terça-feira, junho 13, 2006

Con La Misma Piedra

Considero-me uma pessoa com bom gosto musical. E não tenho preconceitos quanto ao que ouço: desde Beethoven a José Cid.

Cresci a ouvir as "bobines" do meu pai com música Latina: Los Paraguayos, Antonio Machin, Los Panchos, Alberto Cortez, Julio Iglesias, etc. Por esta razão, ouço de vez em quando coisas que a maior parte das pessoas nem sonha que existe.

Ultimamente tenho convertido alguma da colecção de CD's do meu pai (e mesmo algumas "bobines") para MP3, para que ele possa mais comodamente ouvi-la no carro (sem arrastar consigo a prateleira de CD's), bem como no seu leitor portátil de MP3. Isto fez-me recordar algumas das músicas que ouvia na minha infância. Entre elas, está esta música cantada por Julio Iglesias: "Con La Misma Piedra", do Álbum Moments (1982), cujo poema transcrevo porque acho interessante e aplicável a muito boa gente a história que ele conta.

Te miré de pronto y te empecé a querer
sin imaginarme que podría perder
no medí mis pasos
y caí en tus brazos
tu cara de niña me hizo enloquecer.

Pero fui en tu vida una diversión
tan sólo un juguete de tu colección
me embrujaste al verte
y tus ojos verdes
le pusieron trampas a mi corazón.

Tropecé de nuevo y con la misma piedra
en cuestión de amores nunca he de ganar
porque es bien sabido que el que amor entrega
de cualquier manera tiene que llorar.

Tropecé de nuevo y con la misma piedra
en cuestión de amores nunca aprenderé
yo que había jurado no jugar con ella
tropecé de nuevo y con el mismo pie.

P. S. - Pronto... acho que vou ter de deixar de dizer que não gosto particularmente de poesia.

sexta-feira, junho 09, 2006

A Selecção de Todos Nós

O Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol, o Mundial de Futebol.

É esta a programação que temos nas televisões.

Nestas alturas, não existem notícias sobre o país nem sobre o mundo, porque os telejornais passam a maior parte do tempo preocupados com a Selecção Portuguesa. Quer até parecer que os jornalistas estão à espera destes eventos para se esquecerem de tudo o resto e concentrarem-se apenas num assunto... sempre deve dar menos trabalho.

Bem - podem dizer alguns -, mas de facto a Selecção Portuguesa é uma notícia importante! E eu respondo: meus amigos, o Mundial ainda não começou! Ontem, cerca de 5 minutos do Jornal da SIC foram perdidos com as preferências musicais do Ricardo... um assunto de extrema importância para o país. Principalmente quando estão em jogo bastantes interesses comerciais.

Bem - podem dizer alguns-, mas isto é importante para a imagem dos portugueses! E eu respondo: a imagem que passamos é que somos taradinhos pela bola e temos laivos de Nacionalismo colocando bandeiras penduradas do lado de fora das casas de dois em dois anos (para não falar de um senhor que colocou na cabeça meio garrafão de vinho, em jeito de chapéu, com as cores nacionais pintadas). Dá vontade de responder com uma frase que por aí li: "se querem ser nacionalistas, paguem os vossos impostos" e não sejam corruptos.

Geralmente os únicos jogos de futebol que vejo são da Selecção Nacional, mas como o país fica virado do avesso nestas ocasiões, quase dá vontade que a Seleccão venha embora mais cedo... pelo menos passa a existir vida fora da Selecção e fora dos gostos musicais do Ricardo.

quinta-feira, junho 08, 2006

Cântico Negro

Para quem não gosta particularmente de poesia, estes dois últimos posts têm sido um bocado excêntricos. Mas este é um poema que de facto diz-me alguma coisa. Corria o longínquo (?) ano de 1997 quando a M. S. deu-me a conhecer este Cântico Negro de José Régio. Com ela aprendi também a ler outros autores que para mim eram desconhecidos, como Florbela Espanca.

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio

quarta-feira, junho 07, 2006

Flor Vermelha

Não sou particularmente amante de poesia... mas...

Ninguém sabe onde vai nem donde vem
Mas o eco de seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.

Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Esta foi mais uma macro que surgiu no jardim da Quinta dos Três Pinheiros, na Mealhada. Pensei que seria uma boa forma de valorizar esta imagem.

terça-feira, junho 06, 2006

Rainha Santa Isabel

Lembrei-me d'aqueles tempos infernais (que palavra estranha, esta) do 7º ao 12º ano de escolaridade, ontem, quando passei junto à minha antiga escolinha: o Liceu Rainha Santa Isabel.


Mas... que tristeza senti... a escola já não fervilha de vida como outrora. Apenas um pacato segurança fazia ronda às instalações. Esta escola pertence ao rol das escolas dispensáveis do Ministério da Educação. Agora só as ervas daninhas parecem querer aprender algo: o crescimento desenfreado nos espaços do Liceu. Já estou a imaginar-me a ter uma conversa com o meu futuro descendente, num diálogo que seria mais ou menos assim:

- Vês, descendente... aqui foi a escola em que o teu pai estudou!

