírito", na altura da consagração do pão e do vinho, as pessoas só devem ajoelhar-se quando o padre impõe as mãos sobre o pão e o vinho. Nunca antes e nunca depois!


  • Na altura do Pai Nosso, existe uma confusão com a palavra céu. Nomeadamente, se é singular ou plural. Bem... ela é utilizada das duas formas. A versão correcta é: "Pai Nosso que estais nos céus [...] seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu".


  • Muitas pessoas confundem os avisos finais com o toque de saída. Convém saber que só assistiram verdadeiramente à missa se ouviram o padre proferir as palavras "Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe". Se o padre perder 2 minutos em avisos numa celebração que dura em média 45 minutos, isto corresponde a uma poupança de tempo de 4%. Será que compensa? Penso que não.

A Eucaristia deve ser bem vivida!

Desculpem... é a minha veia de ex-catequista que falou mais alto, hoje.

quinta-feira, junho 22, 2006

Amor na Lota do Peixe - Capítulo IV

Godofredo Latinhas era o ferreiro de Vila Marmota. Foi com algum espanto que viu entrar um mar de gente para a sua pequena oficina.

- Que quereis de mim, mar de gente? Não devo nada a ninguém! Porque me perseguis? Que mal fiz eu?

Francisco Panças, que encabeçava a comitiva das gentes de Vila Marmota, explicou:

- Caro Godofredo! Nada temas! Vimos em paz! Ouve o que a filha minha, Olívia Manca, tem para te dizer!

Olívia Manca destacou-se da massa humana periclitante e tomou a palavra, pigarreando secamente:

- Senhor Godofredo Latinhas... o Zé Bigodes sofreu um holocausto nuclear! Está radioactivo! Por isso é que consegue vê-lo brilhar, ali... naquele canto escuro da sua oficina!

Zé Bigodes rebrilhava de facto no escuro. Tentou inventar uma piada onde entrasse a sua desgraçada condição actual e o relógio Indigo Night Light da TIMEX, mas não lhe saíu.

- Abrenúncio, Credo em Cruz! Com-a-breca, Zé Bigodes! Pareces uma assombração! - observou Godofredo Latinhas enquanto moldava um pedaço de ferro na bigorna.

- Mas não é! - corrigiu Olívia Manca - Precisamos que o senhor lhe faça um fato completo em chumbo! Vi um filme do super-homem e sei que os elementos radioactivos não conseguem ultrapassar uma barreira de chumbo!

- Isso é um desafio para mim, menina Olívia Manca! Mas aceitarei de bom grado!

Godofredo Latinhas aprontou-se logo a tirar as medidas ao pobre do - agora fosforescente - Zé Bigodes, com as devidas precauções para não sofrer contágio por radiação.

Quando todos menos esperavam, entra no recinto da acção, Joselino Narigangas, insígne presidente da Junta de Vila Marmota. Figura elegante, porte fino, bigode espetado, monóculo no olho esquerdo, fato negro, laçarote ao pescoço e umas sapatilhas brancas da Nike.

- Parai, povo em geral! Parai com este ajuntamento clandestino! Soube de boatos seguros que escondeis no vosso âmago uma criatura radioactiva! Ora, parafraseando o código civil em vigor: "É ilícito esconder das entidades competentes qualquer ser inanimado ou não, portador de radioactividade. Esta situação deve ser comunicada o mais rapidamente possível ao poder local (neste caso, a mim) para que este possa actuar em conformidade, reciclando o ser em causa". Ora não é o que está a acontecer! Mostrai o tratante, para que eu o leve para uma incineradora!

A voz de uma velhinha ressoou por entre as bocas cerradas pelo medo:

- Teríeis coragem de incinerar o vosso próprio filho?

segunda-feira, junho 19, 2006

Receita para Fogo de Artifício de Santo António

Ingredientes:
1 Noite de Santo António
1 Câmara Digital Canon Powershot S50
1 Tripé
Fogo de Artifício Q.B.

Preparação:
Monte a Câmara Digital no Tripé num local onde possa ver o fogo de artifício da noite de Santo António. Espere que o fogo de artifício comece. Assim que os clarões forem visíveis, tire uma fotografia com um tempo de exposição de 6 segundos.
Leve a servir num blog da sua preferência.

Shallow

Tell me somethin', girl Are you happy in this modern world? Or do you need more? Is there somethin' else you're searchin...