sexta-feira, maio 26, 2006

Amor na Lota do Peixe - Capítulo II

Capítulo II

As vagas iam, as vagas vinham e Olívia Manca não via o seu Zé Bigodes. Berrou no meio da multidão que se acotovelava por causa do peixe fresco:

- Ó incongruência! Ó inoquidade! Por onde andam os teus bigodes, meu Zé Bigodes? Em que recifes de coral está teu corpo preso, meu amor? Em que plâncton deriva essa alma que me pertence? Sem ti não sou ninguém! Não mereço viver, porque cada dia será um suplício onde arrastarei as chagas do meu coração aberto pelo desgosto.

Um carapau voou, arremessado à distância por Francisco Panças, pai de Olívia Manca, indo acertar na boca desta última. Arrastando o corpo pesado das ceias romanescas e das cervejolas alemanescas bebidas na tasca pescatória do compadre Manel do Martelo, Francisco Panças vociferou de punho cabeludo erguido:

- Cala-te, filha minha! Não reveles esse teu amor amordaçado que sentes pelo desgraçado do Zé Bigodes! Ele não é homem para ti! Mereces o melhor! Não mereces uma criatura da qual não se conhece a árvore genealógica! Quem nos garante que ele não é filho de uma galinha de aviário?

Olívia Manca, cuspindo escamas, lançou um olhar de reprovação a seu pai, Francisco Panças, agora entretido a coçar a enorme barriga.

- Pai! Meu amado pai! Os seus conhecimentos de genética impressionam-me! Como podeis dizer, na maior das descontracções, que o meu Zé Bigodes é filho de uma galinha de aviário? Estes dois seres pertencem a chaves dicotómicas diferentes! O primeiro é um mamífero e o segundo, uma ave! Um não pode ser descendente do outro, nem vice-versa! É cromossomaticamente impossível e incongruente! Zé Bigodes é de certeza filho de seres humanos!

Alguns pescadores tomavam apontamentos da troca de ideias entre aqueles dois intelectuais. Vila Marmota orgulhava-se daquela família de sobredotados. Constava-se até que a sogra de Francisco Panças, dona Carlota Ranhosa, tinha memória fotográfica.

- Filha minha! Porque divagas tu em conjecturas científicas? Tentas desviar o raciocínio do teu pai daquilo que é realmente importante?

Antes que Olívia Manca pudesse dizer alguma coisa, Zé Bigodes apareceu na lota, encharcado, à frente de uma trilha de pegadas que recuavam até ao mar.

quinta-feira, maio 25, 2006

Amor na Lota do Peixe - Introdução e Capítulo I

Amor na Lota do Peixe

Introdução

Em tempos escrevi uma novela ao jeito de tragi-comédia sob o pseudónimo de Casimiro Lambreta. Foi uma das primeiras edições electrónicas do país e quiçá da galáxia. Como um blog também deve conter patetices (?), vou publicá-la neste espaço. Espero que apreciem. No final, terão uma biografia sucinta do meu pseudónimo.

Capítulo I

A manhã acordou pardacenta por sobre as casas da velha vila pescatória. A faina havia começado às tantas da madrugada e alguns dos barcos emproados regressavam ao cais. À sua espera, estavam os bois-de-arrasto, as rameiras, as peixeiras, e uma ou outra gaivota de olhos fitados no peixe. Tudo era pacato e calmo na areia orvalhada.
Olívia Manca - a beldade lá da zona - esperava com mais impaciência os barcos que começavam a aparecer no horizonte. Isto tinha um motivo especial. O seu Zé Bigodes também andava na faina! Como ele sabia anzolar os robalos, as trutas e as fanecas. Só de o ver lançar a linha, a nossa Olívia Manca, ficava maravilhada.

- Ó catraia! Ó filha? Que é que estás a fazer a olhar escarrapachada para os carneirinhos do mar? - perguntou a dona Emília Genoveva Cerqueira de Castro Gumercinda de Miranda, mãe da Olívia Manca.

- Nada, minha mãe... apenas contemplo o azul infinito da água e interrogo-me sobre o porquê de tudo isto! O que comanda o girar da terra? O que faz com que a lua regule as marés e os peixes se estruturem numa cadeia alimentar equilibrada? Se não é Deus que está por trás disto, quem será? Pode uma alma ficar alheia a estas questões que mexem com o âmago da nossa existência?

A dona Emília Genoveva Cerqueira de Castro Gumercinda de Miranda atirou com uma truta à cara da sua filha, que ficou uns bons três minutos a cuspir escamas.

- Isto é para aprenderes a não faltar com o respeito à tua mãe!

Olívia Manca não compreendeu o comportamento irracional da sua mãe, mas mesmo assim consentiu que lhe tivesse atirado com o peixe ao focinho... não estava em pontos de regatear, já que era totalmente dependente da família. Tinha porém a secreta certeza de que, mal pudesse, fugiria com o seu Zé Bigodes.

Os barcos chegaram, os pescadores sairam com os seus peixes, mas Zé Bigodes não regressou! Que lhe teria acontecido?

quarta-feira, maio 24, 2006

No sopé da Serra da Estrela

Aqui ficam algumas das tais fotos que só podem ser tiradas na Covilhã... esta mostra parte do edifício da Universidade da Beira Interior (UBI), uma rotunda com uma queda de água muito peculiar, a igreja de S. Martinho (?) e uma chaminé que restou das indústrias de lanifícios que por ali existiram.