- Fogo, pai! És mesmo velho! Esta escola já fechou e quase não se consegue distinguir no meio deste matagal de ervas daninhas desenfreadas!

Bem, lá fui contando do que me lembrava à minha namorada A. M. ...

- Ali era o ginásio... as voltas que eu dei a esta escola, a correr, em educação física. Ali por cima da entrada era a biblioteca. Aqui do lado direito eram os serviços administrativos. Este outro edifício, onde agora está a DREN, era o antigo liceu feminino Rainha Santa Isabel. Mais tarde foi convertido em escola mista. Ainda cheguei a ter aulas lá no 7º ano!

Ai, as saudades. Ai, a tristeza.

666 - O Sinal da Besta

Numa efeméride tão significante para o destino do Universo em geral e da Humanidade em particular, não posso deixar de apontar alguns sinais do dia de hoje que comprovam inequivocamente a existência de uma presença maligna, luciférica, satânica, vá lá... nesta pacata terça-feira, dia seis do seis do zero seis:

Hoje de madrugada estiveram 26 graus: um calor nada normal para aquelas horas. Esta é uma prova que as labaredas provenientes da fornalha do inferno atingiram a nossa atmosfera.

Mal me levantei, fiz a barba. Anormalmente, fiquei com a pele do pescoço extremamente sensibilizada, ao rubro. Ardeu-me bastante a colocar o after-shave.

No caminho que liga a minha casa ao meu local de trabalho, vi-me confrontado com 6 comportamentos irracionais de 6 condutores que me colocaram em 6 situações de perigo.

Ao chegar ao meu local de trabalho, uma rabanada de vento despenteou-me todo... coisa que me irritou bastante.

Quem puder perceber, que perceba! Este é o sexto parágrafo deste post. Acho que vou parar por aqui.

quinta-feira, junho 01, 2006

Amor na Lota do Peixe - Capítulo III

- Zé Bigodes? O meu Zé Bigodes? És mesmo tu, Zé Bigodes

Zé Bigodes era mesmo ele: em carne, ossos, cabelos, cartilagens, fluídos e roupas ensopadas. Lançou um olhar cor de mar para o objecto do seu afecto, Olívia Manca e abriu a boca para proferir algumas palavras que feririam como punhais, todos os que se encontravam na lota.

- Não vos aproximeis de mim, inocentes criaturas! Receio estar radioactivo! A embarcação onde eu seguia, foi abalroada por um submarino Soviético de propulsão nuclear, enquanto estávamos a tentar apanhar um linguado fugidío.

Florindo Lambreta, pai adoptivo de Zé Bigodes e mecânico nas horas vagas, precipitou-se em direcção ao busto do seu pseudo-primogénito. Não receou a radioactividade. Apenas queria sentir aquele que era pseudo-sangue do seu sangue. Zé Bigodes, ao ver a precipitação do seu adorado pai adoptivo, fugiu para trás de ums caixotes de lapas e caranguejos, enquanto gritava:

- Não se aproxime de mim, estimado pai adoptivo! O meu desejo era abraçar-te, a ti e à minha Olívia Manca! Mas devo conter-me, pois sei que talvez tenha de arrastar esta sina de não poder tocar em ninguém, para o resto da minha vida!

- Esses Russos só fazem asneiras, meu Zé Bigodes! - soluçou Florindo Lambreta - Primeiro Chernobyl, depois a Estação Espacial Mir e agora isto!

Francisco Panças, apesar do ódio visceral que nutria por aquela criatura, sentiu-se no dever de ajudar mais uma vítima do holocausto do Plutónio.

- Rapaz, Zé Bigodes... não gosto de ti... não te vou mentir só por piedade! Considero que agora não é altura para querelas, mas sim para a união! O problema atómico não é só teu, que o sentes no corpo, mas de toda a população de Vila Marmota! Pensa bem, rapaz! Foste elevado ao estatuto de lixo nuclear radioactivo. Podes ser encarado como um dejecto Russo lançado ao mar em águas internacionais! Tendo o teu corpo dado à costa portuguesa, há que exigir aos Russos duas coisas! Primeiro: estudos de impacto ambiental! Segundo: indemnização por futuros prejuízos que advenham da contaminação de Vila Marmota pela radioactividade que carregas contigo.

Olívia Manca estourou num acesso de raiva:

- Parem todos! Porque é que ignorais o verdadeiro problema do meu Zé Bigodes? Temos que arranjar uma forma de ele poder circular por Vila Marmota sem prejuízo para os outros, nem para ele!

- Mas como vais conseguir isso, filha minha? - interrogou Francisco Panças.

- Sim! Como vais conseguir isso, filha de Francisco Panças? - contra-interrogou Florindo Lambreta, pai adoptivo de Zé Bigodes.

- Acalmai-vos, homens de pouca fé! Apenas temos de falar com o senhor Godofredo Latinhas!

Shallow

Tell me somethin', girl Are you happy in this modern world? Or do you need more? Is there somethin' else you're searchin...