Este fim-de-semana fui assistir (como é meu hábito) à Eucaristia Dominical e, como cheguei um pouco mais cedo do que o costume, entreti-me a reparar no que as pessoas fazem quando chegam à igreja. Benzem-se e/ou fazem o sinal da cruz a uma velocidade impressionante! Por vezes chegam a reduzir a amplitude de movimentos para optimizar a duração do ritual, pelo que as cruzes mais parecem círculos com 5 cm de diâmetro. E pressa para quê? Bem sei que vivemos numa sociedade fast! Mas um templo deve ser um local alheio às pressas do mundo exterior!
Uma vez ouvi dizer que a Eucaristia é a cerimónia com mais rituais de todas as religiões que existem: alturas para estar de pé, sentado ou de joelhos; alturas para falar e outras para ouvir; bençãos, preces, cumprimentos... enfim... um manancial de rituais.
Porém, com toda esta proliferação de rituais numa única cerimónia, existe lugar para os erros sistemáticos que foram herdados (por imitação) de outras pessoas que também não sabiam o que estavam a fazer. Eis alguns exemplos:
- Na altura em que o Celebrante diz "Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo...", antes da leitura do evangelho, não se deve fazer o sinal da cruz, porque não é do sinal da cruz que se trata! Deve antes fazer-se três cruzes: uma na testa (com o significado de abrir o entendimento para a Palavra de Deus), outra na boca (com o significado de transmitir o que se ouviu de acordo com os preceitos divinos) e finalmente outra no peito (com o significado de abrir o coração para o Evangelho). A cruz final não se faz!
- Na altura em que o Celebrante diz "Santificai estes dons derramando sobre eles o Vosso Espírito", na altura da consagração do pão e do vinho, as pessoas só devem ajoelhar-se quando o padre impõe as mãos sobre o pão e o vinho. Nunca antes e nunca depois!
- Na altura do Pai Nosso, existe uma confusão com a palavra céu. Nomeadamente, se é singular ou plural. Bem... ela é utilizada das duas formas. A versão correcta é: "Pai Nosso que estais nos céus [...] seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu".
- Muitas pessoas confundem os avisos finais com o toque de saída. Convém saber que só assistiram verdadeiramente à missa se ouviram o padre proferir as palavras "Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe". Se o padre perder 2 minutos em avisos numa celebração que dura em média 45 minutos, isto corresponde a uma poupança de tempo de 4%. Será que compensa? Penso que não.
A Eucaristia deve ser bem vivida!
Desculpem... é a minha veia de ex-catequista que falou mais alto, hoje.
