quinta-feira, julho 06, 2006

Colgate Time Control

Foi esta a surpreendente publicidade que vi na televisão sobre a nova pasta de dentes chamada "Colgate Time Control".

A dada altura, uma mulher queixa-se da retracção das suas gengivas... e que lhe disseram para ela usar "Colgate Time Control". Depois ouvimo-la dizer: "Porque não se pode controlar o tempo, mas podemos controlar os seus efeitos".

Terei ouvido bem? Mas a pasta chama-se "Colgate TIME CONTROL"! A isto é que se chama publicidade enganosa! Por que não chamar à pasta dentífrica "Colgate TIME FX CONTROL"? Não se enganava ninguém e ficavam todos felizes! E a publicidade seria mais consistente!

sexta-feira, junho 30, 2006

Desinvestimento Nacional

Um grupo qualquer de doutos economistas ou lá o que são, chegou à conclusão que o Governo deveria cortar com os benefícios fiscais da Educação e das Energias Renováveis. E acredito piamente que o façam.

Uma poupança de certamente bastantes Euro no presente, mas um desinvestimento nacional enorme no futuro.

Num país em que os níveis de literacia são dos piores da Europa, custa a crer que se possam fazer este tipo de desinvestimentos. Quase que ouço o Zé Pagode em Freixo de Espada-à-Cinta:

- Bais pá escola o caraças! Ficas com a carta quelasse i já é bão! Já biste o dinheiro que bais fazer gastar aqui ao beilho? Ainda para mais não recebo carcanhol nenhum do estado para andares a roçar o cu (que é mesmo assim) nos vancos da escola!

Já o Protocolo de Quioto também vai para o brejo. Quem vai querer investir em energias renováveis, se não existem incentivos para isso?

Os pontos de vista puramente economicistas são bastante redutores e podem pôr em risco os destinos de uma nação. Pensem melhor, caros amigos! Pensem melhor!

terça-feira, junho 27, 2006

Sinal da Cruz... a 100 à hora (e outros ritos Eucarísticos)

Sou uma pessoa observadora... e não se se considere isso um defeito ou uma virtude. Penso até que daria um bom monge contemplativo... pelo menos quando não tivesse mais nada para fazer.

Este fim-de-semana fui assistir (como é meu hábito) à Eucaristia Dominical e, como cheguei um pouco mais cedo do que o costume, entreti-me a reparar no que as pessoas fazem quando chegam à igreja. Benzem-se e/ou fazem o sinal da cruz a uma velocidade impressionante! Por vezes chegam a reduzir a amplitude de movimentos para optimizar a duração do ritual, pelo que as cruzes mais parecem círculos com 5 cm de diâmetro. E pressa para quê? Bem sei que vivemos numa sociedade fast! Mas um templo deve ser um local alheio às pressas do mundo exterior!

Uma vez ouvi dizer que a Eucaristia é a cerimónia com mais rituais de todas as religiões que existem: alturas para estar de pé, sentado ou de joelhos; alturas para falar e outras para ouvir; bençãos, preces, cumprimentos... enfim... um manancial de rituais.

Porém, com toda esta proliferação de rituais numa única cerimónia, existe lugar para os erros sistemáticos que foram herdados (por imitação) de outras pessoas que também não sabiam o que estavam a fazer. Eis alguns exemplos:

  • Na altura em que o Celebrante diz "Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo...", antes da leitura do evangelho, não se deve fazer o sinal da cruz, porque não é do sinal da cruz que se trata! Deve antes fazer-se três cruzes: uma na testa (com o significado de abrir o entendimento para a Palavra de Deus), outra na boca (com o significado de transmitir o que se ouviu de acordo com os preceitos divinos) e finalmente outra no peito (com o significado de abrir o coração para o Evangelho). A cruz final não se faz!


  • Na altura em que o Celebrante diz "Santificai estes dons derramando sobre eles o Vosso Espírito", na altura da consagração do pão e do vinho, as pessoas só devem ajoelhar-se quando o padre impõe as mãos sobre o pão e o vinho. Nunca antes e nunca depois!


