quarta-feira, junho 07, 2006

Flor Vermelha

Não sou particularmente amante de poesia... mas...

Ninguém sabe onde vai nem donde vem
Mas o eco de seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.

Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Esta foi mais uma macro que surgiu no jardim da Quinta dos Três Pinheiros, na Mealhada. Pensei que seria uma boa forma de valorizar esta imagem.

terça-feira, junho 06, 2006

Rainha Santa Isabel

Lembrei-me d'aqueles tempos infernais (que palavra estranha, esta) do 7º ao 12º ano de escolaridade, ontem, quando passei junto à minha antiga escolinha: o Liceu Rainha Santa Isabel.


Mas... que tristeza senti... a escola já não fervilha de vida como outrora. Apenas um pacato segurança fazia ronda às instalações. Esta escola pertence ao rol das escolas dispensáveis do Ministério da Educação. Agora só as ervas daninhas parecem querer aprender algo: o crescimento desenfreado nos espaços do Liceu. Já estou a imaginar-me a ter uma conversa com o meu futuro descendente, num diálogo que seria mais ou menos assim:

- Vês, descendente... aqui foi a escola em que o teu pai estudou!

- Fogo, pai! És mesmo velho! Esta escola já fechou e quase não se consegue distinguir no meio deste matagal de ervas daninhas desenfreadas!

Bem, lá fui contando do que me lembrava à minha namorada A. M. ...

- Ali era o ginásio... as voltas que eu dei a esta escola, a correr, em educação física. Ali por cima da entrada era a biblioteca. Aqui do lado direito eram os serviços administrativos. Este outro edifício, onde agora está a DREN, era o antigo liceu feminino Rainha Santa Isabel. Mais tarde foi convertido em escola mista. Ainda cheguei a ter aulas lá no 7º ano!

Ai, as saudades. Ai, a tristeza.

666 - O Sinal da Besta

Numa efeméride tão significante para o destino do Universo em geral e da Humanidade em particular, não posso deixar de apontar alguns sinais do dia de hoje que comprovam inequivocamente a existência de uma presença maligna, luciférica, satânica, vá lá... nesta pacata terça-feira, dia seis do seis do zero seis:

Hoje de madrugada estiveram 26 graus: um calor nada normal para aquelas horas. Esta é uma prova que as labaredas provenientes da fornalha do inferno atingiram a nossa atmosfera.

Mal me levantei, fiz a barba. Anormalmente, fiquei com a pele do pescoço extremamente sensibilizada, ao rubro. Ardeu-me bastante a colocar o after-shave.

No caminho que liga a minha casa ao meu local de trabalho, vi-me confrontado com 6 comportamentos irracionais de 6 condutores que me colocaram em 6 situações de perigo.

Ao chegar ao meu local de trabalho, uma rabanada de vento despenteou-me todo... coisa que me irritou bastante.

Quem puder perceber, que perceba! Este é o sexto parágrafo deste post. Acho que vou parar por aqui.

quinta-feira, junho 01, 2006

Amor na Lota do Peixe - Capítulo III

- Zé Bigodes? O meu Zé Bigodes? És mesmo tu, Zé Bigodes

Zé Bigodes era mesmo ele: em carne, ossos, cabelos, cartilagens, fluídos e roupas ensopadas. Lançou um olhar cor de mar para o objecto do seu afecto, Olívia Manca e abriu a boca para proferir algumas palavras que feririam como punhais, todos os que se encontravam na lota.

- Não vos aproximeis de mim, inocentes criaturas! Receio estar radioactivo! A embarcação onde eu seguia, foi abalroada por um submarino Soviético de propulsão nuclear, enquanto estávamos a tentar apanhar um linguado fugidío.

Florindo Lambreta, pai adoptivo de Zé Bigodes e mecânico nas horas vagas, precipitou-se em direcção ao busto do seu pseudo-primogénito. Não receou a radioactividade. Apenas queria sentir aquele que era pseudo-sangue do seu sangue. Zé Bigodes, ao ver a precipitação do seu adorado pai adoptivo, fugiu para trás de ums caixotes de lapas e caranguejos, enquanto gritava:

- Não se aproxime de mim, estimado pai adoptivo! O meu desejo era abraçar-te, a ti e à minha Olívia Manca! Mas devo conter-me, pois sei que talvez tenha de arrastar esta sina de não poder tocar em ninguém, para o resto da minha vida!

- Esses Russos só fazem asneiras, meu Zé Bigodes! - soluçou Florindo Lambreta - Primeiro Chernobyl, depois a Estação Espacial Mir e agora isto!

Francisco Panças, apesar do ódio visceral que nutria por aquela criatura, sentiu-se no dever de ajudar mais uma vítima do holocausto do Plutónio.

- Rapaz, Zé Bigodes... não gosto de ti... não te vou mentir só por piedade! Considero que agora não é altura para querelas, mas sim para a união! O problema atómico não é só teu, que o sentes no corpo, mas de toda a população de Vila Marmota! Pensa bem, rapaz! Foste elevado ao estatuto de lixo nuclear radioactivo. Podes ser encarado como um dejecto Russo lançado ao mar em águas internacionais! Tendo o teu corpo dado à costa portuguesa, há que exigir aos Russos duas coisas! Primeiro: estudos de impacto ambiental! Segundo: indemnização por futuros prejuízos que advenham da contaminação de Vila Marmota pela radioactividade que carregas contigo.

Olívia Manca estourou num acesso de raiva:

- Parem todos! Porque é que ignorais o verdadeiro problema do meu Zé Bigodes? Temos que arranjar uma forma de ele poder circular por Vila Marmota sem prejuízo para os outros, nem para ele!