Uma vista do brasão que aparece na fachada do mercado municipal.

Este é o canal por onde se escoa a água que cai no centro da rotunda que aparece na primeira fotografia.

Espremidas, são estas as fotografias possíveis de apresentar neste blog. Ao visitarem a Covilhã, assegurem-se que levam calçado apropriado para as ruas íngremes e que o vosso automóvel tem a embraiagem em boas condições: não é difícil encontrar algumas ruas com mais de 30º de inclinação. Se planeiam atravessar a Serra da Estrela para chegarem à Covilhã, assegurem-se também que os travões estão em boas condições e lembrem-se dos avisos no IP5: "Keep it in low gear". De resto, é um óptimo passeio de fim-de-semana. Relativamente a locais para almoçar ou jantar (e passando a publicidade), aconselho o "Restaurante Regional Mário".

A luz...

Esta é a primeira de algumas fotografias que vou publicar acerca da Covilhã. Foi tirada na Covilhã, mas podia ter sido tirada em qualquer outro sítio... nomeadamente em Lisboa. Este típico candeeiro de rua deixou que a luz do sol penetrasse nos seus vidros e fosse encaminhada para a lente da minha máquina digital (para que conste, é uma Canon S50).


Sempre tive um fascínio por candeeiros: principalmente pelos mais antigos; não só do tipo anterior mas também daqueles mais simples com uma lâmpada que desponta de uma campânula metálica. Vá-se lá saber... coisas da vida!

terça-feira, maio 23, 2006

All The Roadrunning

Parece um sacrilégio que ainda não tenha falado de Mark Knopfler (MK) no meu blog. Mas falo agora! Tenho acompanhado a carreira musical deste virtuoso da guitarra eléctrica desde os seus tempos dos "Dire Straits" até à sua já longa carreira a solo. Tenho a sua discografia (quase) completa, incluindo o último álbum: "All The Roadrunning". Deixem que vos faça uma crítica do mesmo.
Arrisco-me a dizer que se trata do seu melhor disco como MK. E, curiosamente, em todas as músicas faz dueto com uma diva do Country: Emmylou Harris (EH). Isto, que eu saiba, é a primeira vez que acontece. Todos os seus anteriores duetos foram com homens. Mas - minhas senhoras e meus senhores - que DUETO este entre MK e EH! Bem... todos sabem que o forte do MK são as cordas da guitarra e não as cordas vocais mas neste disco as duas vozes resultam numa simbiose que eu arriscaria dizer que se encontra perto da perfeição. Perto da perfeição estão também as músicas que compõem este álbum. Os instrumentos tradicionais são preferidos em detrimento dos eléctricos (honrosa excepção feita à guitarra eléctrica de MK). Existem estilos para todos os gostos. Mais românticas: "Beachcombing" (uma das minhas favoritas) e "All The Roadrunning". Hard Country: "Red Staggerwing". Mais mexidas: "This Is Us". Entre outras... um álbum a ter em conta nas suas próximas compras... se gosta de MK e de boa música.

Linhas de força

Sobre o que hei-de escrever? Bem... vai sobre isto.
Quem está familiarizado com a fotografia (e com pintura... e com arte em geral) sabe o quão importante é o equilíbrio. Pensando melhor, o equilíbrio é importante em várias outras áreas. Um rosto equilibrado é um rosto bonito (Beauty Check). Uma fotografia equilibrada tem meio caminho andado para ser uma boa fotografia.
Tomemos como exemplo (e perdoem-me a imodéstia) as duas primeiras fotografias do meu blog:
A primeira (a das árvores) tem um equilíbrio bastante simples: simetria ao longo de uma linha vertical situada a metade da largura. A linha do horizonte está precisamente a meio da altura, o que também contribui para o equilíbrio. Devido a estes dois argumentos, o pólo de atracção da fotografia situa-se precisamente no seu centro geométrico. E ainda por cima, é mais claro que tudo o que está em sua volta. A estrada de terra batida também chama a atenção para esse pólo de atracção. É aquilo que no desenho se designa de um "ponto de fuga", em que as linhas de força vão todas convergir.
A segunda (a da flor) tem um equilíbrio mais complexo, no entanto, considero que também seja uma fotografia equilibrada. A flor posiciona-se sensivelmente a meio da altura e a um terço da largura a contar do lado direito. Se está equilibrada na vertical, o que faz equilibrar a fotografia na horizontal? A resposta é: o jogo de cores e de luzes. Para a esquerda da flor temos quase exclusivamente castanhos escuros (e progressivamente mais escuros do centro para a esquerda). Para a direita da flor, temos os tons verdes e os castanhos mais claros (e progressivamente mais claros do centro para a direita). A grande mancha escura esquerda é balançada pelos tons claros da rosa e da folhagem... e a proporção certa para este equilíbrio parece ser 2/3 para os tons escuros e 1/3 para os tons claros. Ainda se conseguem inferir duas diagonais nesta fotografia: uma do canto superior esquerdo para o canto inferior direito e outra do canto superior direito para o canto inferior esquerdo.
O equilíbrio, de facto, é uma questão muito complexa...

segunda-feira, maio 22, 2006

Macro

Decidi partilhar mais um dos instantâneos capturados na Mealhada. Desta vez foram as cores garridas desta flor, que nasceu aos pés de uma palmeira, a merecerem a focagem da minha objectiva. Espero que gostem.

Shallow

Tell me somethin', girl Are you happy in this modern world? Or do you need more? Is there somethin' else you're searchin...