  • Na altura do Pai Nosso, existe uma confusão com a palavra céu. Nomeadamente, se é singular ou plural. Bem... ela é utilizada das duas formas. A versão correcta é: "Pai Nosso que estais nos céus [...] seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu".


  • Muitas pessoas confundem os avisos finais com o toque de saída. Convém saber que só assistiram verdadeiramente à missa se ouviram o padre proferir as palavras "Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe". Se o padre perder 2 minutos em avisos numa celebração que dura em média 45 minutos, isto corresponde a uma poupança de tempo de 4%. Será que compensa? Penso que não.

A Eucaristia deve ser bem vivida!

Desculpem... é a minha veia de ex-catequista que falou mais alto, hoje.

quinta-feira, junho 22, 2006

Amor na Lota do Peixe - Capítulo IV

Godofredo Latinhas era o ferreiro de Vila Marmota. Foi com algum espanto que viu entrar um mar de gente para a sua pequena oficina.

- Que quereis de mim, mar de gente? Não devo nada a ninguém! Porque me perseguis? Que mal fiz eu?

Francisco Panças, que encabeçava a comitiva das gentes de Vila Marmota, explicou:

- Caro Godofredo! Nada temas! Vimos em paz! Ouve o que a filha minha, Olívia Manca, tem para te dizer!

Olívia Manca destacou-se da massa humana periclitante e tomou a palavra, pigarreando secamente:

- Senhor Godofredo Latinhas... o Zé Bigodes sofreu um holocausto nuclear! Está radioactivo! Por isso é que consegue vê-lo brilhar, ali... naquele canto escuro da sua oficina!

Zé Bigodes rebrilhava de facto no escuro. Tentou inventar uma piada onde entrasse a sua desgraçada condição actual e o relógio Indigo Night Light da TIMEX, mas não lhe saíu.

- Abrenúncio, Credo em Cruz! Com-a-breca, Zé Bigodes! Pareces uma assombração! - observou Godofredo Latinhas enquanto moldava um pedaço de ferro na bigorna.

- Mas não é! - corrigiu Olívia Manca - Precisamos que o senhor lhe faça um fato completo em chumbo! Vi um filme do super-homem e sei que os elementos radioactivos não conseguem ultrapassar uma barreira de chumbo!

- Isso é um desafio para mim, menina Olívia Manca! Mas aceitarei de bom grado!

Godofredo Latinhas aprontou-se logo a tirar as medidas ao pobre do - agora fosforescente - Zé Bigodes, com as devidas precauções para não sofrer contágio por radiação.

Quando todos menos esperavam, entra no recinto da acção, Joselino Narigangas, insígne presidente da Junta de Vila Marmota. Figura elegante, porte fino, bigode espetado, monóculo no olho esquerdo, fato negro, laçarote ao pescoço e umas sapatilhas brancas da Nike.

- Parai, povo em geral! Parai com este ajuntamento clandestino! Soube de boatos seguros que escondeis no vosso âmago uma criatura radioactiva! Ora, parafraseando o código civil em vigor: "É ilícito esconder das entidades competentes qualquer ser inanimado ou não, portador de radioactividade. Esta situação deve ser comunicada o mais rapidamente possível ao poder local (neste caso, a mim) para que este possa actuar em conformidade, reciclando o ser em causa". Ora não é o que está a acontecer! Mostrai o tratante, para que eu o leve para uma incineradora!

A voz de uma velhinha ressoou por entre as bocas cerradas pelo medo:

- Teríeis coragem de incinerar o vosso próprio filho?

segunda-feira, junho 19, 2006

Receita para Fogo de Artifício de Santo António

Ingredientes:
1 Noite de Santo António
1 Câmara Digital Canon Powershot S50
1 Tripé
Fogo de Artifício Q.B.