- Mas como vais conseguir isso, filha minha? - interrogou Francisco Panças.

- Sim! Como vais conseguir isso, filha de Francisco Panças? - contra-interrogou Florindo Lambreta, pai adoptivo de Zé Bigodes.

- Acalmai-vos, homens de pouca fé! Apenas temos de falar com o senhor Godofredo Latinhas!

quarta-feira, maio 31, 2006

Educação: Pais a avaliarem Professores

Excelente ideia!
E para quem viu a reportagem de ontem à noite na RTP sobre os comportamentos irracionais de certos e determinados alunos na sala de aula, deixo outra ideia: Professores a avaliarem os Encarregados de Educação dos seus alunos.
Porque, ao que parece, cada vez mais a família tenta alhear-se da formação como seres humanos dos jovens, delegando essa função na Escola. Está mal! Está muito mal! Caminhamos a passos largos para uma sociedade sem valores, sem moral, em que o professor é encarado como uma criatura de quinta categoria à qual não se deve sequer o mais elementar respeito.
As gerações verdadeiramente rasca estão a despontar no horizonte e o panorama não tende a melhorar se nada for feito.

segunda-feira, maio 29, 2006

Igreja de S. Pedro da Cova

Outra das coisas que gosto de fotografar, são Igrejas. Esta, situa-se em S. Pedro da Cova, relativamente perto do sítio onde moro. Não sei o que tem de especial. Talvez seja o campanário desproporcionado. Talvez o seu interior. Mas não me deixa indiferente. Há coisa de um mês, passei por lá perto e não resisti à tentação de tirar umas fotografias ao interior e ao exterior. Como não tinha trazido a minha máquina digital, recorri-me do telemóvel (Sony Ericsson K750i).

Um pormenor do vitral em forma de roseta.

Embora o exterior seja um pouco espartano, lá dentro existem muitos pormenores que podemos observar. A nave central, absolutamente simétrica, é ladeada por vitrais e janelas francas que deixam entrar a luz do dia, contribuindo para a leveza dos arcos ogivais. Estão colocados em algumas paredes azulejos de alto relevo com cenas bíblicas.

A fotografia seguinte mostra o vitral em forma de roseta, visto do interior da igreja.

Este é um dos vitrais que ladeiam a igreja, representando o Sagrado Coração de Jesus. Repare-se também na beleza dos azulejos que recobrem as paredes interiores.

Outra agradável surpresa é o baptistério, que habita numa sala semi-circular onde se salientam os vitrais representando a árvore da vida, com a maçã que condenou Adão e Eva a transmitirem à sua descendência o pecado original. O mal e o remédio (pia baptismal), tudo no mesmo local.

À saída, fico encantado com o pormenor das portas, que mostram uma composição com as chaves do paraíso. O fiel guardador - S. Pedro - parece ter-se esquecido delas aqui, neste local remoto do mundo.

sexta-feira, maio 26, 2006

Amor na Lota do Peixe - Capítulo II

Capítulo II

As vagas iam, as vagas vinham e Olívia Manca não via o seu Zé Bigodes. Berrou no meio da multidão que se acotovelava por causa do peixe fresco:

- Ó incongruência! Ó inoquidade! Por onde andam os teus bigodes, meu Zé Bigodes? Em que recifes de coral está teu corpo preso, meu amor? Em que plâncton deriva essa alma que me pertence? Sem ti não sou ninguém! Não mereço viver, porque cada dia será um suplício onde arrastarei as chagas do meu coração aberto pelo desgosto.

Um carapau voou, arremessado à distância por Francisco Panças, pai de Olívia Manca, indo acertar na boca desta última. Arrastando o corpo pesado das ceias romanescas e das cervejolas alemanescas bebidas na tasca pescatória do compadre Manel do Martelo, Francisco Panças vociferou de punho cabeludo erguido:

- Cala-te, filha minha! Não reveles esse teu amor amordaçado que sentes pelo desgraçado do Zé Bigodes! Ele não é homem para ti! Mereces o melhor! Não mereces uma criatura da qual não se conhece a árvore genealógica! Quem nos garante que ele não é filho de uma galinha de aviário?

Olívia Manca, cuspindo escamas, lançou um olhar de reprovação a seu pai, Francisco Panças, agora entretido a coçar a enorme barriga.

- Pai! Meu amado pai! Os seus conhecimentos de genética impressionam-me! Como podeis dizer, na maior das descontracções, que o meu Zé Bigodes é filho de uma galinha de aviário? Estes dois seres pertencem a chaves dicotómicas diferentes! O primeiro é um mamífero e o segundo, uma ave! Um não pode ser descendente do outro, nem vice-versa! É cromossomaticamente impossível e incongruente! Zé Bigodes é de certeza filho de seres humanos!

Alguns pescadores tomavam apontamentos da troca de ideias entre aqueles dois intelectuais. Vila Marmota orgulhava-se daquela família de sobredotados. Constava-se até que a sogra de Francisco Panças, dona Carlota Ranhosa, tinha memória fotográfica.

- Filha minha! Porque divagas tu em conjecturas científicas? Tentas desviar o raciocínio do teu pai daquilo que é realmente importante?

Antes que Olívia Manca pudesse dizer alguma coisa, Zé Bigodes apareceu na lota, encharcado, à frente de uma trilha de pegadas que recuavam até ao mar.

Shallow

Tell me somethin', girl Are you happy in this modern world? Or do you need more? Is there somethin' else you're searchin...