Preparação:
Monte a Câmara Digital no Tripé num local onde possa ver o fogo de artifício da noite de Santo António. Espere que o fogo de artifício comece. Assim que os clarões forem visíveis, tire uma fotografia com um tempo de exposição de 6 segundos.
Leve a servir num blog da sua preferência.

sexta-feira, junho 16, 2006

O Dilema de S. Pedro

Para além do famigerado Mundial de Futebol, os jornalistas das televisões descobriram outro furo jornalístico: as trombas de água! Sim... os mesmos jornalistas que há tempos estavam preocupados com as secas, hoje estão preocupados com o excesso de água.
Sei de fonte segura que S. Pedro está a começar a entrar em depressão, uma vez que já não sabe o que fazer. Quando está sol, pedem-lhe chuva. Quando está chuva, pedem-lhe sol.

Os viticultores do Pinhão tiveram ontem bastantes prejuízos por causa das chuvas intensas, mas nenhum deles possui qualquer seguro. Vão agora exigir ao governo subsídios. Nos anos vitícolas que dão lucro, não investem nenhum dinheiro em fundos de risco... depois, é o que se vê.

Enquanto não se cultivar uma mentalidade pró-activa nas populações, nunca iremos para a frente. Em Portugal, governa aquele ditado popular que diz: "Casa roubada, trancas à porta".

Já nessas terreolas que por aí há, outra coisa permanece esquecida ao longo dos anos: a limpeza dos esgotos públicos em tempo de sol. Quando cai aquela chuvinha de verão, é um "Deus nos acuda"!

Bem... enquanto falam das inundações, pelo menos já não transmitem os incêndios em directo e não incentivam os incendiários a seguirem os passos de Nero.

A S. Pedro resta pedir... um pouco de paciência. Porque, para os homens, o clima tem de obedecer ao seu calendário: friozinho só na noite de natal para abrir confortavelmente as prendas ao pé da lareira; chuvinha... alguma, vá lá, durante a primavera para as couvinhas medrarem; solzito no verão, para o zé pagode poder ir para a praia com o seu garrafão de 5 litros de tintol e o cozido à portuguesa bem aconchegado nas marmitas.

terça-feira, junho 13, 2006

Con La Misma Piedra

Considero-me uma pessoa com bom gosto musical. E não tenho preconceitos quanto ao que ouço: desde Beethoven a José Cid.

Cresci a ouvir as "bobines" do meu pai com música Latina: Los Paraguayos, Antonio Machin, Los Panchos, Alberto Cortez, Julio Iglesias, etc. Por esta razão, ouço de vez em quando coisas que a maior parte das pessoas nem sonha que existe.

Ultimamente tenho convertido alguma da colecção de CD's do meu pai (e mesmo algumas "bobines") para MP3, para que ele possa mais comodamente ouvi-la no carro (sem arrastar consigo a prateleira de CD's), bem como no seu leitor portátil de MP3. Isto fez-me recordar algumas das músicas que ouvia na minha infância. Entre elas, está esta música cantada por Julio Iglesias: "Con La Misma Piedra", do Álbum Moments (1982), cujo poema transcrevo porque acho interessante e aplicável a muito boa gente a história que ele conta.

Te miré de pronto y te empecé a querer
sin imaginarme que podría perder
no medí mis pasos
y caí en tus brazos
tu cara de niña me hizo enloquecer.

Pero fui en tu vida una diversión
tan sólo un juguete de tu colección
me embrujaste al verte
y tus ojos verdes
le pusieron trampas a mi corazón.

Tropecé de nuevo y con la misma piedra
en cuestión de amores nunca he de ganar
porque es bien sabido que el que amor entrega
de cualquier manera tiene que llorar.

Tropecé de nuevo y con la misma piedra
en cuestión de amores nunca aprenderé
yo que había jurado no jugar con ella
tropecé de nuevo y con el mismo pie.

P. S. - Pronto... acho que vou ter de deixar de dizer que não gosto particularmente de poesia.

Shallow

Tell me somethin', girl Are you happy in this modern world? Or do you need more? Is there somethin' else you're searchin...